O Sistema OCB registrou que as mulheres representam 42% dos mais de 25,8 milhões de cooperados brasileiros no ano de 2024, parcela equivalente a cerca de 10,8 milhões de pessoas.
Os números apresentados no Anuário do Cooperativismo 2025 revelam um setor sustentado por uma participação feminina expressiva, tanto no quadro social quanto nas atividades operacionais e profissionais. Na força de trabalho das cooperativas, as mulheres formam maioria e ocupam 52% dos empregos, presença, entretanto, menor do que registrada nos anos anteriores.
Em diferentes regiões do país, a trajetória tem sido observada em iniciativas que, bem-sucedidas, utilizam a cooperação para gerar renda, organizar atividades produtivas e ampliar a autonomia das mulheres.
Força primária
A participação feminina está presente nos diferentes ramos do cooperativismo, com destaque para Consumo, Crédito, Saúde e Trabalho, Produção de Bens e Serviços. Em alguns estados, elas já são maioria no quadro social. No Ceará, por exemplo, as mulheres representam 59% dos cooperados.
O peso feminino também aparece na geração de empregos. No ramo Saúde, 75% dos postos de trabalho são ocupados por mulheres, enquanto, no Crédito, elas correspondem a 59% da força de trabalho.
Coop como geração de autonomia
Na Zona Leste de São Paulo, a Cooperativa Rainha da Reciclagem reúne 45 mulheres envolvidas diariamente na triagem e na comercialização de materiais recicláveis. Além de contribuir para que os resíduos retornem ao ciclo produtivo, a organização tem oferecido uma alternativa de trabalho e geração de renda para mulheres em busca de novas oportunidades de reconstruir suas trajetórias profissionais.
Entre as integrantes, 15 são atendidas pelo Centro de Acolhimento Guerreiros de Deus. Nesse contexto, o trabalho cooperativo associa autonomia financeira e prestação de serviço ambiental, o que acaba por ser relevante para toda a cidade.
No meio rural, cerca de 60 agricultoras da localidade de Canafístula, em Boqueirão do Piauí, discutem a constituição de uma cooperativa. O grupo já desenvolve atividades produtivas e busca no modelo uma forma de ampliar a comercialização, agregar valor aos produtos e fortalecer a geração de renda.
Participação e liderança
Embora as mulheres já ocupem uma parcela significativa do quadro social e dos empregos, a presença feminina na direção das cooperativas avança em ritmo um pouco mais lento.
Em 2024, elas correspondiam a 22% dos dirigentes, percentual que vem crescendo gradualmente desde 2020.
Para reduzir essa distância, o cooperativismo tem estruturado redes de formação e participação. O Comitê Nacional de Mulheres, conhecido como Elas pelo Coop, atua na capacitação de lideranças, na intercooperação e no fortalecimento dos comitês estaduais. Atualmente, 19 estados contam com estruturas voltadas à mobilização e à preparação de mulheres para os espaços de gestão.
A chegada de Tania Zanella à presidência executiva do Sistema OCB também simboliza esse avanço em níveis mais altos de representação. Para a presidente, a ampliação da liderança feminina depende da criação de condições reais para que novas dirigentes participem dos conselhos, dos processos de sucessão e das decisões que orientam o futuro das cooperativas.
Pioneirismo em Goiás
Em Goiás, a valorização da presença feminina no cooperativismo vem seguindo as iniciativas de reconhecimento institucional das mulheres no cooperativismo. O projeto de lei nº 24589/25, apresentado na Assembleia Legislativa de Goiás, foi aprovado em segunda votação pela Assembleia Legislativa no último dia 24 de junho.
A proposta foi posteriormente sancionada como Lei nº 24.451, de 10 de julho de 2026, e incluiu o Dia Estadual da Mulher Cooperativista no Calendário Cívico, Cultural e Turístico do Estado.
A celebração será realizada anualmente no dia15 de agosto, data escolhida em referência ao nascimento da professora Diva Benevides Pinho, pesquisadora e uma das principais referências nacionais no estudo e na difusão do cooperativismo.
O reconhecimento ocorre em um momento no qual o protagonismo feminino também ganha novas expressões no cooperativismo goiano. Em março, Goiânia recebeu a assembleia de constituição da Barunea, primeira cooperativa brasileira formada exclusivamente por arquitetas.
Cooperativa do ramo Trabalho, a organização tem o objetivo de atuar principalmente no mercado corporativo, em projetos realizados em parceria com outras cooperativas.
Júlia de Moraes, presidente da Barunea, também aponta o modelo como uma alternativa à competição individual e à precarização presente no mercado profissional. “Ao invés de competirmos sozinhas em um mercado saturado, unimos nossas forças. No cooperativismo, compartilhamos vivências técnicas, dividimos a carga de gestão administrativa e temos outras profissionais para colaborar em grandes projetos”, explica.
Por Redação MundoCoop












