A Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) afirmou que a incerteza em relação à disponibilidade de recursos orçamentários para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é mais preocupante que a ocorrência de eventos climáticos extremos. Segundo a entidade, as adversidades do clima já podem ser monitoradas e antecipadas, o que não ocorre na gestão da verba federal. Nesta terça-feira (9/6), o governo federal bloqueou R$ 461,6 milhões do orçamento do seguro rural, quase metade da verba prevista para o ano.
O presidente da Comissão de Seguro Rural da Fenseg, Daniel Nascimento, disse que o novo bloqueio no PSR preocupa as seguradoras e reforça a falta de previsibilidade orçamentária, problema que compromete a expansão da proteção no campo há anos. “O seguro rural é um instrumento de gestão de risco que depende de planejamento de longo prazo por parte de produtores, seguradoras e do próprio governo”, disse à reportagem.
Segundo Nascimento, o momento é sensível por conta dos alertas de formação de um novo ciclo de El Niño e a indicação de possibilidade de ocorrer eventos climáticos severos, com potencial impacto sobre diferentes regiões produtoras do país.
“Os fenômenos climáticos extremos já fazem parte da realidade da agricultura brasileira e, por isso, precisam ser incorporados ao planejamento das políticas públicas. Sem previsibilidade, perde-se capacidade de ampliar a cobertura securitária justamente quando o produtor mais precisa de proteção”, afirmou.
Glaucio Toyama, diretor de Agro do IRB Re, disse que ainda há incertezas sobre o El Niño, mas que a ocorrência desse evento climático combinada com a falta de recursos para proteção no campo “pode ser uma pá de cal para os pequenos e médios produtores”.
Ele comentou também que o endividamento piora o cenário para as seguradoras, que já sentiram o efeito nas vendas de apólices para a safra de inverno, com recuo de cerca de 30% nas vendas de seguro rural. O Ministério da Agricultura disponibilizou apenas R$ 100 milhões para a subvenção dos contratos.
“A crise de crédito e a margem de grãos têm sido os principais ofensores. A operação de inverno teve um desenvolvimento muito abaixo do plano. Informações de mercado levam a uma queda de mais de 30% em relação a 2025”, disse Toyama. “Apesar dos esforços das seguradoras e corretores, as vendas de pré-custeio não avançaram para a safra de verão. Se o Plano Safra não tiver direcionador de seguros, e com este bloqueio, os produtores rurais vão avançar sem seguros e com alta volatilidade climática no radar”, alertou.
A preocupação é compartilhada pelo dirigente da Fenseg. “O Brasil já protege uma parcela reduzida de sua área agrícola, e a continuidade dos bloqueios dificulta o avanço de uma política pública essencial para a segurança alimentar, a estabilidade da renda no campo e a resiliência do agronegócio brasileiro”, concluiu Nascimento.
Fonte: Globo Rural












