O cooperativismo de crédito brasileiro cresceu em tamanho, alcance e participação no sistema financeiro. Dados apresentados no Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, estudo elaborado pelo Banco Central, mostram que o segmento encerrou 2025 com 21,2 milhões de cooperados e presença física em 59% dos municípios brasileiros.
O estudo, que reuniu informações sobre organização, atendimento, base social e o desempenho econômico-financeiro do setor, apontou também que a carteira de crédito avançou 13,1% no ano, acima do crescimento de 8,5% registrado pelo restante do Sistema Financeiro Nacional. A expansão, entretanto, trouxe novas exigências para instituições que passaram a operar em maior escala e em um ambiente mais competitivo.
Nesse cenário, sucessão, capital e governança ganham espaço na agenda das cooperativas. O relatório publicado no último dia 13 de julho destacou a necessidade da renovação de lideranças, ampliação da representatividade nos órgãos de decisão e adequação das estruturas patrimoniais como resposta do setor ao avanço dos ativos, que cresceram 17% e alcançaram R$ 1,04 trilhão em 2025.
Diversidade e sucessão
A composição da base social avançou mais rapidamente do que a presença feminina nos espaços de decisão. Em dezembro de 2025, as mulheres representavam 45,3% dos cooperados pessoas físicas, o equivalente a aproximadamente 8,1 milhões de associadas. Em abril de 2026, porém, elas ocupavam 17,7% dos cargos nos conselhos de administração e 24,3% das diretorias das cooperativas de crédito.
A diferença se torna ainda maior nos postos de comando. As mulheres estavam à frente de 8,2% dos conselhos de administração e ocupavam 22% das presidências ou cargos equivalentes nas diretorias.
O debate sobre diversidade se relaciona diretamente com a sucessão. A idade média dos integrantes dos conselhos de administração subiu de 57 para 58 anos entre abril de 2025 e abril de 2026. Nas diretorias, permaneceu em 52 anos. No conjunto dos cargos estatutários, a média chegou a 56 anos, acima dos 54 anos registrados no Sistema Financeiro Nacional.
Esse cenário não indica a necessidade de uma substituição imediata das lideranças, mas reforça a importância de preparar a renovação. A sucessão precisa preservar a experiência acumulada e a cultura cooperativa, ao mesmo tempo que incorpora novas competências.
A renovação também depende da abertura de caminhos para que mulheres, jovens e novos profissionais conheçam a dinâmica da governança cooperativa e possam assumir responsabilidades gradualmente.
Capital e consolidação
As novas regras de capital mínimo também devem influenciar a estrutura do setor nos próximos anos. Essas novas normas adotam critérios que consideram o modelo de negócio, as atividades realizadas e as tecnologias utilizadas, os riscos assumidos e as formas de captação de cada instituição. A transição começou em julho de 2026 e a aplicação integral está prevista para janeiro de 2028.
Em uma simulação, 148 das 591 cooperativas clássicas e plenas avaliadas poderiam terminar o período de transição abaixo dos novos limites. Após um ajuste que permitiu considerar o fundo de reserva no cálculo e as medidas planejadas pelas instituições, a projeção caiu para 38.
A redução do número de cooperativas singulares mostra que o crescimento do SNCC tem ocorrido em paralelo a um processo de consolidação. Entre 2021 e 2025, o total caiu de 818 para 742, principalmente em razão de incorporações. No mesmo período, o setor ampliou ativos, captações, crédito e número de cooperados, o que reforça o avanço de estruturas com maior escala operacional.
Governança e riscos
O avanço das operações de crédito também aumentou a exposição das cooperativas a riscos. A parcela da carteira classificada pelo Banco Central como ativos problemáticos chegou a 7,8% no fim de 2025, após atingir 8,3% em agosto. O relatório ressalta que parte desse aumento decorreu das novas regras de contabilização, mas o indicador reforça a necessidade de estruturas capazes de acompanhar a qualidade do crédito e antecipar possíveis perdas.
A digitalização acrescenta outra dimensão ao debate. O SNCC encerrou 2025 com 10.553 unidades de atendimento e presença física em 59% dos municípios brasileiros, enquanto os canais digitais ampliaram o alcance dos serviços e reduziram custos operacionais. Esse avanço, no entanto, também elevou a exposição a fraudes, ataques cibernéticos e interrupções, o que exige maior integração entre tecnologia, controles internos e governança da informação.
Por João Victor – Redação MundoCoop












