A saúde mental feminina ganhou centralidade nas estratégias corporativas diante do avanço dos afastamentos por transtornos emocionais e da pressão por ambientes de trabalho mais seguros. No Brasil, mais de 470 mil afastamentos por questões mentais foram registrados em 2024, segundo dados da Previdência Social, enquanto a Organização Mundial da Saúde estima perdas globais de cerca de US$ 1 trilhão por ano associadas à depressão e ansiedade.
O tema se intensifica quando analisado sob a ótica da liderança. Levantamento da Deloitte aponta que mulheres apresentam níveis mais elevados de estresse e esgotamento no trabalho, especialmente em cargos de gestão, onde acumulam responsabilidades e enfrentam maior pressão por desempenho. Esse quadro tem impacto direto sobre equipes e resultados.
Para Rodrigo Araújo, CEO da Global Work, a forma como a liderança lida com o tema define a capacidade da empresa de evitar afastamentos. “A liderança é a linha de frente. Quando o gestor não sabe identificar mudanças de comportamento ou sinais de sobrecarga, o problema só aparece quando já virou afastamento”, afirma.
Os efeitos já aparecem nos indicadores. Transtornos mentais respondem por cerca de 30% dos afastamentos no país, segundo dados de órgãos oficiais e entidades internacionais, o que pressiona custos operacionais e compromete a produtividade.

Ao mesmo tempo, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, em vigor desde 2025, passou a exigir que empresas mapeiem riscos psicossociais, como assédio, sobrecarga e falta de reconhecimento, o que acelerou a adoção de práticas estruturadas de prevenção.
“A empresa que investe na formação dos líderes consegue antecipar problemas. Não se trata apenas de oferecer apoio psicológico, mas de criar uma cultura onde o colaborador se sente seguro para falar”, diz o executivo. Segundo ele, ambientes psicologicamente seguros reduzem conflitos, aumentam o engajamento e sustentam a performance.
O impacto financeiro também pesa na decisão das empresas. Estimativas de organismos internacionais indicam perdas bilionárias associadas à saúde mental no Brasil, reflexo direto do aumento de afastamentos, presenteísmo e queda de produtividade.
Na prática, o ponto de partida está no letramento das lideranças. A capacitação inclui desenvolvimento de comunicação assertiva, leitura de sinais de esgotamento e preparo para conduzir conversas sensíveis. Na sequência, entram políticas estruturadas de escuta ativa e canais formais de acolhimento, que ajudam a reduzir riscos antes que evoluam para afastamentos.
“Não adianta investir apenas em benefício. Se o gestor não estiver preparado, a iniciativa não se sustenta. O líder precisa saber conduzir conversas difíceis, reconhecer limites e agir antes que o problema se agrave”, afirma.
A escolha de parceiros especializados também exige critério. Empresas que atuam nessa frente costumam oferecer diagnóstico organizacional, monitoramento de indicadores de saúde, programas de acompanhamento psicológico e integração com áreas estratégicas, como recursos humanos e segurança do trabalho. Avaliar metodologia, histórico e capacidade de mensuração de resultados é determinante para o sucesso das iniciativas.
Outro risco está na superficialidade das ações. Programas isolados, desconectados da estratégia do negócio, tendem a ter baixo impacto. “Saúde mental não pode ser tratada como campanha pontual. Precisa estar conectada à gestão, aos indicadores e à cultura da empresa”, diz.
Além de reduzir afastamentos, empresas que estruturam ambientes psicologicamente seguros conseguem avançar na retenção de talentos, no fortalecimento da liderança feminina e na construção de culturas organizacionais mais sustentáveis.
Esse movimento também amplia a diversidade em posições estratégicas e melhora a qualidade das decisões. “O cuidado com a saúde mental deixou de ser um diferencial e passou a ser um fator de sustentabilidade do negócio. Quando a liderança entende isso, os resultados aparecem em cadeia”, conclui.
Fonte: Global Work












