A multiplicidade de canais e a mudança no comportamento de consumo de informação estão redefinindo a forma como as cooperativas se posicionam no mercado. Em um ambiente marcado pela dispersão da atenção e pelo excesso de estímulos, estar presente em diferentes plataformas deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico. O desafio agora é transformar essa presença em relevância, conectando estratégia, dados e experiência.

A fragmentação da mídia alterou profundamente a lógica da comunicação. Se antes poucos canais concentravam a audiência, hoje qualquer organização pode se tornar produtora de conteúdo e disputar espaço diretamente com o público.
“Os criadores de conteúdo já entenderam que precisam virar marcas. Mas ainda faltam muitas marcas que precisam entender a necessidade de virar criadoras. É um caminho sem volta e uma grande oportunidade. A comunicação dos anos 80 e 90, onde a hegemonia de meia dúzia de veículos de comunicação era evidente, hoje migrou para uma realidade onde todo CNPJ tem a capacidade de se tornar o próprio veículo de comunicação. Quem levar a sério essa máxima tem a capacidade de se destacar nesse mar de novas plataformas e sair na frente na concorrência enorme que essa realidade criou.” afirma Phelipe Siani, Fundador e CEO da PHS Holding e âncora da CNN Brasil.
Nesse cenário, compreender o papel de cada canal se torna essencial. Estratégias digitais permitem segmentação e precisão, enquanto meios tradicionais seguem relevantes na construção de marca. A integração entre essas frentes é o que sustenta uma comunicação mais eficiente e consistente ao longo do tempo.
Conhecimento do cliente como ponto de partida
Diante de um cenário mais competitivo, o entendimento profundo do público deixa de ser uma etapa inicial e passa a orientar toda a tomada de decisão. O comportamento, as preferências e as dores dos consumidores se tornam insumos estratégicos. No cooperativismo, onde a proximidade sempre desempenhou um papel primordial, esse movimento buscou um olhar atento do setor, que busca ficar alinhado com as tendências que permeiam o mercado.

“Ao mesmo tempo em que buscamos o aperfeiçoamento e a modernização dos nossos processos, dos nossos produtos, nos mantemos atentos ao público que está nas redes sociais. É preciso observar, ouvir, compreender a dinâmica e as necessidades que ele traz. Fazemos isso com as nossas equipes especializadas, que planejam essa comunicação com a identidade da Cresol, mantendo a essência de simplicidade e do bom relacionamento e levando para esses canais conteúdos que sejam relevantes.” explica Adriano Michelon, vice-presidente da Cresol Confederação.
A análise de dados e a escuta ativa permitem identificar padrões, antecipar movimentos e compreender com mais profundidade as reais demandas dos públicos. Ao transformar informações em insights estratégicos, organizações ganham mais clareza para direcionar suas ações, otimizar recursos e tomar decisões com maior precisão.
Mais do que atingir o público de forma ampla, o desafio está em estabelecer conexões genuínas, que considerem contextos, comportamentos e expectativas específicas. Nesse cenário, comunicar deixa de ser apenas transmitir mensagens e passa a ser um exercício contínuo de diálogo, no qual a coerência entre discurso e prática se torna essencial para fortalecer vínculos, gerar confiança e construir relações sustentáveis no longo prazo.
Experiência como diferencial competitivo
Se conhecer o cliente é essencial, transformar esse conhecimento em experiência é o que garante vantagem competitiva. Em mercados saturados, onde produtos e serviços são semelhantes, a percepção de valor está diretamente ligada à jornada oferecida.
“A mudança mais significativa está na valorização da experiência como fator decisivo num mercado extremamente competitivo. Quando você entrega uma experiência ruim, perde o cliente com muita facilidade, porque há várias empresas oferecendo soluções semelhantes.” destaca Marina Vaz, Fundadora e CEO da Scooto.
Essa lógica exige decisões orientadas por dados, mas também por sensibilidade. A experiência não se limita ao atendimento, mas envolve toda a jornada, desde o primeiro contato até o pós-venda. “A experiência do cliente é moldada por dados e comportamentos. Empresas que realmente querem se adaptar precisam estudar o comportamento dos seus clientes: o que sentem, o que os frustra, como acessam o serviço, o que valorizam.” completa.
No cooperativismo, esse movimento ganha uma camada adicional de complexidade e responsabilidade. À medida que a digitalização avança e amplia as possibilidades de interação, eficiência e escala, surge também a necessidade de preservar aquilo que sustenta o modelo cooperativista: a proximidade, a confiança e o relacionamento direto com os cooperados.

“Para nós, o essencial é estarmos próximos e acessíveis aos nossos cooperados. Um desafio grande é digitalizar sem desumanizar. Porque a comunicação é o que nos conecta com as pessoas, e o cooperativismo busca essa conexão verdadeira, essa construção em conjunto que se faz por meio do contato, do olho no olho. Então, o desafio é equilibrar esses dois mundos.” afirma Michelon.
Entre dados, tecnologia e conexão humana
A consolidação das estratégias multitelas reforça que presença, por si só, não garante resultados. O diferencial está na capacidade de integrar canais, interpretar informações e oferecer jornadas consistentes. Ao mesmo tempo, tecnologias como a inteligência artificial ampliam as possibilidades, desde que utilizadas de forma estratégica.
“A IA já mudou o jeito que a gente pensa os negócios como um todo, inclusive a produção de conteúdo. Quem aprende a usar a utilizá-la como aliada vai virar um profissional muito mais completo e necessário para as corporações. Quem lutar contra ela, tem grandes chances de ficar pra trás”, finaliza Siani.
Para as cooperativas, o caminho passa por equilibrar inovação e proximidade. Em um ambiente marcado por múltiplas telas e escolhas abundantes, a combinação entre inteligência de dados e conexão genuína tende a definir quais organizações conseguirão se destacar de forma sustentável.
Por Leonardo César – Redação MundoCoop

Matéria exclusiva publicada na edição 130 da Revista MundoCoop












