Cooperativismo sergipano cresce com 27 mil cooperados e aposta em gestão e formação de lideranças

O cooperativismo sergipano vive um momento de fortalecimento institucional e expansão econômica. Mesmo com uma estrutura relativamente enxuta em número de cooperativas, o setor tem ampliado sua base social, gerado empregos e consolidado um volume crescente de negócios no estado. O Anuário do Cooperativismo Sergipano mostrou que o estado já reúne mais de 27 mil cooperados, movimenta mais de R$ 1,2 bilhão por ano e administra ativos superiores a R$ 1,38 bilhão.

Esse crescimento acontece em paralelo a um processo de reorganização interna das cooperativas e de fortalecimento da gestão. Nos últimos anos, o sistema cooperativista do estado tem ampliado investimentos em governança, capacitação de lideranças e programas de qualificação profissional, fatores que contribuem diretamente para a sustentabilidade das organizações.

Em entrevista exclusiva à MundoCoop, João Telles, presidente do Sistema OCESE, afirma que o avanço do setor resulta de um processo gradual de organização institucional e fortalecimento da base cooperativista. “Hoje falamos de mais de 27 mil cooperados, 1.582 empregos diretos, mais de R$ 1,2 bilhão movimentados em ingressos e R$ 1,38 bilhão em ativos. Esses números mostram que o cooperativismo deixou de ser alternativa e passou a ser estratégia real de desenvolvimento econômico em Sergipe”, afirma.

Gestão profissional

A evolução recente do cooperativismo sergipano também está associada a uma mudança importante na forma como as cooperativas estruturam sua gestão. Após um período de oscilação financeira, o setor voltou a registrar resultados positivos, indicando maior disciplina administrativa e planejamento estratégico.

Essa virada reflete um processo de acompanhamento técnico e diagnóstico institucional realizado junto às cooperativas. Ao longo dos últimos anos, o Sistema OCESE ampliou iniciativas voltadas à análise de desempenho, governança e reorganização interna das organizações, com o objetivo de aprimorar processos e fortalecer a tomada de decisões.

Segundo João Telles, essa atuação prática tem sido determinante para a recuperação financeira do setor. “Saímos de prejuízo no passado para mais de R$ 46 milhões em sobras. Isso demonstra que disciplina de gestão gera sustentabilidade e retorno direto para o cooperado”, ressalta.

Formação e liderança

Outro eixo estratégico do cooperativismo sergipano está na formação de pessoas. O sistema tem investido de forma consistente em programas de qualificação voltados a dirigentes, conselheiros e colaboradores das cooperativas, como forma de fortalecer a gestão e preparar o setor para novos ciclos de crescimento.

Entre as iniciativas mais relevantes estão cursos de formação profissional, programas de desenvolvimento de lideranças e a ampliação do acesso a plataformas educacionais voltadas ao cooperativismo. Nos últimos anos, milhares de participantes passaram por programas de capacitação, o que acaba por contribuir para o desenvolvimento do nível técnico das organizações.

Para o presidente da OCESE, a qualificação permanente é uma das bases do crescimento do setor. Segundo ele, cooperativas que investem em educação e formação fortalecem sua governança e ampliam a capacidade de gerar resultados consistentes ao longo do tempo. “Quando preparamos dirigentes, conselhos, colaboradores e jovens, a gestão melhora, os resultados aparecem e a cooperativa se torna mais forte e sustentável”, explica.

Juventude e renovação

Além da qualificação técnica, o cooperativismo sergipano também tem direcionado esforços para ampliar a participação de jovens no setor. Programas voltados à formação profissional e à educação cooperativista buscam aproximar novas gerações do modelo de negócios e estimular o surgimento de novas lideranças.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão programas de aprendizagem profissional e eventos voltados à inovação, que conectam estudantes e jovens empreendedores ao universo cooperativista. O presidente explica que essas ações procuram apresentar o cooperativismo como alternativa de carreira e de empreendedorismo coletivo.

De acordo com João Telles, a renovação geracional é fundamental para garantir a continuidade do sistema. Ele ressalta que preparar jovens lideranças é também uma forma de assegurar a sucessão dentro das cooperativas e fortalecer o futuro do movimento no estado. “Tudo isso cria um ambiente onde o jovem se identifica, entende o modelo e enxerga o cooperativismo como oportunidade real de carreira e empreendedorismo coletivo”, destaca.

Diversidade e participação

Outro aspecto que ganha relevância no cooperativismo sergipano é o avanço da participação feminina. Nos últimos anos, o número de mulheres no quadro social das cooperativas tem crescido de forma consistente, refletindo mudanças culturais e institucionais dentro das organizações.

Atualmente, as mulheres representam quase 40% dos cooperados no estado e já ocupam posições estratégicas em diversas cooperativas, incluindo cargos de liderança.

O Sistema OCESE avalia que essa transformação vai além dos números. Para João, esse movimento também reflete iniciativas voltadas à formação de lideranças femininas e ao estímulo à participação das mulheres em espaços de decisão dentro das cooperativas. “Saímos de cerca de 34% para quase 40% de mulheres no quadro social. Isso não é detalhe, é mudança estrutural. Cooperativa mais diversa é cooperativa mais inovadora e mais forte”, observa.

Impacto regional

Embora o estado possua um número menor de cooperativas em comparação com outras regiões do país, o impacto econômico do cooperativismo em Sergipe é significativo pelo fortalecimento das atividades produtivas locais e pela capacidade de geração de trabalho e renda nas comunidades onde as cooperativas estão inseridas. O setor movimenta mais de R$ 1,2 bilhão em ingressos, administra ativos superiores a R$ 1,38 bilhão e gera mais de 1.500 empregos diretos, contribuindo para dinamizar e democratizar a economia regional e fortalecer cadeias produtivas locais.

Esse resultado demonstra que o cooperativismo tem consolidado sua presença como agente de desenvolvimento regional e ampliado oportunidades de trabalho, além de manter a circulação de renda nas comunidades.

Para o presidente da OCESE, o próximo passo é ampliar ainda mais esse impacto por meio de investimentos contínuos em qualificação, fortalecimento da gestão das cooperativas e estímulo à criação de novos empreendimentos cooperativos no estado. “O cooperativismo já é protagonista na economia sergipana. Nosso objetivo agora é ampliar esse impacto, gerar mais oportunidades e fortalecer o desenvolvimento sustentável no estado”, conclui.


Por João Victor, Redação MundoCoop

DESTAQUE ED. 129

Matéria exclusiva publicada na edição 129 da Revista MundoCoop

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