Dia Mundial do Café destaca força das cooperativas brasileiras no setor cafeeiro

Com forte presença na produção e exportação, modelo cooperativo sustenta o desempenho do setor no país

Criado em 2015 pela Organização Internacional do Café, o Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril, surgiu com o objetivo de reconhecer a importância da bebida e dos produtores na economia global. A data também passou a funcionar como um ponto de visibilidade para o setor, ao aproximar consumidores, mercado e cadeia produtiva.

O Brasil, maior produtor e exportador mundial, viveu em 2025 um cenário de contrastes. A produção de café arábica registrou queda de 9,7%, enquanto os preços se mantiveram elevados e, em muitos casos, acima do custo de produção. Esse movimento reforçou a importância de estruturas capazes de sustentar a atividade mesmo em contextos mais desafiadores.

Nesse ambiente, o cooperativismo tem se consolidado como um dos principais pilares da cadeia cafeeira com a integração de assistência técnica, crédito, e comercialização.

Resultados e escala

Essa dinâmica se reflete diretamente nos resultados das principais cooperativas do país. A Cooxupé, sediada em Guaxupé (MG), encerrou 2025 com os maiores resultados de sua história. O faturamento atingiu R$ 16,99 bilhões, com distribuição de R$ 185,6 milhões em sobras às famílias cooperadas. A cooperativa respondeu por cerca de 17% da produção nacional de café arábica e exportou para países como Estados Unidos, Japão e Alemanha.

O desempenho aconteceu em um cenário de desafios operacionais e de mercado, que exigiu maior capacidade de gestão e adaptação ao longo do ano, incluindo questões logísticas, climáticas e financeiras.

Para Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da cooperativa, o resultado reflete a capacidade de reação dos produtores diante de um ambiente adverso. O dirigente também destaca que a organização coletiva foi determinante para garantir liquidez e continuidade das operações. “2025 foi um ano marcado pelo tarifaço imposto por Donald Trump, e enfrentamos problemas portuários, rendimento de safra abaixo do esperado, clima adverso e juros altos. Por outro lado, os preços se mantiveram altos para os produtores, e as exportações tiveram receitas positivas”, afirmou o,

Crescimento no conilon

Enquanto o café arábica apresentou retração, o conilon registrou movimento de expansão impulsionado pela maior demanda internacional e pela necessidade de composição de blends, que são misturas de diferentes tipos de café utilizadas para equilibrar sabor, aroma e custo do produto final. A Cooabriel (ES) alcançou faturamento de R$ 3 bilhões em 2025, crescimento de 17% em relação ao ano anterior.

O avanço também foi acompanhado pela ampliação da base de cooperados, que ultrapassou 9,7 mil famílias. O aumento refletiu as iniciativas do fortalecimento da atividade no estado e a maior adesão de produtores ao modelo cooperativo.

A expansão da cooperativa também está associada ao aumento da demanda internacional por cafés robusta e conilon, especialmente na composição de blends, o que tem sustentado o crescimento do segmento. “Houve crescimento real, relacionado ao aumento na recepção de safra, na movimentação das lojas e no ingresso de novos cooperados”, afirmou o presidente da cooperativa, Luiz Carlos Bastianello.

Investimentos e estrutura

O avanço da produção, além de exigir maior capacidade de gestão da oferta, também demanda adaptação da infraestrutura. Nesse contexto, a Nater Coop ampliou sua capacidade de armazenagem com investimento de R$ 20 milhões em um centro de distribuição no Espírito Santo.

A iniciativa elevou a capacidade para 200 mil sacas e incluiu a construção de novos silos para atender ao crescimento da safra, que  a estrutura logística necessária para sustentar volumes maiores e maior valorização do produto.

Sustentabilidade e mercado

A exigência dos mercados internacionais vai além da qualidade do produto e incorpora critérios relacionados à rastreabilidade, responsabilidade social e ambiental. Nesse contexto, cooperativas têm ampliado programas de boas práticas e certificações para atender a essas demandas. A Cooxupé, por exemplo, desenvolveu programas voltados à sustentabilidade reconhecidos por plataformas internacionais e pelo Ministério da Agricultura, enquanto a Cooabriel ampliou sua presença em auditorias sociais voltadas à conformidade da cadeia produtiva.

Esse movimento reforça a inserção do café brasileiro em mercados mais exigentes e amplia a competitividade do produto, especialmente em nichos que demandam maior transparência e conformidade com padrões globais.

Reconhecimento global

O cooperativismo cafeeiro do Brasil também tem ampliado sua presença no cenário internacional. A Cooxupé, atualmente, integra as 300 maiores cooperativas do mundo de acordo com levantamento global do setor. A participação da cooperativa na lista evidencia a escala e o impacto econômico dessas organizações.

No Brasil, outras cooperativas também avançam mesmo em cenários desafiadores. A Cocatrel registrou faturamento de R$ 3,45 bilhões e aumento no volume recebido, na contramão da retração do mercado.

O segmento segue sustentado por uma estrutura que se destaca na capacidade de adaptação. Em 2026, o Conselho Monetário Nacional destinou R$ 7,37 bilhões ao Funcafé para financiamento da produção e comercialização.

Nesse contexto, o Dia Mundial do Café deixa de ser apenas uma celebração simbólica e passa a representar a dimensão econômica e organizacional que sustenta a presença do café brasileiro no mercado global.


Por João Victor, Redação MundoCoop

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