O cooperativismo financeiro mundial encerrou 2025 com quase 420 milhões de associados e US$ 3,98 trilhões em ativos, números que confirmam a dimensão alcançada pelo modelo. Contudo, quando os dados são observados regionalmente, surge um retrato menos homogêneo. A maior parte dos recursos está concentrada em poucos sistemas de grande porte, enquanto outras regiões reúnem milhares de instituições e uma parcela expressiva dos cooperados globais com volumes patrimoniais muito menores.
A diferença aparece no Relatótio Estatístico 2025, divulgado pela WOCCU. A publicação reuniu informações de 61.838 cooperativas de crédito e instituições financeiras cooperativas em 93 países e chama atenção para a necessidade de analisar o movimento além dos números consolidados. Segundo o próprio Conselho, escala financeira, presença territorial e relevância social podem assumir pesos bastante diferentes conforme a estrutura econômica e institucional de cada mercado.
Um dos contrastes mais evidentes do estudo está entre a América do Norte e os continentes africano e asiático. Enquanto Estados Unidos e Canadá concentram aproximadamente 75% dos ativos reportados globalmente, África e Ásia reúnem, juntas, cerca de 79% das instituições contabilizadas pelo levantamento.
Concentração na América do Norte
Com 4.653 cooperativas e 156,2 milhões de associados, a América do Norte concentra cerca de US$2,99 trilhões em ativos. O volume corresponde a aproximadamente três quartos dos US$3,98 trilhões registrados globalmente pelo WOCCU.
A concentração é puxada principalmente pelos Estados Unidos, que somam US$2,43 trilhões em ativos, seguidos pelo Canadá, com US$557 bilhões. O relatório posiciona ainda Japão, Brasil, Austrália, Tailândia e Coreia do Sul entre os maiores sistemas cooperativos financeiros em patrimônio.
Para o WOCCU, essa composição mostra que operações cooperativas de grande escala não dependem de um único modelo econômico ou regulatório. Ao mesmo tempo, a concentração patrimonial torna insuficiente utilizar apenas os ativos para dimensionar a presença mundial do segmento.
África e Ásia concentram 79% das cooperativas
Quando o critério passa a ser o número de instituições, o mapa muda. A África reúne 25.609 cooperativas, enquanto a Ásia soma outras 23.347. Juntas, as duas regiões concentram 48.956 das 61.838 organizações incluídas no relatório, aproximadamente 79% do total mundial.
Esse peso institucional não se repete na mesma proporção nos ativos. África e Ásia somam cerca de US$542,5 bilhões, aproximadamente 13,6% do total global. Ainda assim, reúnem quase 183 milhões de associados, o equivalente a cerca de 44% da base mundial considerada pelo WOCCU.
A diferença ajuda a mostrar por que o Conselho recomenda cautela nas comparações. Em alguns países, cooperativas financeiras operam como instituições de grande porte e disputam mercado diretamente com bancos. Em outros, são organizações menores, cuja importância está relacionada à presença em comunidades, ao alcance entre públicos pouco atendidos e à inclusão financeira.
O próprio relatório ressalta que sistemas com participação reduzida nos ativos globais podem ter presença relevante entre a população de seus países ou atuar em mercados e comunidades com menor acesso a serviços financeiros tradicionais.
Crescente latinoamericana
A América Latina ocupa uma posição intermediária nesse cenário. A região reúne 5.454 cooperativas, 63,2 milhões de associados e US$265,6 bilhões em ativos, além de uma carteira de crédito próxima de US$170 bilhões.
O Brasil aparece como o maior sistema latino-americano no levantamento, com 23,8 milhões de cooperados e US$168,6 bilhões em ativos. Na sequência, países como Equador, México, Colômbia e Costa Rica ajudam a mostrar a diversidade de estruturas existentes dentro da própria região.
Essa heterogeneidade também reforça uma das conclusões centrais da publicação: não existe uma única medida capaz de representar a força do cooperativismo financeiro. Número de instituições, associados, ativos, crédito e alcance territorial revelam dimensões distintas de um movimento que se desenvolveu de maneiras diferentes ao redor do mundo.
Próximos anos ampliam desafios
Além do retrato estatístico, o levantamento identifica pressões que tendem a atravessar esses diferentes modelos. Entre as organizações consultadas pelo WOCCU, regulação aparece como a força com maior potencial de impacto nos próximos cinco anos, seguida pela competição digital. Inteligência artificial e cibersegurança também ocupam posições relevantes na avaliação das entidades.
A transformação digital lidera ainda as prioridades estratégicas apontadas pelas organizações, seguida pelo crescimento da base de associados e dos ativos, pelas reformas regulatórias e pela necessidade de ampliar a relevância entre públicos mais jovens.
Por Redação MundoCoop com informações da Woccu












