Esse artigo está sendo escrito durante a primeira fase da Copa do Mundo. Não sei, portanto, se o Brasil já foi eliminado da competição no momento em que você está fazendo a leitura. O fato é que a maior competição de futebol do planeta concentra todas as atenções e, de alguma forma, anestesia a sociedade em relação aos desafios do dia a dia.
Terminada a Copa (ou assim que a seleção brasileira é eliminada), o “mundo real” reaparece. As pessoas lembram das dívidas, reclamam do chefe, discutem com os familiares, enfim, voltam à sua vida normal cheia de problemas – afinal de contas quem não os tem?
No Brasil, o encerramento da Copa marca também o início da campanha eleitoral. Serão menos de cem dias para os candidatos apresentarem suas propostas e os eleitores tomarem suas decisões.
O momento econômico do País é desafiador. Os juros estão extremamente elevados porque temos déficits contínuos nas contas públicas. Esse problema fiscal (o governo gasta mais do que arrecada todos os meses) tem elevado a dívida pública do Brasil, que já supera os R$ 10 trilhões. Nos últimos 12 meses, gastamos R$ 1 trilhão apenas com o pagamento dos juros da dívida.
Na tentativa de se reeleger, o atual governo vem aumentando os gastos públicos em diversas áreas, incluindo benefícios sociais. A gastança é tanta que já posso afirmar que uma bomba fiscal cairá no colo do próximo presidente seja ele quem for.
Receio que o cenário seja muito parecido com aquele de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) aumentou os gastos públicos para vencer Aécio Neves (PSDB), criando uma bomba fiscal que explodiu no colo dela mesma. Dilma até tentou contornar a situação trocando Guido Mantega por Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, mas o rombo era tão grande que Levy não conseguiu resolvê-lo. O resultado foi a alta da inflação, a disparada dos juros e a maior recessão econômica da história do Brasil no biênio 2015-2016.
Espero sinceramente que o futuro governo tenha competência para desarmar essa bomba fiscal. Independentemente de sua ideologia, o próximo presidente precisará cortar gastos dado que a arrecadação já está no limite. Se relutar em usar a tesoura logo no início de janeiro, correremos o risco de repetir o caos econômico do segundo mandato de Dilma. Cobre esse compromisso do seu candidato.
Luís Artur Nogueira é economista, jornalista e palestrante. Atualmente é comentarista do programa “Faroeste à Brasileira” no Youtube da Revista Oeste e colunista da MundoCoop

Coluna exclusiva publicada na edição 132 da Revista MundoCoop












