Coopercitrus 50 Anos: do Campo à plataforma de negócios

De uma fusão regional à consolidação como ecossistema de soluções, cooperativa alia governança, inovação e expansão territorial

No final dos anos 1970, o interior paulista vivia uma tensão particular. Produtores rurais da região de Bebedouro, então fortemente dependentes da citricultura, enfrentavam dificuldades crescentes para acessar insumos com preços e condições competitivas. A solução encontrada por um grupo de agricultores, entretanto, foi coletiva. Em 1976, a fusão da CAPDO, Cooperativa Agrícola de Monte Azul Paulista, com a CAPEZOBE, Cooperativa Agrícola de Bebedouro, deu origem à Coopercitrus, Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo, uma organização que nascia da urgência do campo mas que, com o passar das décadas, revelaria uma vocação muito maior.

Quando o mercado não oferece condições justas ao produtor, a cooperativa preenche essa lacuna. Foi exatamente nesse contexto que a Coopercitrus foi fundada, de maneira estruturada o suficiente para sobreviver às várias crises que desafiaram o setor ao longo das cinco décadas seguintes. “A Coopercitrus nasceu com o propósito de atender as demandas imediatas do produtor rural, especialmente relacionadas ao acesso a insumos, tecnologia e suporte técnico dos mais de 42 mil cooperados. Ampliamos a atuação investindo em insumos, assistência técnica, inovação tecnológica, capacitação e desenvolvimento sustentável, além de consolidar um modelo cooperativista, baseado em relacionamento e geração de valor no campo”, relata Matheus Marino, Presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus

O que diferencia a cooperativa é, justamente, a velocidade com que uma resposta emergencial se transformou em um projeto de longo prazo. Já nos anos 1980, a Coopercitrus criava departamentos especializados, como o de Máquinas e Implementos (1984), lançava a Revista Coopercitrus (1986) e estruturava a Credicitrus (1983), seu braço financeiro. Cada movimento sinalizava a intenção clara de ser um parceiro permanente do produtor rural.

Crescimento Consistente

Crescer no agronegócio brasileiro não é uma tarefa simples. O setor está permanentemente exposto a ciclos de preço de commodities, oscilações cambiais, instabilidades climáticas e mudanças regulatórias que tornam a gestão de qualquer organização do campo um exercício constante de adaptação. 

Na Coopercitrus, os números contam uma história de solidez impressionante. Em 2020, em plena pandemia, o faturamento chegou a R$ 5,9 bilhões. Em 2022, mesmo diante de um cenário global conflituoso, a cooperativa registrou R$ 9,4 bilhões. Em 2023, quando boa parte do agro nacional sofreu com a queda nos preços das commodities, a Coopercitrus terminou o ano com mais de R$ 8,1 bilhões em caixa, cresceu 21% no volume de insumos comercializados e avançou 8,5% no volume de grãos. Mais recentemente, a cooperativa encerrou 2024 com faturamento de R$ 8,5 bilhões. E em 2025, o faturamento voltou ao patamar histórico, superando os R$ 9,2 bilhões.

Por trás dessa resiliência há um conjunto de decisões que moldaram a trajetória da organização. A implantação de um novo modelo de governança corporativa em 2014 foi um marco. A adoção do sistema SAP em 2020 modernizou a gestão operacional. E a submissão às auditorias da PwC a partir de 2024 estabeleceu um novo padrão de transparência e credibilidade perante cooperados, parceiros e mercado. “O crescimento contínuo da Coopercitrus ao longo de cinco décadas está diretamente ligado à capacidade da cooperativa de antecipar tendências, investir em inovação e manter foco na geração de valor ao cooperado. Outro fator determinante foi a diversificação da atuação da cooperativa, atendendo diferentes culturas e perfis de produtores, sempre com foco em eficiência operacional e sustentabilidade econômica”, afirma Matheus Marino.

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Pensando nos próximos 50 anos, o principal legado desta geração é fortalecer uma cooperativa cada vez mais inovadora, sustentável”  – MATHEUS KFOURI MARINO, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

A expansão geográfica também foi uma importante ferramenta de crescimento. A chegada ao Triângulo Mineiro em 2002, a entrada em Goiás em 2019 e a incorporação de cooperativas regionais, como COCANASTRA, COBRAC, COACAVO, CAPAL, COOPASSA e, mais recentemente, COOPARAISO (2025), ampliaram a base de cooperados e a capilaridade da organização sem comprometer a solidez financeira. Hoje, a Coopercitrus atende mais de 70 municípios nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, com ampla rede de unidades de negócios.

No plano estratégico recente, a criação da Fincoop (2024) sinaliza que a Coopercitrus enxerga nas soluções financeiras e de gestão patrimonial um dos próximos grandes vetores de valor para o cooperado. A assessoria em sucessão familiar, por exemplo, responde a uma demanda crescente em um setor onde a transição de gestão das propriedades rurais é ainda um grande desafio. Além disso, o desenvolvimento da Universidade Coopercitrus reforça a capacitação como estratégia essencial para a longevidade. A cooperativa mantém um time de mais de 3.200 colaboradores e uma base crescente de cooperados, consolidando-se como uma das maiores organizações do agro brasileiro. 

