Aprender a identificar desafios, ouvir diferentes opiniões, construir soluções em grupo e compreender o valor da colaboração. Essas são algumas das experiências vivenciadas por estudantes da Escola Básica Municipal Lauro Müller, em Blumenau, que participam do projeto Cooperativismo e Educação Financeira nas Escolas, iniciativa que transforma a sala de aula em um espaço de cidadania, participação e aprendizado prático.
A experiência ganha ainda mais relevância neste mês, quando o mundo celebra o Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado anualmente no primeiro sábado de julho. Neste ano, o movimento cooperativista mundial tem como tema “Cooperativas por um Mundo Pacífico”, reforçando o papel da cooperação na construção de comunidades mais inclusivas, participativas e preparadas para enfrentar desafios coletivos por meio do diálogo e da ação conjunta.
Desenvolvido pelo Núcleo das Cooperativas da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), com apoio da Secretaria Municipal de Educação, o projeto é pioneiro na rede municipal de ensino e busca aproximar os estudantes dos princípios cooperativistas de forma prática e vivencial.
A proposta parte de situações reais do ambiente escolar. Os alunos são incentivados a observar o cotidiano da escola, identificar oportunidades de melhoria e, a partir delas, desenvolver soluções coletivamente. Ao longo do processo, exercitam habilidades relacionadas à cooperação, à organização, ao planejamento, à participação cidadã e ao uso consciente dos recursos.
“Queremos que os alunos vivenciem a cooperação como uma ferramenta para transformar a realidade ao seu redor. A metodologia prevê que eles próprios identifiquem uma necessidade da escola e construam coletivamente um projeto para atendê-la”, explica Naiara Emerenciano Baron, coordenadora de Relacionamento com o Cooperado da Viacredi, uma cooperativa Ailos.
O conteúdo foi desenvolvido por uma profissional especializada, responsável também pela condução das atividades em sala de aula. Durante todo o processo, o Núcleo das Cooperativas acompanha a aplicação da metodologia, oferecendo suporte pedagógico e monitorando os resultados. Ao final do ciclo, os estudantes serão avaliados para mensurar a compreensão de conceitos ligados à cooperação, participação e organização coletiva.
Formação para a vida
A iniciativa também está alinhada a um movimento de fortalecimento da cultura cooperativista na educação. Uma legislação municipal passou a permitir, neste ano, a realização de atividades de cooperativismo e educação financeira na rede municipal de ensino, criando oportunidades para que temas relacionados à cidadania e à convivência ganhem espaço no ambiente escolar.
A expectativa é que a experiência desenvolvida na EBM Lauro Müller sirva de referência para futuras iniciativas na rede pública, contribuindo para a formação de jovens mais preparados para atuar de forma colaborativa em diferentes contextos da vida pessoal, profissional e comunitária.
Para Naiara, os impactos do projeto ultrapassam os muros da escola. “Quando a cooperação passa a fazer parte do cotidiano escolar, os aprendizados vão além da sala de aula. Os estudantes levam essa experiência para casa, compartilham com as famílias e ajudam a fortalecer uma cultura de participação e construção coletiva”, afirma.
Cooperativismo faz parte da história de Blumenau
A escolha de Blumenau para receber o projeto também reflete a forte presença do cooperativismo no município. Reconhecida como um dos principais polos cooperativistas do país, estima-se que cerca de 80% da população blumenauense esteja vinculada a alguma cooperativa, em um universo de mais de 70 organizações que movimentam a economia local e geram milhares de empregos.
Nesse cenário, aproximar crianças e adolescentes do modelo cooperativista representa também uma oportunidade de apresentar novas formas de organização econômica e social, baseadas em valores como solidariedade, democracia e interesse coletivo. Ao envolver alunos, professores e familiares, o projeto busca plantar uma semente que pode gerar frutos duradouros: cidadãos mais conscientes, participativos e preparados para construir soluções em conjunto. Uma lição que, especialmente em tempos de individualismo crescente, se mostra cada vez mais atual.












