A presença do cooperativismo na memória dos brasileiros avançou de forma contínua nos últimos oito anos. Em 2018, 29% dos entrevistados conseguiam citar espontaneamente o nome de uma cooperativa. O índice chegou a 55% em 2023 e alcançou 66,8% em 2026, segundo a nova Pesquisa de Imagem do Cooperativismo no Brasil, apresentada pelo Sistema OCB durante o webinário ComunicaCoop, realizado nesta quarta-feira (23).
O crescimento da lembrança coloca o setor diante de uma nova etapa. Se ampliar o reconhecimento foi um dos principais desafios dos últimos anos, os resultados mostram agora a necessidade de transformar essa visibilidade em conhecimento sobre as características do modelo. O índice de conhecimento efetivo ficou em 51,4%, resultado calculado a partir de quatro medidas sobre compreensão e identificação das cooperativas.
Entre os entrevistados, 56,9% afirmam saber o que é uma cooperativa, 58,1% reconhecem sua descrição correta e 47,9% conseguem identificar cooperativas reais.
Para Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, acompanhar essa evolução ajuda a reduzir decisões baseadas apenas em percepções e direcionar as estratégias de comunicação do movimento. “Na comunicação, há muita opinião: eu gosto mais disso, eu gosto mais daquilo. Para trazer cada vez mais as lideranças para a pauta da comunicação, trabalhamos muito com dados, para mostrar a realidade que está acontecendo”, afirmou.

Imagem mais contemporânea
Mesmo com espaço para avançar no conhecimento sobre suas particularidades, o cooperativismo já aparece associado a uma imagem predominantemente contemporânea. Para 81,6% dos entrevistados, o modelo é atual, moderno ou inovador. A maior parcela, de 44,3%, o considera atual, enquanto 20,8% o definem como moderno e 16,5%, como inovador. Outros 14,8% o classificam como antigo e 3,5%, como ultrapassado.
Outro resultado indica que algumas percepções tradicionais vêm perdendo espaço. 71,3% discordam da ideia de que uma cooperativa precisa ser pequena. A pesquisa também identificou que metade dos participantes reconheceu ter uma visão parcial sobre o modelo antes de receber sua definição, enquanto oito em cada dez consideraram o conceito claro após a explicação.
O nível de conhecimento, entretanto, varia entre diferentes públicos. A maior distância aparece por renda: são 14,7 pontos percentuais entre as classes A e E, acima da diferença de 9,8 pontos entre faixas etárias e de 5,6 pontos entre regiões do país.
A lembrança espontânea também mostra quais organizações aparecem com maior força para os brasileiros. Ao todo, foram registradas 8.848 menções, lideradas por Sicredi, com 2.399 citações, Sicoob, com 2.380, e Unimed, com 1.031. Cooperativas dos ramos Agropecuário e Saúde também aparecem entre as mais lembradas.
Identidade e decisão de compra
O avanço da imagem começa a apresentar reflexos que vão além do reconhecimento institucional. Para 60,7% dos participantes, saber que determinado produto ou serviço é de uma cooperativa mudaria ou poderia mudar sua intenção de compra. Desse total, 26,5% responderam diretamente que sim e 34,2% afirmaram que talvez considerassem essa informação.
Entre aqueles que demonstraram abertura à mudança, 97,8% disseram que comprariam daquela cooperativa. O efeito aparece principalmente nos segmentos de alimentos, citado por 59,4%, e saúde, com 41,5%.
A origem cooperativa, contudo, convive com critérios tradicionais de mercado. Qualidade permanece como o fator mais relevante na escolha, apontada por 60,5%, seguida pelo preço, com 53%.
Os atributos associados às cooperativas também revelam um território próprio de imagem. Colaboração e união entre os membros lideram as associações, com 33%, seguidas por responsabilidade comunitária, com 27%.
SomosCoop
Dentro da estratégia para fortalecer uma identidade comum, 26,4% dos entrevistados afirmaram conhecer, ter tido contato ou já ter ouvido falar do SomosCoop. O reconhecimento da marca é maior entre os mais jovens: chega a 36% entre pessoas de 18 a 30 anos e cai para 21% entre aquelas com 51 anos ou mais.
O recorte por renda apresenta uma dinâmica diferente daquela observada no conhecimento geral sobre cooperativismo. Enquanto 21% da classe A reconhecem o SomosCoop, o percentual chega a 40% na classe E.
Para Fabíola, a identidade comum funciona como um elo entre organizações que possuem marcas, portes e realidades diferentes. “A gente não pode se esquecer do fio que conecta a todos nós, que é ser cooperativo, ser cooperativista”, defendeu.
Por Redação MundoCoop












