A meta é ambiciosa, mas está alicerçada em números que mostram uma trajetória consistente de crescimento. Após encerrar 2025 com R$ 848,3 bilhões em ingressos (receita, no vocabulário cooperativista), o Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) trabalha para que o cooperativismo brasileiro alcance um faturamento entre R$ 900 bilhões e R$ 1 trilhão nos próximos dois a três anos.
“O principal motor dessa expansão continua sendo o ramo agropecuário, que sozinho movimentou R$ 487,3 bilhões no último ano, equivalente a 57,4% de todo o faturamento das cooperativas do País”, diz Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB.
Os dados do ano base de 2025 integram o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, lançado na sexta-feira, 31, pelo Sistema OCB, e reforçam o protagonismo das cooperativas do agro em um setor que segue ampliando sua presença na economia nacional.
Enquanto o cooperativismo brasileiro registrou crescimento de 12% nos ingressos em relação ao ano anterior (2024), alcançando R$ 848,3 bilhões, o ramo agropecuário manteve a liderança entre os oito segmentos do movimento cooperativista, consolidando-se como o principal gerador de receitas e também o maior empregador do sistema.
“Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente porque entrega resultados concretos para as pessoas”, diz Tania. Ela que é a primeira mulher a comandar o Sistema OCB e foi reconhecida este ano pela Forbes entre as Mulheres Mais Poderosas do País.
“O crescimento econômico das cooperativas demonstra que é possível conciliar competitividade, inclusão e prosperidade”, afirma a presidente executiva.
Agro amplia liderança no cooperativismo
O desempenho do ramo agropecuário ajuda a explicar a força do cooperativismo brasileiro. Das 4.400 cooperativas existentes no País, 1.254 pertencem ao segmento agropecuário, reunindo mais de 1,13 milhão de cooperados e empregando diretamente 277,2 mil pessoas.
Além dos R$ 487,3 bilhões em ingressos, o ramo agropecuário acumula R$ 340 bilhões em ativos e distribuiu R$ 29,25 bilhões em sobras aos associados ao longo de 2025.
Na comparação com o conjunto do cooperativismo nacional, a representatividade do agro chama atenção. Embora reúna cerca de 28% das cooperativas brasileiras e menos de 4% do total de cooperados, o segmento responde por praticamente seis em cada dez reais movimentados pelas cooperativas do País e concentra aproximadamente 45% de todos os empregos gerados pelo sistema cooperativista.
O contraste evidencia um perfil econômico distinto dos demais ramos. Enquanto o crédito lidera em número de cooperados e patrimônio, impulsionado pela ampla capilaridade das cooperativas financeiras, é o agro que permanece como a principal fonte de geração de receitas do cooperativismo brasileiro.
Cooperativismo agrícola com peso também nas exportações
Além da liderança em faturamento, o cooperativismo agropecuário mantém forte presença no comércio exterior. Em 2025, as cooperativas responderam por US$ 17,4 bilhões (R$ 88,4 bilhões, na cotação atual) em receitas com exportações, participação equivalente a 10,3% de todas as exportações do agronegócio brasileiro.
Ao todo, 140 cooperativas realizaram vendas internacionais, tendo China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos entre os principais destinos.
A presença das cooperativas também se destaca dentro da porteira. O segmento participa de 53% da produção nacional de grãos, concentra um quarto da capacidade brasileira de armazenagem e mantém mais de 10,7 mil profissionais dedicados à assistência técnica e extensão rural.
Esses indicadores ajudam a explicar a crescente relevância das cooperativas na organização da produção agropecuária e na competitividade do agronegócio brasileiro.
Crescimento sustentado
Os resultados apresentados pela OCB mostram que o avanço do cooperativismo não está restrito ao faturamento. Em 2025, o Brasil alcançou 29 milhões de cooperados, crescimento de 12,5% sobre o ano anterior.
O número de empregados aumentou 6,1%, chegando a 613,4 mil trabalhadores, enquanto os ativos das cooperativas atingiram R$ 1,6 trilhão, alta de 14,9%. As sobras distribuídas aos cooperados somaram R$ 61,2 bilhões.
Segundo Tania Zanella, os indicadores confirmam uma tendência observada nos últimos anos.
“O Anuário confirma uma tendência que observamos há alguns anos: o cooperativismo cresce em escala, amplia sua participação na economia e fortalece seu impacto nas comunidades. São resultados que demonstram a capacidade das cooperativas de gerar renda, emprego, crédito, produção e desenvolvimento em todas as regiões do Brasil”, afirma.
Fonte: Forbes com adaptações da MundoCoop












