O CoopTalks Comunica desembarcou no WCM 2026 com uma agenda completa para discutir o papel estratégico da comunicação no cooperativismo. Durante dois dias de intensas trocas, o encontro abordou caminhos para fortalecer marcas, ampliar o reconhecimento público do setor e transformar comunicação em resultados para as cooperativas.
Ao reunir quase 1000 pessoas, o CoopTalks Comunica colocou em discussão um desafio para as cooperativas: transformar propósito em mensagens compreensíveis, fortalecer relacionamentos e demonstrar à sociedade o valor econômico e social do modelo cooperativo. A MundoCoop, realizadora do CoopTalks Comunica, traz os principais insights desse encontro.

Marca, propósito e conexão com a sociedade
Na abertura, Douglas Ferreira, diretor da MundoCoop, defendeu que o setor amplie o alcance de suas mensagens. “O cooperativismo fala muito para dentro, mas precisamos leva-lo para além dos muros do setor”. A necessidade de aproximar o público do modelo cooperativo também orientou a palestra “Imagem do cooperativismo no Brasil: desafios e oportunidades”, na qual Samara Araújo, Gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCB, apresentou dados da pesquisa realizada em 2026 pela OCB. O levantamento apontou que 66,8% do público cita uma cooperativa. “Comunicação não é gasto, é investimento”, afirmou.
A construção de marcas capazes de traduzir os diferenciais do setor esteve no centro do painel “A força da marca cooperativa: conquistando corações, mercados e futuras gerações”. Samara Araújo, Flavio Pina, CEO e cofundador da Loggia, e Felipe Cassiano, de Comunicação e Marketing do Sicoob Central Crediminas, discutiram posicionamento, confiança e competitividade. Para Cassiano, “as pessoas já escolhem o cooperativismo, sem compreender exatamente o que o cooperativismo entrega”.

A relação entre propósito, inovação e impacto social apareceu em diferentes momentos da programação. No coopcase “Como manter o propósito, em um mundo de IA?”, Iara e Eduardo Xavier, dos Caçadores de Bons Exemplos, defenderam a centralidade das pessoas na atuação cooperativista. “Cooperativismo é um negócio de impacto social”. Já o case da Coolaborativa, cooperativa de empreendedores que trabalha com inovação e apoio público a startups, abordou parcerias externas, qualificação e mudanças no mercado de trabalho. “O trabalho mudou de perfil, e o reflexo no mercado é a necessidade de ressignificar o papel do trabalho na vida de cada indivíduo”, destacou Ricardo, participante do case.
A comunicação também foi discutida como competência individual e ferramenta de inclusão. Na palestra “Desenvolver uma comunicação mais assertiva e eficaz”, Anderson Veloso, palestrante e mentor de oratória, abordou a importância de estruturar mensagens e histórias para alcançar o público. “O palco é a estrutura mágica que você usará para mostrar ao mundo quem você é”, reforçou.
O painel “A mulher de 50 mudou. O mundo ainda fala com a mulher de 50 de antigamente”, com Ludymilla Sá, da Dialética Estratégia em Comunicação, e Kelen Cristina, subeditora e colunista do Estado de Minas e do No Ataque, discutiu a representação das mulheres acima dos 50 anos e as oportunidades de valorização desse público no cooperativismo.
Dados, inteligência artificial e reputação
Os impactos da tecnologia sobre a identidade e a confiança foram tema do painel “Cooperar na era da IA: identidade, dados e confiança em rede”, com Douglas Ferreira, Violetta Nafpaktiti, CEO da DotCooperation LLC, e Harold Schultz, CEO da Tracy e fundador da Escola de CAIO. A conversa abordou segurança, identificação dos cooperados e uso responsável da inteligência artificial. Na sequência temática, o painel “Decifrando dados: como transformar informação em estratégia e resultado” reuniu Adriano Sá e Fernando Sasso, do Sebrae MG, e Bruno Minnitti, do Sicoob Credicom, para discutir como transformar informações em decisões. Para Sasso, “uma empresa orientada a dados é aquela que consegue transformar dados em valor para os seus clientes”.
No segundo dia, a divulgação do cooperativismo e a aproximação com diferentes públicos ganharam espaço. Na palestra “Como divulgar o cooperativismo”, Tiago Schmidt, presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pioneira RS, destacou a importância de conhecer as particularidades regionais e conectar histórias de cooperados à comunicação institucional. “É preciso ter uma clareza de onde estamos comunicando e para quem estamos fazer essa comunicação”, apontou o executivo.

Já o painel “Marketing cooperativista na prática: da conexão ao resultado”, com Levi Carneiro, branding advisor da Loggia, e Marcelo Vieira Martins, CEO da Unicred União, sob moderação de Luis Cláudio, diretor da MundoCoop, debateu a relação entre comunicação, negócio e novas gerações. Carneiro observou: “Cada vez mais, a comunicação é ainda mais, parte do negocio”.
A aplicação prática da tecnologia foi explorada no workshop “IA mão na massa: do Storybrand à landing page em 50 minutos”, conduzido por Harold Schultz. A atividade apresentou possibilidades de uso da inteligência artificial em marketing, criação de páginas, edição de vídeos e desenvolvimento de projetos. Na frente de inovação operacional, o coopcase “Coopmetro: o aplicativo que coloca o motorista de carga no comando da estrada” apresentou uma iniciativa baseada em intercooperação, tecnologia e inteligência logística para integrar operações e ampliar oportunidades no transporte. “Na cooperativa, é necessário conhecer todo o processo”, destacou o Diretor administrativo da Coopmetro, Evaldo Matos.
A reputação institucional encerrou outra frente importante dos debates. No painel “Reputação, relacionamento e influência no cooperativismo”, Douglas Ferreira, Luiz Edmundo Rosa Júnior, diretor de Negócios do Sicoob Credicampina, e Webster Moreira, especialista em reputação, comunicação e marketing na era figital, discutiram a relação entre experiência, gestão e imagem institucional. Rosa Júnior resumiu: “Reputação é a memória de estar experimentando algo”.
A programação também incluiu a palestra “O futuro ficou mais longo. E agora?”, com Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência e presidente do Lide Mulher, e “Reputação com respaldo: como leis, governança e compliance blindam a sua comunicação”, com Fernando Martins, especialista em Integridade e Proteção Institucional da INOV Gestão.

Ao conectar comunicação, estratégia e inovação, o CoopTalks Comunica trouxe reflexões práticas para as cooperativas fortalecerem suas marcas, qualificarem o relacionamento com os cooperados e ampliarem o reconhecimento do modelo cooperativista pela sociedade.
A cobertura do CoopTalks Comunica continua. Em breve, a MundoCoop lançará um ebook especial com os principais debates, insights e aprendizados do evento, reunindo perspectivas sobre comunicação, inteligência artificial, marca, reputação e relacionamento no cooperativismo.
Acompanhe a MundoCoop e fique por dentro do lançamento para acessar a cobertura completa e levar esses insights para a sua cooperativa.
Por Leonardo César – Redação MundoCoop












