Lideranças de algumas das maiores cooperativas e mutualistas do mundo se reuniram em Bruxelas, na Bélgica, para a primeira Cúpula de Líderes do CM50. O encontro, realizado nos dias 29 e 30 de junho, reuniu representantes de 28 países para o alinhamento de projetos conjuntos voltados à inovação, à infraestrutura digital, à formação de lideranças e ao fortalecimento da intercooperação.
Representada por Adriano Michelon, diretor superintendente da Central Cresol Baser, a Cresol compartilhou sua experiência como agente financeiro do BNDES.
Além da apresentação do projeto, a cooperativa participou diretamente das discussões sobre a Cloud Coop e a criação de uma plataforma global de negócios entre cooperativas.
Em entrevista exclusiva à MundoCoop, Adriano analisa os avanços do CM50 e os possíveis impactos dessa articulação para as cooperativas, os cooperados e as comunidades.
O encontro em Bruxelas marcou uma etapa mais prática do CM50, voltada à inovação e à construção de projetos conjuntos. O que mais se destacou nessas discussões e que avanços foram alcançados a partir dessa aproximação entre as lideranças?
O CM50 deu passos importantes para transformar as ideias, que já vinham sendo debatidas desde o início do movimento, em 2025, em iniciativas concretas de cooperação global. Visto que o faturamento anual das 300 maiores cooperativas representaria hoje a 8ª economia do mundo, é um movimento com bastante potencial e foi uma grande oportunidade estar reunido, durante três dias, com alguns dos principais executivos do nosso segmento. As discussões passaram a olhar mais para os projetos com potencial de gerar valor e de fortalecer a cooperação entre os diferentes países e ramos cooperativistas participantes. Entendemos que desafios como inovação, tecnologia e sustentabilidade podem ser enfrentados de forma mais eficiente quando o cooperativismo atua em rede.
Nesta etapa do CM50, a Cresol apresentou sua trajetória como agente financeiro do BNDES, atuação que, em 2025, viabilizou mais de 100 mil operações de crédito e ampliou o acesso a diferentes linhas de financiamento. O que esse resultado demonstra sobre o papel das cooperativas financeiras na execução de políticas de desenvolvimento e na democratização do acesso ao crédito ?
A Cresol e o BNDES têm uma parceria histórica de 27 anos que mudou muitas perspectivas, pela capilaridade da nossa atuação. A Cresol foi o primeiro agente financeiro do BNDES para atender a agricultura familiar, micro e pequenos empreendedores e hoje se destaca nas liberações de crédito pulverizado nesse público. Nós conseguimos levar esse recurso a quem muitas vezes ainda encontra dificuldade nas instituições tradicionais. E isso também materializa os objetivos do BNDES, de gerar desenvolvimento, de fortalecer as economias locais. É um resultado que com certeza demonstra que as cooperativas são parceiras estratégicas na implementação das políticas públicas de desenvolvimento.
A construção de uma infraestrutura digital cooperativa ganhou espaço nos debates, especialmente diante do avanço da inteligência artificial e da concentração de dados em grandes plataformas. Que oportunidades esse modelo pode abrir para as cooperativas e para a intercooperação?
Sem dúvida, todas as grandes cooperativas no mundo estão buscando soluções para melhor atender seus cooperados. Mas, com os avanços constantes no cenário digital, está ocorrendo de certa forma uma terceirização da inteligência do negócio. A coordenação do CM50 apresentou uma visão de uma concentração cada vez maior dessa inteligência em poucas empresas. Essa tendência se distancia da essência do cooperativismo, em que o entendimento do negócio do nosso cooperado lá na sua comunidade, no seu município, é o grande diferencial. Então, o CM50 oferece um cenário em que as cooperativas dos diversos setores se unem para manter sua autonomia, o conhecimento do próprio negócio e fortalecer um ambiente de mais colaboração, com segurança e também muito aderente às necessidades dos cooperados.
Em qual frente do CM50 a Cresol pretende atuar de maneira mais direta e por quê?
Nós participamos de forma mais direta nas frentes de infraestrutura digital cooperativa, a Cloud Coop, e no marketplace, uma plataforma digital global para negócios entre as cooperativas, onde podemos agregar a nossa experiência em soluções financeiras e crédito. Estamos avaliando iniciativas a serem testadas no conceito do CM50 visando autonomia e redução de custo. Esses projetos têm um grande potencial para fortalecer a intercooperação e gerar novas oportunidades de negócios, mas esse é um esforço coletivo e que está conectado nos cinco compromissos que a cúpula definiu para atuar.
Uma das propostas do CM50 é ampliar a presença econômica do cooperativismo sem afastá-lo de sua finalidade social. Que resultados dessa articulação poderão ser percebidos, na prática, pelos cooperados e pelas comunidades atendidas pela Cresol?
Quando o cooperativismo atua em rede, ele amplia sua capacidade de gerar negócios, de desenvolver soluções inovadoras para os cooperados. Isso fortalece todo o sistema e o resultado esperado é mais acesso a oportunidades, mais segurança e agilidade nos processos para os cooperados, maior competitividade e desenvolvimento sustentável para as comunidades onde atuamos, sempre preservando a essência cooperativista de gerar valor econômico e também social.
Por João Victor Rezende – Redação MundoCoop












