A gestão de riscos socioambientais nas cooperativas de crédito ganha uma nova dimensão regulatória. Publicada em 3 de setembro de 2026, a Resolução BCB nº 586 atualiza as regras do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticas (GRSAC), exigindo informações mais detalhadas e indicadores padronizados das instituições financeiras dos segmentos S1 a S4. A implementação das novas exigências segue um cronograma regulatório, com prazos diferenciados para determinadas obrigações conforme o enquadramento das instituições.
A principal mudança está na forma de apresentar os riscos. Além das informações qualitativas, o relatório passa a incorporar métricas que permitem comparar como diferentes instituições identificam e administram suas exposições.
A norma também detalha a divulgação de riscos climáticos físicos, como secas e enchentes, e de transição, associados às mudanças econômicas e regulatórias rumo a uma economia de baixo carbono. Os planos de transição, quando existentes, assim como as metas e os compromissos voluntários assumidos, também passam a seguir critérios de divulgação.
Na prática, as cooperativas precisarão demonstrar quanto de suas carteiras está exposto a esses riscos, em quais setores e regiões e quais medidas adotar para administrá-los.
O impacto na rotina das cooperativas
Uma instituição com concentração de crédito no agronegócio, por exemplo, precisará estruturar informações sobre a exposição de seus associados a eventos climáticos extremos, uso de recursos hídricos e desmatamento. No setor industrial, será necessário organizar dados específicos das contrapartes.
Cooperativas que já adotam processos contínuos de monitoramento ESG de seus associados, com informações organizadas por CNPJ, tendem a enfrentar menos retrabalho na adequação às novas exigências. Isso porque parte dos dados necessários ao relatório já integra a rotina de acompanhamento e gestão de riscos. Essa prática também dialoga com a Resolução CMN nº 4.945/2021, relativa à política de responsabilidade social, ambiental e climática.
Da obrigação regulatória à gestão de crédito
A qualidade do relatório depende da coleta contínua de informações, e não apenas da preparação para a divulgação anual. Dados organizados por setor e região, monitoramento climático e integração entre as áreas de risco e concessão de crédito tornam-se elementos centrais desse processo.
Com indicadores comparáveis, diferenças na gestão deixam de aparecer apenas nos relatos institucionais e passam a ser observadas nos números. Para o cooperativismo, a proximidade com os associados pode favorecer esse trabalho, desde que o conhecimento sobre suas atividades e cadeias produtivas seja convertido em informação estruturada.
A tendência de maior detalhamento regulatório reforça a necessidade de integrar a gestão de riscos socioambientais à rotina de análise de crédito. Mais do que atender a uma obrigação, as cooperativas têm a oportunidade de transformar dados dispersos em inteligência para antecipar riscos, identificar vulnerabilidades e aprimorar decisões financeiras.
Na prática: Como a nova regra impacta a rotina das cooperativas
- Mapeamento da carteira: identificar os setores e as regiões de atuação dos associados e dimensionar a exposição a riscos socioambientais e climáticos.
- Organização de dados: separar as informações por atividade econômica e contraparte, garantindo que estejam disponíveis para compor o Relatório GRSAC.
- Monitoramento de riscos: acompanhar a exposição a eventos climáticos extremos, uso de recursos hídricos e possíveis ocorrências relacionadas ao desmatamento entre os associados.
- Integração entre áreas: aproximar as equipes de risco e concessão de crédito para incorporar as informações socioambientais à análise das operações.
- Acompanhamento contínuo: coletar e atualizar os dados ao longo do ano, reduzindo o retrabalho na elaboração do relatório e facilitando o atendimento às exigências regulatórias.
PARA DESTAQUE TIPOGRÁFICO: O desafio operacional é transformar dados dispersos sobre associados e atividades econômicas em informações estruturadas, rastreáveis e comparáveis.
ESGreen celebra 4 anos de atuação em dados ESG e climáticos
Em outubro, a ESGreen completou quatro anos de atuação na transformação de dados ESG em inteligência para apoiar decisões, reduzir riscos e gerar oportunidades para instituições financeiras, empresas e governos. Nesse período, a empresa evoluiu de startup para uma plataforma de infraestrutura de dados ESG e climáticos, conectando sustentabilidade, gestão de risco, compliance e inteligência de mercado.
Para os próximos anos, a companhia busca se consolidar como uma das principais infraestruturas de dados ESG e climáticos da América Latina, em um cenário no qual dados, inteligência, risco climático e exigências regulatórias influenciam cada vez mais as decisões econômicas.
Sicredi passa a utilizar Central de Alertas da ESGreen para gestão de riscos ESG
A partir de outubro de 2026, o Sicredi passa a utilizar a plataforma ESGreen como canal oficial para tratar alertas de monitoramento de fornecedores e parceiros. A Central de Alertas identifica riscos diários, como pendências em certidões, processos judiciais, alterações no quadro societário e notícias negativas. Com apoio de inteligência artificial, as ocorrências são triadas, classificadas por criticidade e direcionadas às áreas responsáveis pela análise.
As empresas monitoradas podem ser notificadas pela plataforma para apresentar esclarecimentos, documentos e evidências complementares. As informações ficam registradas em um histórico único, com rastreabilidade de ponta a ponta.
Conteúdo exclusivo publicado na edição 136 da Revista MundoCoop












