Cooperativas de crédito fortalecem presença no Plano Safra com quase 40% do crédito equalizado

Os números do crédito rural no Plano Safra 2025/2026 indicam uma mudança relevante na dinâmica de financiamento do agronegócio brasileiro. Dados do Boletim do Crédito Rural, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (DEFIN), da Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do SICOR/Banco Central, mostram crescimento das contratações, avanço das Cédulas de Produto Rural (CPR) e maior presença das cooperativas financeiras na execução dos recursos destinados ao setor.

Entre julho de 2025 e março de 2026, o volume contratado no crédito rural empresarial alcançou R$ 404 bilhões, alta de 10% em relação ao mesmo período da safra anterior. Já os recursos efetivamente concedidos aos produtores somaram R$ 387 bilhões, crescimento de 5% na comparação anual.

O estudo também apontou avanço expressivo das CPRs, que cresceram 38% e movimentaram R$ 183,1 bilhões no período. Somadas às operações tradicionais de custeio, essas emissões responderam por R$ 303,1 bilhões destinados ao financiamento da safra, volume 13% superior ao registrado em 2024/2025.

Cooperativas ganham espaço

O levantamento mostrou ainda o avanço das cooperativas financeiras entre os principais operadores das linhas equalizadas do Plano Safra. Mesmo em um ambiente marcado por juros elevados e retração das linhas tradicionais de investimento, instituições cooperativas ampliaram participação na concessão de recursos ao agro.

De acordo com o boletim, o Sicoob movimentou R$ 5,6 bilhões em operações de custeio rural equalizado, enquanto o Sicredi somou R$ 5,2 bilhões. A Cresol também apareceu entre as principais instituições financeiras do segmento, com R$ 3,1 bilhões concedidos e execução integral do volume programado para o período.

Nas operações de investimento, Sicredi e Sicoob figuraram entre os maiores operadores do país, atrás apenas de Banco do Brasil e BNDES. O desempenho reforça o crescimento da presença cooperativa em um dos segmentos mais estratégicos para o financiamento da produção agropecuária brasileira.

Nova dinâmica do crédito

A análise do DEFIN também indicou mudança no perfil das operações de crédito rural. Enquanto instrumentos privados ganharam espaço, linhas tradicionais apresentaram retração ao longo da safra.

O custeio tradicional recuou 11% nas contratações e o investimento caiu 16%. Em sentido oposto, a industrialização avançou 74% e alcançou R$ 28,1 bilhões em operações contratadas, movimento que indica maior direcionamento dos recursos para processamento e agregação de valor dentro da cadeia agroindustrial.

O estudo ainda apontou redução de 24% no número total de contratos firmados, que passaram de 534 mil para 408 mil operações. Apesar disso, o volume financeiro manteve crescimento, cenário que evidencia maior concentração de recursos e fortalecimento de operações de maior porte dentro do sistema de crédito rural.

Recursos ainda disponíveis

Segundo o boletim, parte significativa dos recursos equalizáveis do Plano Safra ainda permanece disponível para contratação. Até março de 2026, haviam sido concedidos R$ 43,4 bilhões dos R$ 113,4 bilhões programados para a safra, o equivalente a 38% de execução.

Os dados indicam espaço para avanço das operações nos próximos meses, principalmente diante da manutenção da demanda por crédito no agronegócio e da continuidade das operações ligadas ao custeio da produção rural.


Por João Victor (Redação MundoCoop) com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária

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