Participei recentemente, em Florianópolis, de um encontro sobre gestão e governança de cooperativas promovido pela Ocesc e pelo Sescoop/SC e saí de lá com uma resposta clara sobre as discussões que vi: o mundo está procurando exatamente aquilo que o cooperativismo já sabe fazer.
Ao longo do evento, temas como sustentabilidade, inovação, liderança, impacto social e futuro dominaram os debates. Especialistas trouxeram reflexões sobre os desafios que organizações de diferentes setores enfrentam hoje: como construir relações mais colaborativas, gerar desenvolvimento sustentável e criar valor para além dos resultados financeiros.
O que mais me chamou atenção foi perceber que boa parte desses conceitos, apresentados como caminhos para o futuro, já fazem parte da essência cooperativista há gerações.
Uma das provocações mais marcantes veio de Paula Harraca, escritora e executiva da área de educação, ao citar Peter Drucker: “O maior perigo em tempos turbulentos não é a turbulência. É agir com a mesma lógica de ontem”.
A frase traduz bem o momento que vivemos. A transformação deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade. Organizações precisam rever modelos, fortalecer conexões e encontrar novas formas de gerar valor. E é justamente nesse cenário que o cooperativismo tem uma grande oportunidade.
Ao falar sobre organizações preparadas para o futuro, a especialista trouxe a ideia de que é preciso deixar de buscar apenas ser “melhor do mundo” para ser “melhor para o mundo”. Um conceito que dialoga diretamente com o cooperativismo – e que está nos princípios do movimento, definidos em 1844 – ao unir autonomia econômica, decisões coletivas e fortalecimento das comunidades.
Outro ponto recorrente no encontro foi a importância da colaboração, da participação e da confiança para construir o futuro. Características que muitas organizações buscam incorporar como estratégia, mas que já estão presentes na forma como as cooperativas funcionam.
Tudo isso também me levou a pensar sobre comunicação. Se o cooperativismo gera tantos impactos positivos, por que ainda é pouco conhecido por muitas pessoas? Durante muito tempo, nossa comunicação esteve concentrada em apresentar produtos, serviços, números e resultados. Tudo isso é importante, mas existe uma dimensão ainda maior: a nossa razão de existir.
Precisamos contar histórias. Mostrar cooperados que realizaram projetos, comunidades que se desenvolveram e pessoas que encontraram oportunidades por meio da cooperação. Transformar indicadores em significado e resultados em impacto percebido.
Comunicar cooperativismo não é apenas divulgar uma organização. É ajudar mais pessoas a compreenderem um modelo que promove desenvolvimento coletivo e fortalece comunidades.
Cada colaborador, dirigente, conselheiro, cooperado ou parceiro pode ser parte dessa construção, levando adiante uma mensagem que precisa chegar a mais pessoas.
O cooperativismo tem uma história extraordinária para contar. O desafio agora é comunicar melhor essa história e mostrar à sociedade a força de um modelo que já constrói, há muito tempo, o futuro que tantos especialistas estão tentando desenhar.
*Maysse Paes Honorato é Gerente de Marketing e Qualidade da Unicred União












