Toda cooperativa de crédito possui critérios consolidados para avaliar um tomador. Renda, histórico financeiro, garantias e capacidade de pagamento fazem parte de um processo construído ao longo de décadas para reduzir riscos e apoiar decisões mais seguras.
Mas existe uma variável que ainda está ausente em muitas análises: o risco ESG. E ignorar esse fator pode gerar impactos relevantes para as instituições financeiras.
“O risco ESG existia antes. A diferença é que agora ele é mensurável.”
Não se trata apenas de acompanhar tendências ou atender a uma agenda de sustentabilidade. Empresas com infrações ambientais, passivos trabalhistas relevantes, irregularidades societárias ou exposição climática elevada representam riscos concretos para quem concede crédito. A diferença é que, hoje, esses riscos podem ser medidos, monitorados e já fazem parte das exigências regulatórias do setor.
O que os dados revelam
Com o objetivo de ampliar a visibilidade sobre esse cenário, a ESGreen lançou o primeiro Panorama ESGreen de Risco ESG. O levantamento analisa empresas das regiões Sul e Sudeste por meio do Score ESGreen, indicador construído a partir de mais de 70 bases públicas e estruturado em 12 camadas de análise por CNPJ.
Os resultados apontam Santa Catarina na liderança, com score médio de 835 pontos, seguida por Rio Grande do Sul (830) e Paraná (804). No Sudeste, os estados aparecem na seguinte ordem: Espírito Santo (796), São Paulo (772), Rio de Janeiro (769) e Minas Gerais (742).
“93 pontos separam o estado de maior e menor score ESG no Sul e Sudeste. Para uma cooperativa, essa diferença aparece na carteira”.
A diferença de 93 pontos entre o estado de maior e menor score evidencia que empresas localizadas em diferentes regiões apresentam perfis distintos de risco ESG. Para cooperativas com operações distribuídas pelo país, isso significa que a exposição da carteira pode variar significativamente conforme a concentração geográfica dos tomadores, um fator que nem sempre é capturado pelos modelos tradicionais de crédito.
Regulação amplia a importância do tema
A incorporação dos riscos sociais, ambientais e climáticos à análise de crédito deixou de ser uma escolha estratégica para se tornar uma exigência regulatória.
A Resolução CMN nº 4.945 determina que instituições financeiras considerem fatores sociais, ambientais e climáticos tanto na concessão quanto no monitoramento das operações de crédito. Já a Taxonomia Sustentável Brasileira estabelece critérios para classificar operações sustentáveis, exigindo maior rastreabilidade das informações relacionadas aos tomadores.
Com a realização da COP30 no Brasil em novembro de 2025, ocorreu o fortalecimento dessa agenda, ampliando a atenção do mercado para práticas de gestão de risco alinhadas aos princípios ESG. Para o cooperativismo financeiro, o cenário que se desenha representa uma oportunidade de evolução.
“Cooperativas que monitoram o risco ESG da carteira identificam exposições antes que virem problema.”
Instituições que já monitoram o risco ESG de suas carteiras conseguem antecipar exposições, identificar oportunidades em linhas de crédito sustentável e demonstrar conformidade regulatória de forma mais eficiente. Por outro lado, a ausência desse monitoramento pode ampliar vulnerabilidades e dificultar a adaptação às novas exigências.
Uma pergunta para refletir
As cooperativas conhecem, de fato, o risco ESG das empresas que compõem suas carteiras de crédito? Se a resposta ainda depende de análises manuais, pontuais ou de informações dispersas, talvez seja o momento de compreender o que esses dados podem revelar sobre a exposição da instituição.
O Panorama ESGreen de Risco ESG reúne indicadores, contexto regulatório e análises detalhadas sobre os riscos sociais, ambientais, climáticos e de governança presentes nas operações de crédito.
O material está disponível para download por meio do link Panorama ESGreen.
RADAR COOPERAESG
ESGreen utiliza IA para antecipar riscos climáticos
A ESGreen desenvolveu um modelo de previsão climática com inteligência artificial capaz de cruzar dados meteorológicos, localização geográfica e o Score ESGreen das empresas monitoradas. Em um dos testes, o sistema identificou com 11 dias de antecedência condições que antecederam fortes chuvas em Rosário do Sul (RS), permitindo visualizar quais empresas de uma carteira poderiam ser impactadas por eventos climáticos extremos. O cruzamento de previsões meteorológicas de alta resolução inéditas na América Latina com o Score ESGreen e a localização geográfica das empresas monitoradas na plataforma, resultou em uma visão inédita: quais empresas de uma carteira de crédito estão no caminho de um evento climático extremo com antecedência.
ESGreen participa do Web Summit Rio 2026
A ESGreen participou do Web Summit Rio 2026 com estande na área de Fintech & Financial Services, com apoio da Apex Brasil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Porto Maravalley, sua sede no Rio de Janeiro. Durante o evento, o CEO da ESGreen, Mauricio Rodrigues, participou do painel “Os Desafios de Escalar um Negócio de Tecnologia”, no estande do Cubo Itaú, em bate-papo com Laura Marchiori, da área de Investor Relations do Cubo Itaú e Danilo Santos, da Desk Manager. A presença reforça o posicionamento da ESGreen como a principal infraestrutura de dados ESG e climáticos, com atuação no mercado financeiro e seguros nos principais espaços de inovação da América Latina.
Conteúdo exclusivo publicado na edição 132 da Revista MundoCoop












