Cooperativismo brasileiro amplia destaque global na World Credit Union Conference 2026

As transformações tecnológicas, regulatórias e sociais que avançam no sistema financeiro cooperativo colocaram a capacidade de adaptação do setor no centro da Conferência Mundial das Cooperativas de Crédito de 2026 (WCUC 2026). O evento realizado entre os dias 19 e 22 de julho, em Sydney, na Austrália, reuniu mais de 2 mil profissionais de cooperativas de crédito e instituições financeiras cooperativas de 39 países.

O encontro promovido pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU) e pela Customer Owned Banking Association (COBA) discutiu como o setor pode acompanhar as novas demandas dos cooperados e responder a um ambiente internacional cada vez mais complexo sem perder a confiança e a identidade do modelo cooperativo.

Regulação, cibersegurança, concorrência, mudanças demográficas e novas expectativas dos usuários apareceram entre as pressões compartilhadas por instituições de diferentes regiões. Para o presidente e CEO da WOCCU, Paul Treinen, a resposta passa pela combinação entre modernização e propósito. “Não precisamos escolher entre inovação e identidade, ou entre tecnologia e confiança”, afirmou.

Desafios da inovação

As discussões mostraram que as mudanças no mercado financeiro não envolvem apenas a adoção de novas ferramentas, mas também a preparação das cooperativas para seus impactos regulatórios e no relacionamento com os cooperados.Parte do evento tratou sobre o processo de digitalização do mercado financeiro e como novas tecnologias como stablecoins, depósitos tokenizados e moedas digitais podem alterar a dinâmica de pagamentos e do relacionamento com os cooperados.

A tecnologia também apareceu associada à necessidade de proteção de dados e reforço na segurança das operações para preservar a confiança dos usuários.

Intercooperação internacional

As mudanças geopolíticas também ocuparam espaço na programação do evento com discussões sobre sanções, restrições comerciais e ameaças cibernéticas. Os debates indicaram que as instituições cooperativas precisam manter o fortalecimento do planejamento de riscos e preservar a capacidade de realizar operações entre diferentes países.

A experiência brasileira integrou o painel How Geopolitics Are Affecting Credit Unions (“Como a geopolítica está afetando as cooperativas de crédito”, em tradução livre), que reuniu representantes do Canadá, Estados Unidos e Austrália.

Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, apresentou como o ambiente regulatório construído no país contribuiu para o crescimento e a resiliência do cooperativismo de crédito diante das transformações econômicas e tecnológicas. Segundo Fabíola, o diálogo entre o setor, o Banco Central e o Congresso Nacional permitiu combinar inovação, segurança institucional e inclusão financeira.

Ela também destacou que a proximidade com os cooperados ajuda as instituições a compreender os impactos das mudanças econômicas sobre famílias, pequenos empreendedores e produtores rurais.

Essa necessidade cresce à medida que os cooperados passam a estudar, trabalhar, empreender ou manter relações familiares além das fronteiras nacionais.

Além do debate relacionado às operações internacionais, a inclusão financeira também orientou discussões sobre o atendimento a imigrantes, refugiados, trabalhadores autônomos e pessoas que ainda encontram dificuldades para acessar o sistema financeiro. 

Para aprofundar o debate sobre a democratização do acesso aos serviços financeiros, o evento apresentou experiências de diferentes países que mostraram o uso de formas alternativas de identificação, produtos adaptados às realidades locais e parcerias capazes de oferecer apoio financeiro e social.

Lideranças brasileiras

Os assuntos discutidos em Sydney também apareceram em iniciativas desenvolvidas no Brasil. Dois jovens ligados aos Comitês Jovens do Sicredi foram reconhecidos pelo World Young Credit Union Professionals (WYCUP), programa da WOCCU dedicado à formação e à conexão de novas lideranças do cooperativismo financeiro.

Daniel Andrade Rodrigues de Souza, da Sicredi Vale do Piquiri ABCD PR/SP, foi selecionado pelo projeto Jovens no Trabalho. A iniciativa prepara estudantes do Ensino Médio para o ingresso no mercado profissional por meio de atividades sobre elaboração de currículos, uso do LinkedIn e participação em entrevistas.

Washington Ferreira Nascimento Filho, da Sicredi Sudoeste MT/PA, recebeu o reconhecimento pelo Projeto UNAÍ, desenvolvido em Abaetetuba, no Pará. A proposta busca transformar caroços de açaí, frequentemente descartados como resíduos, em biopainéis para a construção civil e outros produtos sustentáveis.


Por Redação MundoCoop com informações da WOCCU

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