65% dos profissionais de marketing apontam dificuldade em conectar o Mundial de futebol às marcas

desafio está, antes de tudo, em criar conexão com o público, mostra pesquisa

A proximidade da Copa do Mundo Fifa 2026, que começa no próximo dia 11, instiga as marcas a criar campanhas de marketing alinhadas ao evento. Mas, na prática, nem todas elas conseguem produzir boas estratégias para aproveitar o Mundial – um dos mais relevantes do mundo, com ao menos 1,1 bilhão de espectadores globais, segundo a entidade.

É o que aponta a pesquisa inédita da Similarweb e da Conversion, “Tendências de Marketing Copa do Mundo: IA, Consumo e Busca Digital, feita com 270 profissionais do setor espalhados por 17 segmentos diferentes do mercado.

Quase nove em cada dez (86%) deles contam que o principal desafio das suas áreas é de ordem estratégica – como criar boas narrativas –, e não operacional, como a ausência de recursos necessários.

Além disso, se a maioria dos profissionais diz que o dilema em atrelar a Copa às campanhas foi a pouca relação entre os produtos e serviços com que atuam e o evento em si – indicada por 65% deles –, muitos não conseguiram aproveitar as oportunidades do Mundial por questões propriamente internas: as indefinições sobre a melhor estratégia de marketing (21%) a se adotar.

Metade deles (51%) entra em junho, sem nenhum planejamento.

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“São dados que revelam a dificuldade de muitas marcas em potencializar os seus produtos e serviços em contextos favoráveis, como a Copa”, nota Diego Ivo. “É interessante pensar que, no limite, qualquer negócio conseguiria planejar alguma campanha envolvendo esse evento, porque ele afetará toda a cadeia do varejo – e o digital oferece muitas alternativas para fazer isso”.

Efeitos positivos

Apesar disso, quase um terço (30%) dos profissionais de marketing acredita que a Copa do Mundo trará impactos positivos para as marcas que trabalham Não é trivial que dois em cada dez (19%) esperem que o evento represente crescimento das receitas de suas empresas.

“Ou seja: os desafios estão colocados, mas as empresas sabem que o Mundial é uma janela de oportunidades para crescer ou para aparecer mais no mercado”, observa Ivo.

Mídia paga e SEO vão definir estratégias

Mas, entre as empresas que vão se valer da Copa para planejar as campanhas, qual será a estratégia principal de marketing?

Um terço (32%) dos profissionais vai apostar em mídia paga, como anúncios no Google ou em redes sociais (Instagram e TikTok, sobretudo). Outro terço (31%), por sua vez, pretende elaborar projetos com SEO e conteúdo orgânico.

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Elas estão muito à frente de ações como CRM (11%), campanhas de influencers e PR (7%).

IA virou vitrine de marca

A Copa também já começou nas plataformas de inteligência artificial — e algumas saem na frente nas respostas geradas por IA. Os dados mostram que Sofascore, FIFA e YouTube lideram a visibilidade relacionada ao Mundial dentro de ferramentas, como ChatGPT, Gemini, Perplexity e AI Mode. Flashscore, ESPN, CazéTV e Globo Esporte também aparecem entre as marcas mais associadas ao tema.

“Começamos por um dos fatores mais relevantes deste Mundial: será a primeira Copa do Mundo efetivamente mediada por IA. Pela primeira vez, plataformas de inteligência artificial passam a ocupar um papel central na descoberta de informação, influência e construção de relevância em torno do torneio”, explica Vicky Almeida.

Chirrasco, TV e Cerveja… Zero

A Similarweb e a Conversion também reuniram dados sobre itens mais buscados pelos brasileiros no Google nos últimos meses, e notaram que parte significativa deles está atrelada à Copa.

Da lista de 150 produtos monitorados, o que soma mais buscas é a air-fryer, com 650 mil mensais. A televisão de 50 polegadas, historicamente ligada ao evento, foi procurada 249 mil vezes, além do frigobar (222 mil) e caixa de som (188 mil).

“Produtos com demanda em crescimento, como as cervejas zero álcool, refletem novos hábitos de consumo. Ao mesmo tempo, a alta procura por televisores de telas maiores evidencia o comportamento dos brasileiros de reunir família e amigos para assistir aos jogos. Para as marcas, se por um lado existe a expectativa de aumento na demanda, por outro a disputa pela visibilidade no retail digital se torna cada vez mais estratégica”, observa Vicky Almeida.

O que chama atenção, por outro lado, é a alta demanda por cerveja sem álcool. Algumas marcas registram crescimento de até 179% nas buscas na comparação anual.

Os dados da solução de Retail Intelligence da Similarweb mostram que, na categoria de cervejas, Heineken, Budweiser e Corona concentram a maior demanda dos consumidores no ambiente digital.

Entre os produtos com melhor performance, destacam-se os packs de latas nos formatos 350ml e 473ml, evidenciando uma preferência crescente dos consumidores por esse item.

Já no segmento de cervejas zero álcool, a Budweiser aparece como a marca líder em demanda.

“Isso pode ser explicado pelo horário das partidas: muitas vão acontecer em dias de semana à noite. O Brasil pode jogar em uma segunda à tarde, por exemplo. As pessoas querem aproveitar o momento de ver o jogo, mas sabem que devem se resguardar”, analisa Ivo.


Fonte: SimilarWeb e Conversation

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