O cooperativismo mundial encerrou uma semana de encontros no Panamá com uma agenda voltada à aproximação entre desenvolvimento econômico, inclusão e paz. Realizada nos dias 16 e 17 de setembro, na Cidade do Panamá, a Conferência Global da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) reuniu lideranças cooperativistas, representantes de governos e organismos internacionais sob o tema Building Bridges: Cooperative Contributions for a Peaceful World (Construindo pontes: contribuições cooperativas para um mundo de paz).
A programação ocorreu em meio às assembleias e eleições das organizações ligadas à ACI e deu continuidade às discussões impulsionadas pelo Ano Internacional das Cooperativas, celebrado em 2025.
Reeleito durante a semana para o Conselho de Administração da ACI, Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, destacou a importância dessa aproximação. “Temos experiências para compartilhar e muito a aprender com outros países. Essa troca fortalece nossa capacidade de encontrar soluções conjuntas e mostrar como as cooperativas podem contribuir para o desenvolvimento, para a inclusão e para a construção de sociedades mais prósperas”, afirmou.
Cooperação entra na agenda da paz
A Conferência tratou a paz a partir de sua relação com democracia, participação econômica, justiça social e desenvolvimento sustentável. A discussão reuniu representantes da ONU, governos e organismos internacionais para avaliar como cooperativas podem contribuir para sociedades mais inclusivas e para um sistema multilateral baseado em maior cooperação.
Um dos principais resultados apresentados foi a consolidação de 17 relatórios sobre a contribuição das cooperativas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estudo produzido pela ACI em parceria com o Comitê das Nações Unidas para a Promoção e o Avanço das Cooperativas (COPAC). O material foi desenvolvido a partir de pesquisas, revisões por pares e consultas em diferentes regiões e poderá servir como referência para políticas públicas, estratégias nacionais de desenvolvimento e legislações cooperativistas.
“Nossa ambição é simples: que as cooperativas sejam reconhecidas não como um modelo de negócio alternativo que opera à margem da sociedade, mas como um dos modelos mais comprovados, democráticos e escaláveis do mundo para alcançar um desenvolvimento inclusivo, resiliente e sustentável”, afirmou Joseph Njuguna, diretor de políticas da ACI.
Brasil compartilha experiências
A participação brasileira ganhou espaço nas atividades organizadas a partir dos pilares da Estratégia da ACI 2026–2030: Praticar, Promover e Proteger. Comunicação, liderança, participação de jovens e identidade cooperativa estiveram entre os temas discutidos.
Na seção dedicada à comunicação, Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, apresentou o SomosCoop. A iniciativa surgiu após uma pesquisa mostrar que, em 2018, apenas 29% dos brasileiros entrevistados conseguiam citar uma cooperativa. Em 2023, o índice chegou a 55%, enquanto atualmente mais de 1,7 mil cooperativas utilizam a marca SomosCoop.“Não estamos apresentando uma receita pronta. Cada país tem uma realidade, uma cultura e um movimento cooperativista diferente. O que podemos compartilhar é o processo: entender o problema, identificar aquilo que une as cooperativas, construir uma narrativa simples e criar ferramentas para que ela possa ganhar escala”, afirmou Fabíola.
A identidade também foi abordada pela perspectiva histórica. Tiago Schmidt, presidente da Sicredi Pioneira e do Grupo de Trabalho de Patrimônio Cultural Cooperativo, participou do Cooperative Identity Lab, dedicado a discutir a preservação dos valores e princípios cooperativistas diante de transformações econômicas, sociais e tecnológicas.
Novo ciclo de governança
A semana no Panamá também definiu parte da estrutura que conduzirá a ACI até 2030. Ariel Guarco foi reconduzido à presidência por aclamação, enquanto 15 diretores foram escolhidos entre 24 candidatos. Ao todo, 116 votantes representando 193 organizações de 66 países participaram da Assembleia Geral.
O Brasil manteve espaço na governança global com a reeleição de Márcio Lopes de Freitas para o Conselho de Administração da entidade. Já nesta sexta-feira (18), José Alves de Souza Neto foi reeleito presidente da ACI Américas para o mandato 2026–2030, permanecendo também na estrutura global da organização como vice-presidente regional.
“Queremos compartilhar nossa experiência, mas também queremos ouvir. Queremos aprender com outras regiões, fortalecer a intercooperação e construir novas alianças. Em um mundo cada vez mais complexo, nenhuma organização, nenhum país e nenhuma região possui todas as respostas”, afirmou José Alves.
Por Redação MundoCoop












