Cooperativas de São Gabriel da Palha (ES) apoiam taekwondo, futsal e oficinas para 250 crianças em projetos sociais

Iniciativas fortalecem comunidades, impulsionam a economia local e mostram como a cooperação pode transformar territórios

Quando uma aluna de 15 anos voltou para casa falando sobre a importância de proteger uma nascente, a conversa não ficou restrita à sala de aula. Em São Roque da Terra Roxa, zona rural de São Gabriel da Palha, Thalia Souza Martins Licurgo contou aos pais que queria participar de um projeto de preservação ambiental conduzido por cooperativas. A proposta era simples e, ao mesmo tempo, ambiciosa: estudantes indicariam nascentes da região, ajudariam a sensibilizar as famílias e passariam a acompanhar a recuperação das áreas.

A experiência de Thalia resume uma transformação que vem ganhando forma. Onde as cooperativas se organizam, a comunidade passa a contar com uma rede de apoio que vai muito além da atividade econômica. O cooperativismo, nesses casos, deixa de aparecer apenas no crédito, na produção, no transporte ou nos serviços e passa a ocupar também a escola, o projeto social, a festa comunitária, a entidade filantrópica, a horta, o esporte e a nascente.

TALIA copiar

“Nossa escola tem uma nascente, mas a gente não tinha contato com ela. Quando surgiu a oportunidade de participar do Projeto Araçari, eu me interessei, porque sempre gostei de estar em contato com a natureza e vi que era um projeto importante para nós, seres humanos, e também para os animais” – THALIA MARTINS, ESTUDANTE DO 9º ANO

Em São Gabriel da Palha, o Projeto Araçari nasceu em 2024 dentro do Comitê de Intercooperação das Cooperativas de São Gabriel, formado por Cooabriel, Coopcam, Sicoob, Coopesg, Sicredi, Cresol e Coop União, cooperativa mirim formada por alunos. A iniciativa é realizada em parceria com a Escola Municipal de Educação Integral do Campo Francisco José Mattedi e envolve estudantes do 1º ao 9º ano.

O projeto reúne 11 nascentes, dez delas indicadas por alunos e uma localizada na própria escola. Três já receberam plantio, e a previsão é que, ao todo, sejam plantadas entre mil e 1,5 mil mudas nativas, como jequitibá, ipê e cedro. Os alunos que indicaram os nascedouros de água serão premiados com notebooks, mas a proposta vai muito além e alcança a formação desses estudantes. Eles devem seguir acompanhando as áreas, com visitas, registros e atividades práticas.

Para Advaldo Antônio Zottelle, da Coopcam, responsável pelo acompanhamento e execução do Araçari pelo comitê, o projeto nasceu de uma necessidade concreta da região, que é a preservação da água. “Com o Araçari, saímos um pouco do campo social e beneficente e fomos para a sustentabilidade. A seca é um grande problema da nossa região, e já enfrentamos impactos econômicos graves por causa da falta de água”, afirma.

A lembrança da estiagem aparece com força nas falas dos produtores. Em uma região marcada pelo café e pela pimenta-do-reino, preservar nascentes é sobrevivência e trabalho para o futuro das famílias. No Sítio Alves, no assentamento São Gabriel, Rozenilda Demuner, Cristiano Alves da Cruz e a filha Roberta Vitória Demuner Alves abriram a propriedade para a recuperação da nascente e ainda ajudaram a articular a preservação de outra área próxima.

O produtor Luciano Rimbinsw, do Sítio Bem-estar, também em São Roque da Terra Roxa, aceitou participar do projeto assim que foi procurado. Ele produz café e pimenta-do-reino e já viveu períodos em que a água ficou abaixo do nível necessário para molhar as lavouras. “Para nós, é uma coisa muito importante, porque já vi muita dificuldade por falta de água na região. Sem água, não somos nada. A gente precisa de água”, afirma, sempre colocando-se à disposição para ajudar nos trabalhos.

