Cooperativismo financeiro avança no Norte com união estratégica do Sicredi

Marcado por forte atividade agropecuária e avanço de pequenos negócios, mesmo com desafios históricos no acesso ao crédito, o Norte do Brasil vem se consolidando como uma fronteira estratégica para a expansão do cooperativismo financeiro. É nesse contexto que a união entre a Sicredi Norte PA e a Sicredi Ouro Verde MT inaugura uma nova fase de atuação no Pará e em Mato Grosso, com foco em ampliação da capacidade de crédito, expansão territorial e fortalecimento da presença regional.

A nova estrutura, que passou a operar como Sicredi Ouro Verde MT/PA, reúne cerca de 220 mil associados, patrimônio líquido de R$ 2 bilhões e mais de R$ 17 bilhões em ativos, com atuação em 34 municípios e 46 agências.

O movimento acontece em um momento de crescimento consistente do cooperativismo de crédito no país. O Sistema Sicredi encerrou 2025 com quase 10 milhões de associados e R$ 455 bilhões em ativos, avanço de 14,6% em relação ao ano anterior, o que reforça a relevância do modelo na expansão do crédito e no desenvolvimento regional. 

ECONOMIA WILSON
Wilson Machado,vice-presidente do Conselho de Administração da Sicredi Ouro Verde MT/PA

No Pará, a presença das cooperativas tem ganhado importância especialmente no financiamento rural, no apoio a micro e pequenos empreendedores e na inclusão financeira em municípios com menor presença de instituições tradicionais. Dados do Sistema OCB/PA mostram que as cooperativas são protagonistas no crédito rural e no fortalecimento da economia local.

Segundo Wilson Machado, então presidente da Sicredi Norte PA e atual vice-presidente do Conselho de Administração da Sicredi Ouro Verde MT/PA, a decisão partiu de uma leitura estratégica sobre a realidade econômica da região. “E também o desejo de ampliar nossa capacidade de crédito, atender projetos de maior porte e gerar ainda mais impacto positivo no desenvolvimento econômico e social do Pará”, completou.

Mais do que uma mudança estrutural, a união busca responder a demandas práticas do território, como maior oferta de crédito produtivo, apoio a empreendedores locais e expansão para novas áreas da Região Metropolitana de Belém.

Força no campo

A escolha de Mato Grosso e Pará como eixo da nova cooperativa está diretamente ligada ao peso econômico dos dois estados no agronegócio brasileiro. Mato Grosso segue como a principal potência agrícola do país e deve alcançar 111,9 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/2025, impulsionado sobretudo pela soja e pelo milho. Já o Pará vem ampliando sua relevância na produção de soja, milho, cacau e na pecuária, além de liderar nacionalmente a criação de búfalos.

ECONOMIA ELEDIR
Eledir Pedro Techio, presidente do Conselho de Administração da Sicredi Ouro Verde MT/PA

Esse cenário ajuda a explicar por que a união foi estruturada entre regiões com perfis produtivos complementares e forte demanda por crédito rural, custeio, armazenagem e financiamento de investimentos no campo.

Como destaca Eledir Pedro Techio, presidente do Conselho de Administração da Sicredi Ouro Verde MT/PA. “Um dos primeiros benefícios que mapeamos é a diversificação da matriz de negócios, considerando que a região Norte possui uma matriz produtiva distinta da nossa realidade de Mato Grosso, além da expansão geográfica que permite uma estratégia de crescimento planejada e de longo prazo”.

Na prática, a combinação entre a robustez produtiva de Mato Grosso e o avanço agropecuário do Pará amplia a capacidade de atendimento a produtores rurais, cooperados urbanos e negócios ligados à cadeia logística e de serviços do setor. A expectativa também é ampliar a atuação, “especialmente na Região Metropolitana de Belém e em outras localidades estratégicas do Pará”, acrescentou Machado.

Impacto local e próximos desafios

O ponto central, porém, não está apenas no ganho de escala, mas na capacidade de traduzir esse crescimento em impacto real nas comunidades.

Entre as prioridades da nova fase estão o aumento da carteira de crédito, a expansão da base de associados e o fortalecimento de iniciativas de educação e inclusão financeira. “Este processo exige organização, alinhamento e, sobretudo, cuidado com aquilo que não pode ser perdido, que é a proximidade com o associado, a escuta ativa e o compromisso com o desenvolvimento local”, destaca Techio.

Para Wilson Machado, o desempenho da união será medido justamente pela capacidade de gerar resultados econômicos tangíveis. “O sucesso dessa união será medido por indicadores como o crescimento sustentável da base de associados, a ampliação da carteira de crédito, a solidez financeira da cooperativa, os investimentos sociais realizados e, principalmente, a percepção de valor dos associados e das comunidades”.

O que representa?

A união passa a representar um movimento relevante para o cooperativismo financeiro no Norte e para a dinâmica econômica regional. O desafio, segundo as lideranças, será crescer sem perder a essência do modelo cooperativista. Como pontua Eledir Pedro Techio, “este processo exige organização, alinhamento e, sobretudo, cuidado com aquilo que não pode ser perdido, que é a proximidade com o associado, a escuta ativa e o compromisso com o desenvolvimento local”. 

Já no médio e longo prazo, a expectativa é que a operação amplie sua capacidade de apoiar empreendedores e fomentar a economia regional. “Uma cooperativa maior e mais sólida aumenta nossa capacidade de investir em projetos produtivos, apoiar empreendedores locais, fomentar a economia regional e fortalecer iniciativas sociais e educacionais”, afirma Wilson Machado.

O sucesso da união será medido não apenas pela expansão financeira, mas pela capacidade de gerar desenvolvimento sustentável e ampliar a presença do cooperativismo em regiões estratégicas do Norte do país.


Por Andrezza Hernandes – Redação MundoCoop

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Matéria exclusiva publicada na edição 130 da Revista MundoCoop

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