IA no crédito só funciona com accountability algorítmica – José Tadeu de Chiara é Head Jurídico em Crédito Estruturado e FIDCs da Multiplica

Nos últimos anos, a avaliação financeira passou por uma transformação profunda, possivelmente sem precedentes desde as primeiras décadas do século XX. Processos antes baseados em planilhas extensas, leitura manual de balanços e ciclos longos de investigação passaram a incorporar modelos preditivos, scores automatizados e machine learning capazes de cruzar grandes volumes de informação em poucos segundos. A combinação entre dados contábeis, histórico de pagamentos e indicadores setoriais ampliou a capacidade de identificar riscos potenciais, permitindo reconhecer padrões que antes demoravam muito mais tempo para aparecer nas análises tradicionais.

Nos últimos anos, a avaliação financeira passou por uma transformação profunda, possivelmente sem precedentes desde as primeiras décadas do século XX. Processos antes baseados em planilhas extensas, leitura manual de balanços e ciclos longos de investigação passaram a incorporar modelos preditivos, scores automatizados e machine learning capazes de cruzar grandes volumes de informação em poucos segundos. A combinação entre dados contábeis, histórico de pagamentos e indicadores setoriais ampliou a capacidade de identificar riscos potenciais, permitindo reconhecer padrões que antes demoravam muito mais tempo para aparecer nas análises tradicionais.

A importância dessa integração se torna ainda mais evidente no middle market. Empresas desse segmento costumam crescer com rapidez, revisam estratégias de financiamento com frequência e respondem de forma intensa às mudanças do ambiente econômico. Indicadores isolados raramente explicam por completo a trajetória de negócios que operam em ciclos acelerados de expansão, investimento e reorganização de capital.

Sinais identificados por modelos analíticos ganham utilidade quando interpretados dentro do ecossistema empresarial. Instrumentos capazes de cruzar desempenho contábil, comportamento de pagamentos e variáveis macroeconômicas formam painéis que revelam tendências financeiras e possíveis sinais de deterioração. Esses elementos orientam a investigação sobre cada companhia, mas a definição da estratégia depende da visão humana, que conecta os dados à dinâmica do setor e às características específicas de cada estrutura.

Mudanças desse tipo também levaram instituições financeiras a rever suas estruturas de governança. Sistemas automatizados passaram a levantar hipóteses em segundos, que depois são avaliadas a partir das características de cada negócio, enquanto comitês de crédito discutem diferentes cenários antes de decidir sobre a concessão de financiamento. Reguladores também passaram a exigir critérios mais claros para processos apoiados por tecnologia. Esse movimento ocorre em um mercado no qual, segundo a “Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025”, realizada pela Deloitte, cerca de 82% dos bancos no Brasil já utilizam inteligência artificial generativa em suas operações.

Quanto mais sistemas inteligentes passam a fazer parte da rotina da análise de crédito, maior se torna a necessidade de organizar esse uso com clareza e responsabilidade. A accountability algorítmica cumpre esse papel ao garantir que os modelos utilizados sigam critérios verificáveis, que as decisões possam ser acompanhadas e que exista supervisão adequada. A inteligência artificial acelera processos e até fecha contas em questão de milésimos, entretanto quem precisa responder por ela continua sendo nós.


 José Tadeu do Valle De Chiara é Head Jurídico em Crédito Estruturado e FIDCs da Multiplica

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