O caminho encontrado pelo Araçari ajuda a explicar a força da intercooperação. Em vez de chegar diretamente ao produtor rural pedindo autorização para intervir em uma nascente, o projeto mobilizou os estudantes. A criança ou o adolescente identifica a área, leva a conversa para dentro de casa e ajuda a aproximar a família da proposta. A nascente deixa de ser apenas um ponto no mapa e passa a ser um compromisso compartilhado. É um círculo virtuoso que se propaga pelas comunidades. 

Na avaliação da diretora da Escola Francisco José Mattedi, Thelma Chiarelli Cerri, esse tipo de iniciativa amplia o papel da educação. A escola já trabalha com ciências agropecuárias e atividades práticas ligadas à terra. Com o Araçari, os alunos colocaram as mãos na massa e passaram a participar diretamente da limpeza, do plantio, da adubação, da irrigação e do acompanhamento das nascentes.

“Ele é fundamental para a formação dos nossos alunos. Aqui na escola, não nos preocupamos apenas com as disciplinas da base escolar, mas trabalhamos o amor pela terra, o sentimento de pertencimento, o cuidado com o meio ambiente e a conscientização”, afirma Thelma.

Em São Gabriel da Palha, o comitê nasceu em 2022, depois de experiências anteriores de união entre cooperativas durante o Dia C, o Dia de Cooperar. Antes, Cooabriel, Coopcam, Sicoob e Coopesg se reuniam uma vez por ano para organizar ações pontuais. Com o tempo, perceberam que a união reduzia esforços e aumentava o alcance dos projetos. O grupo se tornou permanente, ganhou orçamento, representantes e divisão de funções, com pessoas dedicadas ao administrativo, controle financeiro, acompanhamento de obras, comunicação e gestão de recursos. 

“O objetivo da intercooperação é fortalecer, por meio da união das cooperativas, ações de interesse público e da comunidade. Antes, as cooperativas se reuniam uma vez por ano para organizar o Dia C. Depois de algumas experiências, percebemos que, juntos, dividimos esforços e ampliamos a força das ações”, explica Francisco Giovanni Caser Venturim, presidente do Conselho de Administração da Coopesg, gerente da agência do Sicoob São Gabriel e responsável pelo acompanhamento e execução de projetos do comitê.

A união faz a… esperança!

Essa união de forças também está em projetos sociais como o Corrente da Esperança, no bairro João Colombi, e o Projeto Andaluz, no bairro Aimorés. O primeiro atende 150 crianças, adolescentes e jovens de 6 a 19 anos, com oficinas de taekwondo, futsal, artesanato, dança, capoeira, informática e violão. Segundo a coordenadora Ilza Gonçalves Terra, o apoio das cooperativas permitiu que os alunos deixassem de apenas treinar e passassem a participar de competições.

“Com a ajuda das cooperativas, tem sido possível que os assistidos participem de atividades além da sede do projeto, como competições de taekwondo e futsal. Até então, os meninos treinavam, mas não participavam por causa dos custos com transporte, inscrição e alimentação”, afirma Ilza.

O Projeto Andaluz também é encabeçado pelo Comitê de Intercooperação das Cooperativas de São Gabriel e atende cerca de 100 pessoas entre crianças, jovens e adultos. O apoio começou em 2023 e somou cerca de R$ 120 mil naquele ano. Os recursos permitiram ampliar a sede em quase 100 metros quadrados, construir novas salas e banheiros, renovar a estrutura física e adquirir equipamentos como computadores e sistemas de som. O projeto oferece oficinas de taekwondo, violão, capoeira, bordado, informática, dança e empreendedorismo.

A coordenadora Regilayra Kristyne de Souza Teixeira afirma que o apoio das cooperativas garante tanto a estrutura quanto o funcionamento diário das atividades. “A ajuda do comitê transforma a intenção pedagógica em realidade estruturada, garantindo que os jovens tenham um ambiente digno e completo para o seu desenvolvimento”, diz.

