As exportações brasileiras de café começaram a safra 2026/27 em ritmo superior ao registrado no início da temporada anterior. O desempenho, porém, poderia ter sido mais expressivo se as condições climáticas não tivessem prejudicado parte dos trabalhos no campo.
Segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as chuvas registradas em junho e julho dificultaram a colheita e a secagem dos grãos nos terreiros, principalmente nas áreas produtoras de café arábica de Minas Gerais e São Paulo.
Com o avanço mais lento da colheita, a quantidade de café já beneficiado e disponível para embarque ficou limitada. Esse cenário reduz, no curto prazo, a oferta de produto pronto para atender à demanda externa.
Além de interferir no andamento dos trabalhos, o excesso de umidade também trouxe impactos sobre a qualidade dos grãos. Conforme os pesquisadores do Cepea, os efeitos são percebidos especialmente nas características da bebida.
A combinação entre menor velocidade na colheita, dificuldades na secagem e problemas de qualidade pode continuar influenciando as exportações ao longo da temporada.
De acordo com o Cepea, esses fatores podem restringir o ritmo de disponibilização do café brasileiro para o mercado externo, mesmo diante de um início de safra com embarques acima dos registrados no mesmo período do ciclo anterior.
Setor do café foca no multilateralismo para driblar barreiras comerciais
Os impactos do clima sobre a produção e as exportações brasileiras fazem parte de um cenário mais amplo para a cafeicultura mundial. Mudanças climáticas, novas exigências dos consumidores e o avanço de barreiras tarifárias e fitossanitárias têm aumentado a necessidade de troca de conhecimento entre algumas das principais origens produtoras.
Brasil, Vietnã e Colômbia, três dos principais produtores mundiais de café, estiveram entre os países representados no Vitória Coffee Summit, realizado nos dias 20 e 21 de agosto, em Vitória (ES). O encontro buscou aproximar experiências de mercados que competem no comércio internacional, mas enfrentam desafios semelhantes na produção e na comercialização.
Para os especialistas reunidos no evento, diferenças entre sistemas produtivos, variedades, condições climáticas e estratégias comerciais podem ampliar o intercâmbio de soluções. “Apesar de o Brasil ser o maior produtor e exportador de café do mundo, precisamos olhar para nossos pares, para suas experiências, para fazer uma leitura mais assertiva”, afirmou um dos representantes do setor.
A discussão também alcança o comércio internacional. Na avaliação do curador técnico do evento, Marcus Magalhães, o avanço de tarifas e outras barreiras exige atenção especial quando envolve produtos agrícolas. “O melhor dos mundos é quando temos o multilateralismo presente, especialmente quando se trata de agro e quando se trata de alimentação”, afirmou.
Nesse contexto, a cooperação entre os países produtores passa a ser vista como uma forma de compartilhar tecnologias, estratégias de mercado e modelos produtivos capazes de aumentar a eficiência da cadeia e preservar a oferta mundial de café no longo prazo.
Fonte: Conexão Safra e CNN Agro com adaptações da MundoCoop












