A Embrapa está trabalhando no desenvolvimento de uma inteligência artificial (IA) generativa que seja capaz de interagir com os produtores rurais e oferecer a eles informações e orientações, as mais precisas possíveis, a partir das décadas de pesquisas acumuladas pela empresa estatal.
A ideia é que a IA da Embrapa dê respostas com mais acurácia e profundidade do que as inteligências artificiais generalistas existentes hoje no mercado, explica Kleber Sampaio, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital.
O projeto atual, que começou a ser desenvolvido em outubro do ano passado, é voltado à criação de ferramentas de IA para as culturas de batata doce, mandioca, para sistemas agroflorestais e aquicultura. A ideia de selecionar apenas um pequeno grupo de culturas e práticas neste primeiro momento é dar maior precisão nas respostas e evitar “alucinações” — respostas erradas da IA.
Os pesquisadores vão utilizar como base as IAs com código aberto, como o Gemma, do Google, e o DeepSeek. “Não vamos desenvolver [a IA] do zero, não teríamos esse recurso. Vamos adaptar [a IA existente] para responder com mais precisão”, afirma Sampaio.
O plano é concluir o desenvolvimento em quatro anos, e licenciar o código para que empresas da iniciativa privada possam levar esse serviço aos produtores rurais.
Ao longo desses quatro anos, especialistas das áreas selecionadas vão reunir os materiais mais relevantes publicados pela Embrapa e comparar com as perguntas e respostas registradas na base da empresa estatal, para treinar a formulação de respostas a questões que os produtores podem fazer para a tecnologia.
Depois, os pesquisadores vão validar as respostas dadas após o treino da tecnologia e verificar, se as recomendações, por exemplo, ainda são válidas ou se são recomendadas cientificamente.
“Vamos comparar nosso sistema com a IA genérica, e ver qual se saiu melhor, se a nossa ou se a resposta padrão do Gemini. Temos a sensação que a nossa vai ser melhor, porque estamos preocupados em usar o material selecionado para fazer esse trabalho. Vamos fazer uma série de avaliações sobre a clareza [das respostas], concisão, se o sistema não alucinou, e comparar”, explica Sampaio.
Embora já existam algumas startups que oferecem serviços de chatbot para produtores, o pesquisador ressalta que a IA da Embrapa pretende se diferenciar pela precisão das respostas. “Nosso modelo tem especialistas envolvidos tanto na seleção do material como na avaliação do modelo. Esse diferencial, sabemos, não existe em nenhum modelo no Brasil nem no mundo”, diz.
O projeto envolve hoje pesquisadores de 17 diferentes unidades da Embrapa, além de 20 pesquisadores da unidade Embrapa Agricultura Digital.
A ideia é que a IA da Embrapa seja um instrumento de extensão rural e apoie o programa Ater+Digital, que já fornece aos produtores plataformas com informações de manejo e gestão. “A extensão rural sempre foi um gargalo. Como já havia essa iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Ministério da Agricultura, aproveitamos para desenvolver algo mais adequado para a extensão rural.”
Fonte: Globo Rural com adaptações da MundoCoop