Entre os alunos está Keuller Yardley, de 14 anos, que frequenta o projeto desde 2023 com duas irmãs. No taekwondo, foi campeão dos Jogos Escolares estaduais em Guarapari e disputou a etapa nacional em Uberlândia, chegando às quartas de final. Para a mãe, Leidiani Roberto Pedro, o projeto representa cuidado, disciplina e oportunidade.

“Agradeço a Deus por ter esse projeto aqui no bairro. Meus filhos têm idades diferentes e aprendem na escola, aprendem comigo e aprendem com os professores do projeto. Lá existe disciplina, eles são corrigidos com carinho e acompanhados o tempo todo. Os professores plantam uma sementinha na cabeça deles, e meus filhos vão regando. Tenho uma gratidão imensa pelas oportunidades que meu filho vem tendo no projeto”.

Em Santa Maria de Jetibá, a educação também aparece como eixo de intercooperação. O Comitê Coop Santa Maria de Jetibá reúne Sicoob, Sicredi, Nater Coop, Cresol, Escola Cooperação, Cooper Fruit, CoopetranSerrana e Caf Serrana. O movimento começou com ações isoladas, especialmente ligadas ao Dia Internacional do Cooperativismo, mas avançou para uma organização mais estruturada.

“Cada cooperativa desenvolvia suas atividades de forma isolada. O movimento do Dia C ajudou nesse agrupamento, mas ainda sentíamos a necessidade de uma organização maior para gerar impacto positivo. Além das ações sociais e ambientais, temos a ambição de tornar o comitê relevante a ponto de apresentar os interesses comuns das cooperativas da cidade ao poder público e nos tornarmos uma referência do movimento”, afirma Wayne Gardner Pellacani, gerente de Pessoas e Comunicação na Nater Coop e membro do comitê.

No fim de abril, o grupo entregou ofício à Câmara Municipal propondo a criação da Comissão do Cooperativismo. A intenção é abrir um espaço permanente de diálogo entre cooperativas, Legislativo e sociedade. Para Wayne, a medida busca transformar uma presença que já existe na prática em atuação institucionalizada.

“Na prática, o objetivo dessa ação é institucionalizar o cooperativismo na agenda do Legislativo municipal. A criação da Comissão do Cooperativismo permite estruturar um espaço permanente de diálogo entre cooperativas, Câmara e sociedade, para que possamos tratar de pautas relevantes de forma contínua, organizada e com mais profundidade”, explica.

O comitê também realizou o 1º Arraiá do Cooperativismo, no espaço Celebrar, reunindo cerca de 900 pessoas. O evento aberto ao público arrecadou recursos destinados ao apoio da Cooperativa Educacional Centro Serrana, mantenedora da Escola Cooperação. Fundada em 1993, a instituição retornou, em 2024, ao modelo original de cooperativa de pais. Hoje, atende cerca de 260 alunos, de quatro a 15 anos, e reinveste os recursos na qualidade pedagógica e na infraestrutura.

Sementes e frutos

A metáfora da semente também atravessa os projetos educacionais desenvolvidos por cooperativas em outros municípios. No Espírito Santo, o Programa de Cooperativas Escolares do Sicredi começou em agosto de 2023 e reúne cinco cooperativas escolares em funcionamento, com cerca de 180 estudantes associados em Aracruz, Linhares e São Mateus. Os alunos participam de atividades no contraturno, criam estatuto, elegem representantes, formam conselhos e aprendem, na prática, conceitos como voto, liderança, responsabilidade social, trabalho em equipe e gestão democrática.

“A gente acredita que por meio dos projetos nas escolas, é possível mudar uma realidade a longo prazo. A forma que temos de investir os recursos que as pessoas colocam na cooperativa, dentro da região onde estão inseridos, é com projetos sociais voltados para educação. Esse é o objetivo: devolver o dinheiro para a comunidade através de projetos sociais, pensando no futuro, desenvolver o jovem de hoje para ele impactar no amanhã”, Isaque Radunz Devantier, gerente de Desenvolvimento de Negócios do Norte do Espírito Santo.

