A inteligência artificial deixou de ser tratada apenas como ferramenta experimental e passou a influenciar decisões concretas de contratação, treinamento e organização do trabalho. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 85% dos empregadores entrevistados afirmam que pretendem priorizar a requalificação de suas equipes em resposta às transformações tecnológicas, enquanto 39% das habilidades atualmente consideradas centrais no mercado de trabalho devem ser transformadas até 2030.
Para Tiago Zanolla, especialista em educação, empregabilidade e transformação do ensino, a discussão corporativa amadureceu, o foco deixou de ser a substituição pura de pessoas e passou a girar em torno da adaptação profissional. “As empresas começam a entender que a inteligência artificial executa com velocidade, mas continua dependendo de contexto, critério e interpretação humana. O profissional que sabe fazer boas perguntas, validar respostas e tomar decisão tende a ganhar relevância.”
A nova lógica da qualificação profissional
O debate ganhou força após sucessivos anúncios de grandes empresas ampliando investimentos em inteligência artificial, ao mesmo tempo em que reorganizam estruturas internas para incorporar automação em áreas administrativas, atendimento, marketing, análise de dados e operações. O ponto de atenção para líderes empresariais deixou de ser apenas a tecnologia disponível e passou a incluir a capacidade da equipe de operar nesse novo ambiente.
Dados do Work Trend Index 2025, da Microsoft, indicam que 78% dos líderes consideram contratar para funções específicas relacionadas à inteligência artificial, enquanto 47% apontam a requalificação da força de trabalho como prioridade para os próximos 12 a 18 meses.
Na avaliação de Zanolla, esse reposicionamento afeta diretamente a educação corporativa e a formação profissional. “Muita gente ainda tenta competir com a máquina naquilo que ela faz melhor, como repetição, velocidade e processamento. O diferencial humano está na interpretação, na sensibilidade contextual e na capacidade de transformar informação em decisão útil.”
As habilidades que ganham valor com a automação
A mudança também pressionou profissionais que até pouco tempo consideravam suficiente dominar ferramentas tradicionais de produtividade. Funções administrativas, analíticas e operacionais passam por reconfiguração, exigindo leitura crítica dos resultados produzidos por sistemas automatizados.
O próprio Fórum Econômico Mundial aponta pensamento analítico como a habilidade mais valorizada globalmente, seguida por resiliência, flexibilidade, liderança e alfabetização tecnológica. A combinação sugere que empresas buscam menos operadores passivos de tecnologia e mais profissionais capazes de atuar como supervisores qualificados de processos automatizados.
Para Zanolla, esse deslocamento deve influenciar inclusive a educação formal. “Não basta ensinar alguém a usar uma plataforma. O mercado quer profissionais que saibam raciocinar com apoio da tecnologia, e não apenas apertar botões. Isso muda a formação, a empregabilidade e a forma como as pessoas constroem carreira.”
Pequenas e médias empresas também começam a incorporar soluções de inteligência artificial em vendas, atendimento e gestão, ainda que de forma menos estruturada, o risco está em adotar ferramentas sem preparar as equipes para interpretar limites, inconsistências e riscos operacionais. “Quem aprender a trabalhar ao lado da inteligência artificial tende a ampliar produtividade e relevância. Quem insistir em ignorar a mudança pode enfrentar mais dificuldade de recolocação ou crescimento profissional”, afirma Zanolla.
Fonte: UFEM Educacional com adaptações da MundoCoop












