Quase 80% dos data centers no mundo estão expostos a riscos climáticos extremos, como enchentes, ventos intensos e incêndios florestais, segundo um novo levantamento da empresa de análise de risco climático First Street. O estudo também aponta que 54% dos mercados globais de infraestrutura digital enfrentam riscos climáticos crônicos, como calor extremo e seca.
A análise, que avaliou 97 mercados globais de data centers, sugere que a expansão dessa infraestrutura crítica da economia digital ocorre, em muitos casos, em regiões já consideradas vulneráveis a eventos climáticos intensificados.
De acordo com o relatório, a exposição a eventos extremos pode levar a interrupções de operação, aumento do tempo fora do ar e elevação dos custos de seguro e manutenção. O estudo também destaca que fatores climáticos crônicos, como ondas de calor recorrentes e escassez hídrica, afetam diretamente o funcionamento dos sistemas de resfriamento, elevando o consumo de energia e água.
“Onde você constrói um data center determina uma grande parte do custo de operação pelos próximos 20 ou 30 anos”, afirmou Jeremy Porter, economista-chefe da First Street, em entrevista ao The Guardian.
Segundo ele, variáveis climáticas como resfriamento, disponibilidade de água e confiabilidade operacional ainda são subestimadas em avaliações de investimento, que tendem a priorizar perspectivas de crescimento.
O relatório também chama atenção para a limitação de modelos tradicionais de precificação de risco, baseados em séries históricas. “O clima não está mais se comportando como o registro histórico indicaria”, disse Matthew Eby, CEO da First Street, ao destacar que ondas de calor, secas e estresse hídrico tornam esses modelos insuficientes para capturar o risco atual.
Concentração de risco por região
O estudo aponta diferenças relevantes entre regiões. Nas Américas, 86% da capacidade de data centers está localizada em mercados com risco elevado de enchentes, ventos fortes e incêndios florestais. Já na Ásia-Pacífico, 89% da infraestrutura está exposta a calor extremo e seca. Na Europa, Oriente Médio e África, essa fatia é de 46%.
Nos Estados Unidos, regiões como Carolina do Norte e Sul, Atlanta, Nova York–Nova Jersey e norte da Virgínia aparecem entre as mais expostas a riscos climáticos combinados, mesmo concentrando parte relevante da expansão do setor.
O relatório também cita mercados em expansão, como Johor, na Malásia, e Marselha, na França, como áreas com alta vulnerabilidade. Em contraste, regiões como Helsinque, na Finlândia, apresentam menor risco climático, mas recebem menor volume de novos investimentos.
Infraestrutura digital sob pressão
O estudo aponta ainda que a localização dos novos empreendimentos tende a agravar o problema, com expansão concentrada justamente em regiões mais expostas a eventos climáticos extremos.
Segundo os autores, cerca de dois terços dos novos data centers nos Estados Unidos estão projetados para regiões com estresse hídrico, o que pode ampliar a competição por recursos como água e energia em áreas já pressionadas.
O relatório conclui que os impactos de eventos climáticos sobre data centers extrapolam os limites físicos das instalações, afetando serviços digitais usados por empresas e consumidores. A depender da escala de um evento climático, falhas locais podem se transformar em interrupções sistêmicas em redes e serviços online.
Fonte: Exame com adaptações da MundoCoop