Em Aracruz, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Cruz, localizada no litoral do município, participa da iniciativa há três anos. Para a diretora da unidade, Lucinéia de Fátima Bressamini Polonini, os efeitos aparecem no comportamento dos estudantes. “É um projeto que estimula bastante a comunicação, o relacionamento pessoal e o trabalho em equipe. É perceptível a mudança nos estudantes que participam. Temos alunos que não abriam a boca para falar e hoje sabem fazer um discurso e se apresentar para o grupo”, relata.

O Sicredi também se prepara para implantar no estado o projeto Finanças na Mochila, voltado a crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, de seis a 11 anos. Inicialmente, a ação será implantada em Linhares e depois levada a outros municípios. A proposta é formar professores para trabalhar educação financeira de forma prática e transversal no cotidiano escolar.

“Mais do que ensinar sobre dinheiro, o objetivo é desenvolver atitudes, valores e comportamentos que promovam autonomia, responsabilidade e cidadania, preparando os estudantes para lidar com desafios reais ao longo da vida”, afirma Denilton Cunha, assessor pedagógico da cooperativa Sicredi Interessados.

No Sicoob, o Programa Financinhas nas Escolas também leva educação financeira à educação básica. Desenvolvido pelo Instituto Sicoob desde 2021, o programa oferece formação e acompanhamento a professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental, além de livros, guias pedagógicos, cartilhas para as famílias, cadernos de atividades, cadernos de colorir e cofrinhos.

Na área do Sicoob Conexão, com sede em Linhares, o programa alcançou, em 2025, 27 municípios, 159 escolas, mais de 23 mil alunos e mais de mil educadores. Para 2026, a expectativa é chegar a mais de 47 mil alunos e mais de dois mil educadores. Em pesquisa feita com 232 educadores participantes, 82% perceberam alto ou muito alto engajamento dos alunos, 76% observaram mudanças consideráveis ou muito significativas nas atitudes das crianças e 96% afirmaram que o programa influenciou sua prática pedagógica.

Para Dayana Silveira Novaes, especialista operacional responsável pela supervisão da área de Responsabilidade Social do Sicoob Conexão, o tema é urgente. “A educação financeira é uma questão gritante. Os dados de endividamento e inadimplência das famílias no Brasil mostram isso. A BNCC prevê que o tema seja trabalhado de forma transversal, mas, na prática, isso nem sempre acontece. O programa traz materiais, metodologia e formação para que os professores consigam trabalhar a educação financeira dentro da sala de aula”, afirma.

Real? Não! Inesitos!!!

“O salgadinho custa dois inesitos!”. A frase tornou-se totalmente viável em Jacupemba, distrito de Aracruz, após professores da EMEF Professora Maria Inês Della Valentina terem encontrado uma forma própria de levar o conteúdo para a rotina dos alunos. A escola criou, em 2025, uma moeda chamada Inesitos, nome escolhido com a participação das crianças e inspirado no nome da unidade escolar. A moeda circulou pelas salas de aula e foi usada para simular compra e venda de mercadorias durante a festa cultural.

“Essa metodologia ajuda a formar cidadãos mais conscientes sobre educação financeira. As crianças aprendem a economizar energia, a compreender o valor das coisas e a perceber que, ao juntar dinheiro, conseguem comprar algo de que realmente precisam”, afirma a professora Adriana Moreira Salles.

No Cemeif Agenor Bazoni, no Córrego Rodrigues, interior de Sooretama, o projeto começou em 2025 com 74 alunos. A escola montou um mercadinho para que as crianças trabalhassem leitura, matemática, cálculo e troco. Em outra atividade, os alunos foram incentivados a guardar dinheiro para um momento de açaí com toda a escola.

“A experiência foi muito significativa. Os alunos praticaram leitura, vivenciaram situações com as quatro operações matemáticas e aprenderam, na prática, a calcular e dar troco”, conta Ana Paula Maia da Silva Bazzoni.

Se em Santa Maria de Jetibá a festa ajudou a fortalecer uma escola cooperativa, na região de atuação da Coocafé os eventos também funcionam como fonte de receita para entidades sociais. Desde 2012, ainda nas primeiras edições da Coocafest, a cooperativa cede barracas para instituições filantrópicas da região. Elas assumem a operação dos espaços de alimentação e ficam com 100% do lucro.

