O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os grupos cooperativos Ailos, Sicoob, Sicredi e Unicred vão trabalhar conjuntamente em um projeto para reduzir a burocracia no processo de financiamento de imóveis. As instituições financeiras assinaram um Acordo de Cooperação Técnica com o Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), que prevê a criação de uma infraestrutura digital baseada em blockchain.
A iniciativa busca agilizar o crédito imobiliário por meio da tokenização, tecnologia que permite transformar contratos e registros em representações digitais protegidas e facilitar a troca de informações entre os diferentes participantes do processo. Os primeiros testes estão previstos para março de 2027 e terão como um dos focos garantir a interoperabilidade entre os sistemas envolvidos.
O acordo também deve contribuir para a modernização dos processos relacionados ao financiamento imobiliário no país, avalia o gerente-geral de tecnologia do Banco do Brasil, Julierme de Souza. “A tokenização viabiliza a integração de processos, gera mais eficiência, segurança, rastreabilidade e valor ao mercado”, ressalta.
Registro eletrônico ganha espaço no processo
Responsável pela implantação do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI), o ONR terá papel central na integração prevista pelo projeto. A entidade reúne a infraestrutura utilizada para conectar eletronicamente os serviços de registro de imóveis e participará da construção do ambiente que permitirá o compartilhamento de informações com as instituições financeiras.
A proposta é utilizar a blockchain como uma base comum para registrar e rastrear as movimentações realizadas durante o processo. Com isso, bancos, cooperativas de crédito e serviços de registro poderão ampliar a troca digital de dados ao longo das diferentes etapas do financiamento imobiliário.
Redução de etapas
Na prática, a tokenização permitirá converter contratos de financiamento e informações relacionadas à matrícula dos imóveis em ativos digitais protegidos. A expectativa é reduzir a circulação de documentos entre instituições financeiras e registros de imóveis e tornar mais ágil o andamento das etapas posteriores à aprovação do crédito.
O projeto, no entanto, ainda está em fase de desenvolvimento. Antes da implementação, os participantes precisarão definir quais processos serão incluídos no modelo, como ocorrerá a integração entre os diferentes agentes e quais soluções tecnológicas serão utilizadas para sustentar a infraestrutura.
Previsão de início
A fase de testes prevista para março de 2027 deverá avaliar, principalmente, a interoperabilidade entre os sistemas das instituições financeiras e do registro eletrônico de imóveis. A capacidade de diferentes plataformas compartilharem informações será determinante para que a tokenização possa avançar além dos ambientes internos de cada instituição.
Até o início do piloto, Banco do Brasil, Caixa, Ailos, Sicoob, Sicredi, Unicred e ONR devem discutir as jornadas de negócio, os modelos de integração entre os agentes do ecossistema e as soluções necessárias para viabilizar a iniciativa.
Fonte: InvesTalk












