Cooperativismo pode se tornar o novo motor do empreendedorismo brasileiro – Scharles Rampelotti é Diretor de Operações/Negócios da Ailos Cooperativa Únilos

Entenda como o reinvestimento de recursos na própria comunidade cria um ciclo virtuoso de prosperidade e inclusão financeira

O debate sobre empreendedorismo no Brasil costuma girar em torno de capital, inovação e desburocratização. Mas há um elemento ainda subestimado nesse ecossistema: o cooperativismo de crédito.

Em especial no Sul do país, o modelo cooperativista tem se mostrado uma engrenagem silenciosa, e eficiente, de estímulo ao desenvolvimento regional.

A força do cooperativismo em Santa Catarina

Santa Catarina se destaca como o estado mais cooperativista do Brasil.

Segundo dados da Organização das Cooperativas do Estado de SC (OCESC), são mais de 4,7 milhões de cooperados.

Isso significa cerca de 58% da população do estado, havendo aproximadamente 240 cooperativas ativas.

Lógica democrática e acesso ao capital

Isso se explica porque, ao contrário das estruturas tradicionais, o cooperativismo parte de uma lógica simples: pessoas se unem para resolver problemas comuns e, ao mesmo tempo, se tornam donas do próprio sistema.

Não há concentração de poder baseada no capital, mas sim participação democrática. Cada cooperado tem voz, voto e acesso aos resultados.

Na prática, isso cria um ambiente mais equilibrado para quem deseja empreender, especialmente em contextos onde o acesso ao crédito ainda é limitado.

Escala e impacto na comunidade

Os números do cooperativismo de crédito ajudam a dimensionar esse avanço, somando mais de 19 milhões de brasileiros, e o total cresce de forma consistente.

Em Santa Catarina, são mais de 60 cooperativas de crédito que somam mais de 3,3 milhões de cooperados.

Este é um movimento que ganha força ao combinar proximidade, conhecimento local e reinvestimento dos recursos na própria comunidade.

O crédito deixa de ser apenas uma operação financeira e passa a ser um instrumento de desenvolvimento, viabilizando desde pequenos comércios até projetos mais estruturados.

Confiança como base para o crescimento

Esse modelo também contribui para algo menos tangível, mas igualmente relevante: a confiança.

Ao participar das decisões e acompanhar os resultados, o empreendedor deixa de ser apenas cliente e passa a ser parte ativa de um sistema.

Isso reduz distâncias, fortalece vínculos e cria um ambiente mais propício para assumir riscos, condição essencial para inovar e crescer.

Sustentabilidade do modelo local

Casos regionais ajudam a ilustrar esse movimento.

Cooperativas de crédito com atuação local têm apresentado crescimento consistente em ativos e operações, refletindo não apenas eficiência financeira, mas também a aderência do modelo às necessidades das comunidades onde estão inseridas.

Mais do que números, o que está em jogo é a capacidade de transformar crédito em oportunidade.

Conclusão: Um esforço coletivo

Em um país que ainda busca caminhos para impulsionar o empreendedorismo no Brasil de forma inclusiva, o cooperativismo oferece uma resposta concreta.

Não resolve todos os desafios, mas cria uma base mais justa e participativa.

E, ao fazer isso, mostra que empreender não precisa ser um ato solitário, pode ser um esforço coletivo.


Scharles Robinson Rampelotti é Diretor de Operações/Negócios da Ailos Cooperativa Únilos, em Santa Catarina.

Relacionado Posts

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

plugins premium WordPress