Em 2025, cinco instituições participantes arrecadaram, juntas, R$ 55 mil, valor integralmente revertido para seus caixas. Considerando o público atendido por essas entidades, cerca de 2,5 mil pessoas foram impactadas. Algumas instituições usam os recursos para reformas e ampliações; outras, para novos serviços, eventos, viagens, atendimentos e demandas complementares.

“Um dos princípios do cooperativismo é justamente o interesse pela comunidade. Sabemos que as instituições sociais cumprem um papel importantíssimo e que é dever de todos contribuir para o fortalecimento desses trabalhos. Por isso, na Coocafest, fazemos questão de ir além da realização de um evento”, afirma Fernando Cerqueira, presidente do Conselho de Administração da Coocafé.

Vitória da união

Entre as entidades beneficiadas está a Associação Promotora do Bem (Probem), de Lajinha, em Minas Gerais. Criada em 2016, a instituição tem três unidades, duas em Lajinha e uma em Iúna, no Espírito Santo, e oferece mais de 1.600 atendimentos semanais em nove projetos, voltados a crianças, adolescentes, adultos e idosos. As atividades incluem vôlei, basquete, tênis, jiu-jitsu, handebol, luta livre, xadrez, ginástica funcional, dança, música, artesanato, rodas de memória e cursos técnicos.

Segundo o presidente da Probem, Welinton Kaiser, a Coocafé é parceira desde antes de a entidade ter CNPJ. Com recursos obtidos na Coocafest, a associação conseguiu abrir núcleos no interior, em Córrego da Prata, em 2023, e em Laranja da Terra, interior de Iúna, em 2024, além de comprar tatames e instrumentos musicais.

“O evento nos ajuda muito. Todos os anos contamos com a Coocafest para dar continuidade ao nosso trabalho social. O projeto da Coocafé, ao abrir esse espaço, é essencial para a Probem, porque não temos recursos públicos fixos e recorrentes”, afirma.

A Apae de Ibatiba também participa da Coocafest há mais de cinco anos. Fundada em 2022, a instituição atende desde bebês até idosos, com ações de saúde, assistência e educação, e tem 163 inscritos. Para a gerente-geral Maria Aparecida Andrade Rodrigues, um dos principais diferenciais é a liberdade de uso dos recursos arrecadados.

“O evento da Coocafé é muito importante porque não vemos muitos eventos abrindo as portas para as instituições. Além da visibilidade, o recurso ajuda muito. Nas instituições filantrópicas, muitas verbas são carimbadas, destinadas a uma finalidade específica. Já os recursos arrecadados em eventos são mais livres e podem ser usados para complementar demandas da instituição”, explica.

Tanta união de esforços mostra, na prática, que o poder do cooperativismo está menos no discurso e mais na presença cotidiana. Em um município, cooperativas ajudam alunos a aprender sobre voto e liderança. Em outro, levam educação financeira para crianças que simulam compras, calculam troco e guardam moedas para uma confraternização. Em uma festa, cedem barracas para entidades sociais levantarem recursos. Em bairros vulneráveis, bancam transporte, inscrição, uniformes, oficinas e estrutura. No campo, ajudam estudantes e famílias a proteger nascentes.

Essa rede não substitui políticas públicas nem resolve sozinha os desafios dos territórios. Mas cria pontes, antecipa soluções, organiza recursos e aproxima quem tem estrutura de quem precisa de apoio. Quando atua de forma isolada, uma cooperativa pode fazer uma boa ação. Mas quando se organiza em rede, transforma territórios.

Para Thalia, a estudante que decidiu cuidar da água, o sentido dessa união está justamente nessa mudança de percepção. “Cuidar das nascentes está sendo prazeroso, porque sei que estou fazendo o bem para todos. Traz uma sensação diferente de deixar algo para o futuro”.


Fonte: Conexão Safra com adaptações da MundoCoop

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