Celebrado neste sábado (4), o Dia Internacional das Cooperativas, também conhecido como CoopsDay, coloca o cooperativismo no centro de uma discussão que ultrapassa a agenda institucional do setor. Em 2026, a data tem como tema “Cooperativas por um Mundo Pacífico” e reforça a contribuição do modelo para a inclusão econômica, a participação democrática e o fortalecimento das comunidades.
Comemorada pelo movimento cooperativista desde 1923 e reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995, a data é celebrada anualmente no primeiro sábado de julho. Mais do que marcar a trajetória histórica do cooperativismo, o CoopsDay busca ampliar a visibilidade de um modelo econômico e social baseado na cooperação, na gestão democrática e no desenvolvimento coletivo.
A escolha do tema ocorre em um cenário global marcado por conflitos, desigualdades, insegurança econômica e queda da confiança nas instituições. Nesse contexto, a paz deixa de ser compreendida apenas como ausência de violência e passa a ser associada à capacidade de construir vínculos sociais, garantir oportunidades e criar condições para que diferentes grupos participem das decisões que afetam suas próprias realidades.
Paz se constrói com inclusão
Em mensagem divulgada para a data, Ariel Guarco, presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), destacou que o mundo enfrenta mais de 50 conflitos armados de alta intensidade e mais de 120 conflitos armados no total, ao mesmo tempo em que os gastos militares globais chegaram a US$ 2,89 trilhões. O dirigente também chamou atenção para o fato de que mais de 830 milhões de pessoas ainda vivem em extrema pobreza, com menos de US$ 2,15 por dia.
Para a ACI, esses dados ajudam a explicar a relevância do tema escolhido para 2026. Ao reunir trabalhadores, produtores, consumidores, poupadores e comunidades em torno de objetivos comuns, as cooperativas oferecem uma forma de organização econômica baseada na responsabilidade coletiva, na adesão voluntária e na gestão democrática. Assim, contribuem para reduzir distâncias sociais e fortalecer redes locais de proteção, renda e desenvolvimento.
Esse papel ganha importância em um momento de transformações aceleradas nas formas de produzir, consumir e se relacionar. A digitalização, a automação e a robotização ampliam incertezas sobre trabalho, renda e acesso a oportunidades. Sob esse contexto, o cooperativismo se apresenta como um instrumento para manter parte dessas mudanças sob controle comunitário, com decisões orientadas não apenas por ganhos individuais, mas também por interesses coletivos.
Movimento em escala global
A dimensão do cooperativismo ajuda a explicar por que o modelo ocupa espaço no debate sobre desenvolvimento, inclusão e paz social. Segundo a ACI, mais de 12% da população mundial participa de alguma das 3 milhões de cooperativas existentes no planeta. O movimento também gera trabalho ou oportunidades profissionais para 280 milhões de pessoas, número equivalente a cerca de 10% da população empregada global.
No Brasil, essa presença se reflete na capilaridade do setor. De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, o país reúne 4.384 cooperativas registradas e ativas, com 25,8 milhões de cooperados e 578 mil empregos diretos. As cooperativas estão presentes em 3.586 municípios, o que representa mais de 64% do território nacional.
A atuação nos territórios amplia o papel do cooperativismo em áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico e social. Da agropecuária ao crédito, da saúde ao transporte, do consumo à infraestrutura, as cooperativas aproximam serviços, ampliam o acesso a mercados, fortalecem pequenos negócios e contribuem para manter recursos circulando nas comunidades onde estão inseridas.
Sob este contexto, o CoopsDay 2026 reforça a atualidade de um modelo que combina desempenho econômico, participação coletiva e compromisso social. Em um mundo pressionado por conflitos e desigualdades, o cooperativismo mostra que a construção da paz também depende da capacidade de organizar pessoas, gerar oportunidades e transformar cooperação em desenvolvimento compartilhado.
Por Redação MundoCoop












