O uso de inteligência artificial avança no cooperativismo. Uma pesquisa da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) revelou que 59,7% das respondentes contrataram ou desenvolveram soluções baseadas em IA em 2025. Os exemplos são multifacetados.
No agronegócio, a Cooperativa Regional dos Produtores Rurais de Santa Rita do Sapucaí (CooperRita), em Minas Gerais, usa a tecnologia tanto para o relacionamento quanto para a gestão de seus 2,3 mil associados. Além do assistente conversacional iUai, a entidade criou o SIA, um sistema inteligente de gestão de estoque que analisa 2,9 milhões de registros diários de vendas e recalcula 18 mil posições em menos de dez minutos, otimizando desde as compras até a logística, detalha a gestora de marketing Thatiana Coelho.
Na Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel, PR), a automação mira a eficiência produtiva. Com mais de 8,2 mil associados, a cooperativa usa videomonitoramento inteligente para inspecionar a sangria de 287 mil aves ao dia, eliminando paradas na esteira. A tecnologia também alcança o manejo de 20 mil suínos ao mês, com robôs que calibram a ração e detectam doenças, além de sensores e câmeras que monitoram silos. “Isso eliminou falhas humanas e reduziu os custos em até 15%”, aponta o CIO, Rogerio Aver.
A inteligência artificial também impulsiona o setor de infraestrutura. No Rio Grande do Sul, a Cooperativa de Eletricidade Rural de Teutônia (Certel) cruza dados meteorológicos da startup MeteoIA com sua base interna para prever incidentes na rede elétrica com 48 horas de antecedência. “A assertividade atinge 82%”, destaca o vice-presidente Daniel Luis Secchi. No campo operacional, a biometria facial em tablets eliminou o cadastramento manual e acabou com as filas nas assembleias da entidade.
No setor de saúde, a Unimed do Brasil reúne e dissemina as inovações de suas 360 cooperativas por meio do Projeto Sinergia, criado em 2021. A iniciativa deu origem a seis healthtechs internas impulsionadas por inteligência artificial: a Interall (unificação de prontuários), a Prontu+ (transcrição de consultas por voz), a Biodoc (biometria para prevenção de fraudes), a Nexdom (gestão de planos) e o Yuni Digital, aplicativo usado por 90% dos 20 milhões de beneficiários da rede. A mais recente novidade é um sistema de gestão preditiva de estoques para os 176 hospitais do grupo, atualmente em testes nas Unimeds Pelotas (RS) e Tatuí (SP), diz Maurício Cerri, superintendente de tecnologia e novos negócios da entidade.
No setor financeiro, o Sicredi utiliza inteligência artificial desde 2018 com o assistente virtual Theo, modernizado em 2023 com IA generativa. Em 2025, a ferramenta realizou 6 milhões de atendimentos, registrando 89% de satisfação e gerando uma economia de R$ 110 milhões. A tecnologia também impulsionou os negócios: a aplicação de IA no CRM gerou mais de R$ 27 bilhões em operações, enquanto a análise automatizada reduziu de sete para três dias o prazo de concessão de crédito imobiliário e agrícola, afirma o CIO, Gustavo Fosse.
Já o Sicoob estruturou seu ecossistema com a plataforma SisbrIA, disponibilizada como módulo do seu ERP interno para mais de 60 mil colaboradores em 4,7 mil agências. A ferramenta atua na esteira de concessão de crédito gerando pareceres técnicos em tempo real – foram mais de 350 mil emissões em um único mês -, destaca o superintendente executivo de TI, Edson Lisboa. Para o crédito ao trabalhador, agentes de IA conduzem todo o atendimento via WhatsApp em até três minutos, enquanto uma versão do aplicativo com transações por comando de voz já está em testes.
Fonte: Valor Econômico com adaptações da MundoCoop












