O presidente Lula foi reeleito. Entre os principais candidatos, ele tinha a pior agenda econômica. Mas pouco importa a minha opinião. É com essa agenda que vamos trabalhar nos próximos quatro anos e será à ela que iremos adaptar as nossas cooperativas financeiras.
O ponto que mais me preocupa é o fiscal. Embora a arrecadação de impostos bata recorde todos os anos, o Brasil continua no vermelho, sem perspectiva de melhora. Em 2023, o governo central registrou déficit primário de R$ 230,5 bilhões, equivalente a 2,1% do PIB. Em 2024, o resultado foi negativo em R$ 43 bilhões, ou 0,36% do PIB, e em 2025, o buraco foi de R$ 61,7 bilhões, ou 0,48% do PIB. Para 2026, o mercado financeiro projeta o mesmo rombo do ano passado.
Com sucessivos déficits, a dívida bruta brasileira alcançou R$ 11,1 trilhões, correspondendo a 82,9% do PIB, segundo o Banco Central. Pela metodologia do FMI, a dívida brasileira chegou a 91,4% do PIB em 2025, acima da média de países emergentes como México e Chile, em torno de 45% do PIB. O endividamento do Brasil aproxima-se de níveis observados apenas em economias ricas, que rolam suas dívidas com juros infinitamente menores. Vale salientar que o Brasil tem a maior taxa de juros real do mundo (maior até que a da Rússia que está em guerra) justamente por causa do desequilíbrio fiscal. Só haverá espaço para uma queda consistente dos juros se o governo Lula 4 cortar gastos (veja no infográfico abaixo as minhas sugestões).
O problema é que a campanha eleitoral foi marcada pelo populismo econômico. O pacote de bondades de Lula já mobilizou R$ 298,4 bilhões apenas em 2026. E há a necessidade de mais R$ 53,7 bilhões no orçamento de 2027. Ninguém sabe de onde sairá o dinheiro nem como ficarão as metas fiscais, apesar das promessas pouco factíveis de superávit feitas pela equipe econômica.
O ano que vem não será de juros altos e baixo crescimento econômico. Neste contexto, as nossas cooperativas financeiras precisam apertar os cintos, reduzir ineficiências e melhorar a análise de crédito. Isso, é claro, acreditando na autonomia do Banco Central (justiça seja feita, o BC tem conduzido bem a taxa Selic). Se Lula 4 resolver se inspirar em Dilma 2, pressionando por uma redução na marra dos juros, a catástrofe se repetirá: inflação descontrolada e recessão econômica. E um novo impeachment viria a seguir…
Luís Artur Nogueira é economista, jornalista e palestrante. Atualmente é comentarista do programa “Faroeste à Brasileira” no Youtube da Revista Oeste e colunista da MundoCoop.

Conteúdo exclusivo publicado na edição 136 da Revista MundoCoop