Ainda, o olhar para o futuro tem garantido não só o sucesso no presente, mas a continuidade de um legado de sucesso. “A participação das novas gerações também tem papel estratégico para a continuidade e fortalecimento do cooperativismo. A Liga Coopercitrus Jovem vem promovendo o engajamento dos jovens cooperados, dos quais tem a oportunidade de estagiar nas diversas áreas da cooperativa, incentivando a sucessão familiar, a formação de lideranças e a conexão entre inovação, tecnologia e o futuro do agronegócio”, acrescenta o Presidente.

De cooperativa a ecossistema de soluções

Há um momento em que uma instituição passa de um intermediário comercial a, de fato, ser uma plataforma de desenvolvimento. A Coopercitrus atravessou essa fronteira ao integrar insumos, máquinas, assistência técnica, tecnologia de precisão, comercialização de grãos, crédito rural, combustíveis e educação em uma única estrutura. 

Esse movimento não aconteceu de uma vez, começou com a diversificação de culturas atendidas e ganhou profundidade com a criação do Departamento de Grãos (1997) e da Coperfam (2012), voltada ao público de pequenos produtores. E, por fim, atingiu um novo patamar com a criação da Fincoop (2024), fintech que oferece assessoria jurídica, financeira e de sucessão familiar, um serviço antes reservado a grandes grupos empresariais e que hoje está acessível a qualquer cooperado.

O portfólio ainda inclui a Agripetro TRR, que em 2025 distribuiu 64,7 milhões de litros de diesel a cooperados; a Tello e a Agroallianz, novas frentes criadas em 2024; e a Coopercitrus Expo, feira anual em Bebedouro, recebeu um público superior a 25 mil visitantes só na edição de 2025, movimentando mais de R$ 2 bilhões em volume de negócios. A feira tornou-se o maior evento da cooperativa e um termômetro da capacidade de conexão entre produtores e fornecedores.

Não por acaso, a base da cooperativa é formada majoritariamente por pequenos e médios produtores. A escala da cooperativa oferece a esses agricultores poder de negociação e acesso a tecnologias que dificilmente conseguiriam individualmente. “Foi necessário garantir que novas tecnologias chegassem ao cooperado de forma prática, eficiente e alinhada às diferentes realidades do campo, especialmente entre pequenos e médios produtores. Nesse processo, a proximidade do time de campo e o acompanhamento técnico foram fundamentais para gerar resultados concretos no dia a dia da produção”, Matheus Marino, Presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus”

Inovação no campo

Dentro da estrutura da Coopercitrus, o Departamento Campo Digital, criado em 2016, representa talvez uma das principais apostas da cooperativa. Em um ano em que o faturamento cresceu 42%, a instituição optou por investir também na capacidade técnica e analítica de seus profissionais e cooperados. O resultado é uma operação que combina imagens de satélite, uso de drones, georreferenciamento e algoritmos para o planejamento agrícola, traduzindo dados em decisões de plantio, manejo e colheita com precisão crescente.

Em 2022, mais de 200 profissionais do Campo Digital realizaram milhares de atendimentos em toda a área de atuação da cooperativa. A assistência técnica especializada é oferecida nas lojas, em canais digitais e diretamente no campo, por um time que inclui agrônomos, técnicos agrícolas e especialistas em tecnologia de precisão. “Diversas iniciativas implementadas pela Coopercitrus já proporcionaram ganhos concretos em produtividade, eficiência e rentabilidade para os cooperados. A cooperativa também investe na estruturação de oficinas, treinamentos e serviços especializados, ampliando a adoção dessas tecnologias no campo e contribuindo para maior eficiência operacional nas propriedades”, pontua Matheus.

Nos segmentos de máquinas e implementos, a Coopercitrus detém concessionárias das principais marcas do setor, como New Holland, JCB e Massey Ferguson, o que viabiliza a venda, o financiamento e a manutenção de equipamentos em uma única estrutura. Em irrigação, a parceria com a empresa austríaca Bauer resultou em crescimento de 20% no faturamento do segmento em 2024. E, para além dos equipamentos, a cooperativa aposta em energia fotovoltaica, complementando projetos de irrigação com geração própria de energia nas propriedades.

Futuro próximo

Cinquenta anos depois de sua fundação, a Coopercitrus enfrenta um horizonte ao mesmo tempo promissor e exigente. O agronegócio brasileiro projeta safras recordes e crescente demanda global por alimentos, enquanto as mudanças climáticas e a escassez de mão de obra qualificada no campo pressionam por respostas inovadoras. 

Para o Presidente do Conselho, o Brasil possui papel estratégico na segurança alimentar global e continuará sendo referência em produção agrícola. “A expectativa é de uma agricultura cada vez mais conectada, tecnológica e sustentável, conciliando produtividade com preservação ambiental. Trabalhamos para consolidar um modelo de desenvolvimento que une tecnologia, educação, sucessão familiar, responsabilidade ambiental e geração de oportunidades para as futuras gerações.” 

Fortalecida pela brilhante história construída, a cooperativa segue visando o que ainda está por vir com a mesma mentalidade que a fez chegar até aqui. “Pensando nos próximos 50 anos, o principal legado desta geração é fortalecer uma cooperativa cada vez mais inovadora, sustentável e preparada para continuar transformando a vida dos produtores rurais e das comunidades onde atua”, finaliza Matheus Kfouri Marino. 


Por Redação MundoCoop

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Matéria exclusiva publicada na edição 131 da Revista MundoCoop

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