Os ministros das Relações Exteriores do Brics concluíram nesta sexta-feira, em Nova Délhi, uma reunião sem conseguir chegar a uma posição comum sobre a guerra no Oriente Médio.
A declaração final reconheceu a existência de “diferentes pontos de vista” entre os países-membros em relação ao conflito.
Segundo o texto divulgado ao fim do encontro, houve “opiniões diferentes entre alguns membros” sobre a situação na Ásia Ocidental e no Oriente Médio, com cada país apresentando suas posições nacionais e uma variedade de perspectivas sobre o tema.
O documento foi publicado como uma declaração da presidência indiana do bloco, e não como um comunicado conjunto, o que evidencia a dificuldade de consenso dentro do Brics ampliado em temas geopolíticos sensíveis.
Bloco ampliado enfrenta divergências sobre Oriente Médio
O Brics, formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, passou a incluir nos últimos dois anos Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
As divergências ficaram mais evidentes diante das tensões entre Irã e Emirados Árabes Unidos, ambos integrantes recentes do grupo, além da pressão de Teerã para que o bloco condenasse de forma explícita as ações militares de Estados Unidos e Israel.
A declaração final, entretanto, evitou qualquer condenação direta a Washington e Tel Aviv. O texto apenas destacou que “muitos membros” apontaram impactos dos acontecimentos recentes sobre a economia global.
Consensos econômicos contrastam com divisão política
Apesar das divergências no campo geopolítico, os ministros do Brics mantiveram alinhamento em temas econômicos e de governança global.
O bloco reiterou apoio à reforma das instituições financeiras internacionais e condenou a imposição de “medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional”.
Também foram incluídas referências à necessidade de resolução diplomática de crises, respeito à soberania e à integridade territorial, além da importância do fluxo seguro do comércio marítimo internacional.
As divergências internas também apareceram em trechos sobre Gaza e o mar Vermelho, nos quais a presidência indiana incluiu notas indicando que “um membro tinha reservas sobre alguns aspectos do parágrafo”.
A reunião ocorreu entre os dias 14 e 15 de maio e serviu como preparação para a próxima cúpula de líderes do Brics, prevista para setembro, em Nova Délhi.
Fonte: Estela Marconi (Exame)












