O marketing no cooperativismo está passando por uma transformação relevante. Mais do que promover produtos, serviços ou fortalecer a visibilidade institucional, as cooperativas vêm utilizando a comunicação como uma ferramenta de formação contínua. Cursos, plataformas digitais, redes sociais, eventos e conteúdos especializados passaram a ocupar um papel estratégico na construção de relacionamento, na qualificação dos cooperados e no fortalecimento da identidade cooperativista.
Essa mudança acompanha uma demanda crescente por informação de qualidade e por experiências que gerem valor ao longo de toda a jornada do associado. Em vez de uma comunicação centrada apenas na divulgação, as organizações cooperativas têm investido em iniciativas capazes de ampliar conhecimentos, desenvolver competências e fortalecer o senso de pertencimento.
Quando educar também significa comunicar
Para o Sistema OCB, a educação já deixou de ser apenas uma atividade complementar e passou a ocupar posição central na estratégia de desenvolvimento do setor. Segundo Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, a formação tem papel decisivo na construção da narrativa cooperativista.
“O Sistema OCB, nele inserido o Sescoop, exerce um papel central ao posicionar a educação como um eixo estruturante do cooperativismo brasileiro, indo além da capacitação técnica. Ao articular formação profissional, desenvolvimento humano e fortalecimento da identidade cooperativista, a entidade transforma a educação em uma poderosa estratégia de comunicação institucional”, afirma.

“As cooperativas podem potencializar o valor dos conteúdos educativos quando os conectam diretamente à realidade dos cooperados e aos desafios do negócio. Isso significa traduzir conhecimentos técnicos em experiências práticas, acessíveis e aplicáveis no dia a dia.” – DÉBORA INGRISANO, GERENTE DE DESENVOLVIMENTO DE COOPERATIVAS DO SISTEMA OCB
Ao conectar conhecimento e propósito, as cooperativas conseguem transmitir seus diferenciais de maneira mais efetiva. O resultado é uma relação mais sólida com cooperados, colaboradores e comunidades, baseada em confiança e participação ativa.
Débora destaca que os conteúdos educativos ganham ainda mais força quando dialogam diretamente com os associados. “As cooperativas podem potencializar o valor dos conteúdos educativos quando os conectam diretamente à realidade dos cooperados e aos desafios do negócio. Isso significa traduzir conhecimentos técnicos em experiências práticas, acessíveis e aplicáveis no dia a dia”, explica.
Nesse contexto, a educação passa a funcionar como um ativo de marca. Ao oferecer conhecimento relevante, as cooperativas fortalecem sua reputação, ampliam o engajamento e reforçam atributos como transparência, colaboração e compromisso com o desenvolvimento das pessoas.
Valor ao longo de toda a jornada do cooperado
No sistema financeiro cooperativo, a educação tem sido integrada de forma cada vez mais consistente à experiência dos associados. O Sicredi é um dos exemplos desse movimento, utilizando iniciativas de educação financeira e cooperativista como parte da estratégia de relacionamento.
“Entendemos o conteúdo educativo como um pilar estratégico do marketing e do relacionamento, alinhado aos Princípios do Cooperativismo, especialmente Educação, Informação e Formação e Interesse pela Comunidade. Ele fortalece o entendimento do modelo cooperativista, apoia decisões financeiras mais conscientes e contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades, atuando como um instrumento de proximidade, confiança e pertencimento ao longo da jornada do cooperado”, afirma Carla Katsurayama, Gerente de Cooperativismo e Inclusão, Diversidade e Equidade do Sicredi.
A estratégia acompanha diferentes momentos da relação entre cooperativa e associado. Desde o ingresso na instituição até a participação mais ativa na vida cooperativa, conteúdos específicos ajudam a ampliar o conhecimento sobre o modelo de negócios e sobre temas relacionados ao bem-estar financeiro.
“O Sicredi entende o conteúdo educativo como um pilar estratégico do marketing e do relacionamento. Ele fortalece o entendimento do modelo cooperativista, apoia decisões financeiras mais conscientes e contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades.” – CARLA KATSURAYAMA, GERENTE DE COOPERATIVISMO E INCLUSÃO, DIVERSIDADE E EQUIDADE DO SICREDI

Segundo Carla, essa atuação acontece alinhada a cada passo do cooperado. “As iniciativas de educação financeira e cooperativista estão integradas de forma transversal à jornada do associado, da atração à fidelização, considerando diferentes perfis, momentos de vida e níveis de engajamento”, aponta.
O uso combinado de diferentes formatos também tem contribuído para ampliar o alcance dessas ações. Vídeos, cursos online, quizzes, palestras, workshops, encontros presenciais e conteúdos voltados para públicos específicos permitem que a informação chegue de maneira mais acessível e relevante para cada perfil de cooperado. Em uma era de fragmentação das audiências, com cada público presente em um canal específico, olhar com cuidado para cada um deles é a chave para uma estratégia mais ampla.
O desafio de escalar sem perder proximidade
Se a educação se consolida como diferencial competitivo, ampliar seu alcance sem comprometer a qualidade continua sendo um dos principais desafios do setor. A diversidade de públicos, regiões e realidades exige equilíbrio entre padronização e personalização.
Para Débora Ingrisano, essa é uma das questões mais complexas para as cooperativas atualmente. “Um dos principais desafios está na diversidade do público cooperativista, que envolve diferentes ramos de cooperativas, perfis, regiões, níveis de maturidade e contextos socioeconômicos. Escalar programas de capacitação exige equilibrar padronização de conteúdos com flexibilidade para atender realidades locais.”
Além disso, a evolução das tecnologias educacionais exige atenção constante à qualidade pedagógica e à relevância dos conteúdos. A manutenção de metodologias consistentes e a escuta permanente dos cooperados são fatores essenciais para garantir resultados efetivos.
No Sicredi, a resposta para esse desafio está na combinação entre diretrizes nacionais e autonomia local. “O Sicredi equilibra escala e proximidade por meio de um modelo fisital, que combina diretrizes institucionais com autonomia das cooperativas para adaptação local”, destaca Carla.
Esse equilíbrio permite que conteúdos estruturados alcancem milhares de pessoas sem perder a conexão com as necessidades específicas de cada comunidade. A lógica reforça um dos principais diferenciais do cooperativismo: a capacidade de atuar em escala sem abrir mão da proximidade.
À medida que o setor amplia sua presença em ambientes digitais e fortalece seus ecossistemas de aprendizagem, a tendência é que a educação se torne cada vez mais um elemento estratégico de posicionamento. Mais do que informar, ela passa a gerar valor, fortalecer vínculos e demonstrar, na prática, o compromisso das cooperativas com o desenvolvimento de seus cooperados e dos territórios onde atuam.
Por Leonardo César – Redação MundoCoop

Matéria exclusiva publicada na edição 132 da Revista MundoCoop












