Paraná consolida modelo cooperativista baseado em planejamento, escala e gestão

O cooperativismo paranaense atingiu um nível de organização e escala que o coloca como uma das principais referências do país. O desempenho do estado não se explica apenas pelos números, mas por um modelo construído ao longo de décadas, que articula planejamento, integração entre cooperativas e profissionalização da gestão.

Esse modelo se traduz em indicadores consistentes. Em 2024, o Paraná contabilizou 241 cooperativas, responsáveis por mais de 137 mil empregos e ativos que somam R$ 305,8 bilhões, além de ingressos superiores a R$ 194,7 bilhões. Os dados evidenciam um sistema que mantém crescimento estruturado, mesmo em cenários de maior instabilidade econômica.

Ao analisar esse cenário, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, destaca que a consistência do modelo está diretamente ligada à forma como o cooperativismo foi estruturado no estado. Em entrevista exclusiva à MundoCoop, ele detalha os principais fatores que explicam o desempenho das cooperativas paranaenses e os caminhos que sustentam sua evolução.

Planejamento como base

Esse movimento de construção estruturada tem origem em uma cultura de planejamento consolidada desde a década de 1970, com os Projetos Integrados de Cooperativismo (Picoops), responsáveis por organizar a expansão de forma regionalizada e alinhada às demandas produtivas.

Ao longo do tempo, essa lógica incorporou novos instrumentos de coordenação, como a criação da Ocepar e programas orientados por metas, acompanhamento contínuo e formação de lideranças. O resultado é um sistema com direção clara e capacidade de adaptação sem ruptura estratégica.

COOP PELOS ESTADOS 1

“O segredo está em diversificar e agregar valor. É isso que elimina a sazonalidade, traz segurança financeira e permite ao produtor ter resultado ao longo de todo o ano.” – JOSÉ ROBERTO RICKEN, PRESIDENTE DA OCEPAR

José Roberto acredita que o planejamento é o principal fator para garantir consistência e direção ao crescimento do cooperativismo. Para ele, essa construção coletiva é o que permite alinhar estratégia, execução e propósito dentro das cooperativas. “Para que sejamos essenciais, não podemos caminhar ao léu. O planejamento estratégico é o nosso grande direcionador. Ele não é um documento estático, mas uma construção coletiva que garante que cada ação tenha um porquê, um quando e um como”, afirma.

Escala e organização

Esse modelo permitiu a construção de uma escala consistente ao longo do tempo. Em 2024, o volume de ativos alcançou R$ 305,8 bilhões, com crescimento de quase 20%, enquanto os ingressos superaram R$ 194,7 bilhões.

Mais do que expansão, os números indicam capacidade de sustentar crescimento com estabilidade. A atuação conjunta entre cooperativas amplia eficiência, reduz custos e fortalece a presença no mercado, transformando a intercooperação em estratégia econômica. “Mesmo em tempos adversos, o cooperativismo permanece crescendo porque consegue mobilizar pessoas em torno de objetivos comuns e superar as dificuldades por meio da cooperação”, afirma Ricken.

Agro e agregação de valor

O agronegócio responde por cerca de 82% do movimento econômico das cooperativas no estado e se consolida como principal eixo de geração de valor. O diferencial, no entanto, está na capacidade de estruturar a produção a partir da leitura de mercado, incorporando agroindustrialização e diversificação.

Esse posicionamento permite ampliar margens, reduzir exposição a ciclos e fortalecer a presença nas cadeias produtivas. Em vez de depender exclusivamente do volume, o sistema passa a capturar valor em diferentes etapas. “A diversificação é o que elimina a sazonalidade e traz segurança o ano todo”, afirma Ricken.

Gestão e governança

Esse avanço exige níveis elevados de governança e profissionalização. No Paraná, o modelo se sustenta no equilíbrio entre a participação do cooperado e a execução técnica da gestão, com decisões orientadas por planejamento e dados.

O monitoramento contínuo de indicadores e o investimento em formação garantem previsibilidade e evolução do sistema sem ruptura com seus princípios. Esse arranjo reduz a dependência de decisões pontuais e fortalece a consistência ao longo do tempo. “O comando emana do cooperado, mas a execução precisa ser técnica e profissional. Não há espaço para improviso”, afirma Ricken.

Referência nacional

Esse conjunto de fatores posiciona o cooperativismo paranaense como referência nacional. Mais do que resultados pontuais, o estado apresenta um modelo estruturado, que articula planejamento, integração e gestão profissional.

A meta de atingir meio trilhão de faturamento até 2030 reforça essa estratégia, que preza pela manutenção do equilíbrio entre desempenho econômico, impacto social e desenvolvimento das comunidades.


Por João Victor – Redação MundoCoop

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Matéria exclusiva publicada na edição 130 da Revista MundoCoop

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