As três características que transformam vendedores. E também cooperativas – – Luis Cláudio Silva é Sócio-Fundador da MundoCoop

Depois de mais de 40 anos trabalhando com vendas, comunicação e relacionamento, cheguei a uma conclusão que parece simples, mas levou décadas para amadurecer.

Grandes vendedores não nascem prontos. Eles são construídos sobre três pilares: ambição, técnica e resiliência.

Curiosamente, quanto mais observo o cooperativismo brasileiro, mais percebo que essas mesmas características também definem as cooperativas que conseguem atravessar gerações, crescer de forma consistente e permanecer relevantes.

A primeira delas é a ambição.

Existe uma falsa ideia de que ambição é sinônimo de egoísmo. Não é. Ambição é a vontade de ir além. É o inconformismo saudável. É acordar todos os dias acreditando que ainda há espaço para melhorar, inovar e servir mais pessoas.

Nas vendas, isso significa buscar novos clientes, novos mercados e novos desafios.

No cooperativismo, significa ampliar o impacto. Significa chegar a comunidades onde ninguém chegou, desenvolver novos produtos, fortalecer os cooperados e mostrar à sociedade que existe uma forma diferente — e melhor — de fazer negócios.

Cooperativas sem ambição sobrevivem. Cooperativas ambiciosas transformam realidades.

O segundo pilar é a técnica.

Ninguém se torna excelente apenas pela vontade. A vontade abre a porta; o conhecimento mantém essa porta aberta.

O mercado muda diariamente. Novas tecnologias surgem, consumidores mudam de comportamento, concorrentes evoluem.

Quem deixa de aprender, inevitavelmente fica para trás.

No cooperativismo não é diferente.

Governança, inovação, comunicação, gestão de pessoas, inteligência artificial, experiência do cooperado, sustentabilidade… tudo exige atualização constante.

A essência cooperativista permanece a mesma. A forma de colocá-la em prática precisa evoluir todos os dias.

Mas existe uma característica que, para mim, supera todas as outras.

resiliência.

Durante muito tempo achei que um grande vendedor era aquele que acumulava “sins”.

Hoje penso exatamente o contrário.

Os melhores vendedores são aqueles que aprenderam a interpretar os “nãos”.

Cada negativa carrega uma oportunidade de aprendizado.

Talvez o momento não fosse o certo.

Talvez a abordagem pudesse ser diferente.

Talvez fosse preciso ouvir mais e falar menos.

Ou talvez aquele cliente simplesmente não fosse o cliente certo.

O “não” não encerra uma história. Apenas indica que existe um caminho melhor a ser encontrado.

As cooperativas também convivem diariamente com seus “nãos”.

Projetos que não prosperam.

Mercados que não respondem.

Mudanças regulatórias.

Crises econômicas.

Oscilações do agronegócio.

Transformações tecnológicas.

O que diferencia uma cooperativa comum de uma cooperativa extraordinária não é a ausência de dificuldades.

É a capacidade de aprender com elas.

O cooperativismo brasileiro chegou até aqui justamente porque soube fazer isso ao longo de sua história.

Transformou crises em oportunidades.

Concorrência em inovação.

Desafios em crescimento.

Talvez seja esse o maior ensinamento que as vendas me deram depois de quatro décadas.

Vender nunca foi apenas convencer alguém.

Assim como cooperar nunca foi apenas unir pessoas.

Em ambos os casos, trata-se de construir confiança, cultivar relacionamentos e acreditar que sempre existe um próximo passo.

Por isso, se hoje alguém me perguntasse qual é a fórmula para formar grandes vendedores — ou grandes cooperativas — eu responderia sem hesitar:

Tenha ambição para sonhar mais alto. Técnica para fazer melhor. E resiliência para transformar cada “não” na preparação para um futuro “sim”.

Porque o sucesso raramente pertence aos que nunca caem.

Ele costuma sorrir para aqueles que nunca deixam de se levantar.


*Luis Cláudio Silva é Sócio-Fundador da MundoCoop


Redação

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Informação e inspiração para o cooperativismo.

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