A creator economy vem transformando a forma como marcas, criadores e públicos se conectam. Em um ambiente cada vez mais guiado por comunidades, autenticidade e influência digital, a comunicação deixa de ser centralizada para se tornar mais humana, participativa e descentralizada.
Em uma conversa exclusiva com a MundoCoop, a Head de Comunicação e Estratégia no Influent Summit e 30under30 da Meio & Mensagem 2025, Mayara Marley, analisa como esse movimento impacta empresas e cooperativas, e explica por que o cooperativismo possui uma conexão natural com a lógica das comunidades digitais e da criação de influência baseada em pertencimento.
Confira!
1 – A creator economy vem redefinindo a relação entre marcas, criadores e audiência. Para aqueles que não a conhecem, como podemos definir esse modelo? Na sua visão, qual é a principal mudança estrutural que ele trouxe para a comunicação corporativa nos últimos anos?
Para mim, a Creator Economy é o ponto exato onde a cultura de impacto encontra o rigor dos negócios. Trata-se de um ecossistema onde pessoas monetizam não apenas seu alcance, mas a sua capacidade de criar comunidades reais, atuando como verdadeiros canais de mídia e marcas independentes.
A principal mudança estrutural na comunicação corporativa foi a perda do monopólio da narrativa. Nas minhas passagens por grandes estruturas, sempre ficou claro que o modelo tradicional era top-down. Hoje, o jogo virou. A confiança migrou do corporativo para o humano, as marcas precisam entender que não ditam mais a cultura sozinhas; elas precisam pedir licença e se associar a criadores para participar de conversas que já estão acontecendo. A comunicação deixou de ser uma via de mão única para se tornar um diálogo plural e descentralizado.
2 – Você atua na intersecção entre estratégia, comunicação e cultura digital. Como as organizações podem estruturar estratégias de comunicação que realmente gerem valor dentro, indo além de ações pontuais com influenciadores?
Gerar valor real exige abandonar a visão transacional de usar o criador apenas como um “outdoor digital”. É preciso trazê-lo para a mesa de estratégia.
Aprendi que o verdadeiro impacto acontece quando olhamos para diversidade, inclusão e reputação. As marcas estruturam estratégias de valor quando focam na cocriação e quando possuem um propósito real, afinal, se a marca quer falar com públicos plurais, ela precisa de parceiros de longo prazo que vivam essas realidades, e não apenas fazer ações pontuais. A inclusão não pode ser a embalagem da campanha, tem que ser o pilar estratégico do negócio.

“O cooperativismo é, na sua essência, a versão original e analógica do que chamamos hoje de comunidade digital. A sinergia é perfeita.” – MAYARA MARLEY, HEAD DE COMUNICAÇÃO E ESTRATÉGIA NO INFLUENT SUMMIT E 30UNDER30 DA MEIO & MENSAGEM 2025
3 – Em um ambiente cada vez mais orientado por dados e algoritmos, como equilibrar performance e autenticidade, dois fatores essenciais para o sucesso de creators e marcas?
Esse é o desafio diário que vivo hoje como Head de Comunicação e Estratégia no Influent Summit. A resposta está em entender a função de cada um: os dados desenham o mapa, mas a autenticidade é o que faz as pessoas caminharem com você.
Se otimizarmos 100% para o algoritmo, ficamos robóticos, se ignorarmos os dados, falamos sozinhos, aprendi que o equilíbrio é usar a inteligência de dados para entender formatos, horários e jornadas, mas preencher esse espaço com narrativas culturais, vulnerabilidade e representatividade genuína.
4 – O cooperativismo tem como base a participação das pessoas e o fortalecimento de comunidades. De que forma as cooperativas podem aproveitar a lógica da creator economy e da influência digital para ampliar engajamento, reputação e conexão com seus públicos?
O cooperativismo é, na sua essência, a versão original e analógica do que chamamos hoje de comunidade digital. A sinergia é perfeita.
Para aproveitar essa lógica, as cooperativas precisam olhar para dentro e entender que seus cooperados são seus maiores influenciadores. As cooperativas podem descentralizar suas vozes e devem capacitar produtores, parceiros e colaboradores locais para que contem suas próprias histórias na internet. Essa comunicação gera uma conexão muito mais forte, porque tangibiliza o impacto social e o pertencimento que o cooperativismo prega, traduzindo isso para a linguagem dinâmica das redes sociais.
5 – Olhando para os próximos anos, quais tendências devem moldar a creator economy, especialmente em termos de novos modelos de negócio, tecnologia e relacionamento entre marcas, criadores e comunidades?
Acredito em três pontos. Ponto 1: Ecossistema da creator economy, precisamos ver o criador como ecossistema, pois a era de depender exclusivamente de adsense ou patrocínio pontual está acabando. Criadores estão desenvolvendo seus próprios produtos e serviços, virando negócios robustos e independentes.
Ponto 2: A diversidade é métrica de negócio, não dá mais para fazer comunicação sem pluralidade. Marcas e criadores que não tiverem uma estratégia sólida de inclusão perderão relevância cultural e, consequentemente, valor de mercado.
Ponto 3: A Inteligência Artificial vai democratizar a produção técnica de conteúdo, nivelando o jogo e o relacionamento mais valioso não estará nas métricas de vaidade (milhões de seguidores no topo do funil), mas em comunidades fechadas, de nicho e com altíssimo engajamento, onde o criador tem contato direto e intimidade real com sua audiência.
Por Leonardo César – Redação MundoCoop

Entrevista exclusiva publicada na edição 131 da Revista MundoCoop












