Apesar da intensificação das tensões geopolíticas no cenário internacional, a ABBC – Associação Brasileira de Bancos avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá dar continuidade ao processo de calibração da taxa básica de juros. A entidade projeta um ajuste de menor magnitude, com redução adicional de 0,25 p.p. na taxa Selic, para 14,50% a.a., na reunião prevista para os dias 27 e 28 de abril.
Na avaliação da Associação, o atual ambiente demanda condução cautelosa da política monetária, diante da elevada incerteza quanto à magnitude e à persistência dos choques externos, especialmente aqueles associados ao conflito no Oriente Médio e seus desdobramentos sobre os preços de energia. Esse contexto tem implicado revisões altistas das projeções para a inflação, com as estimativas mais recentes indicando IPCA em 4,80% para 2026, mantendo-se acima do teto da meta.
A ABBC entende que um ritmo mais gradual de flexibilização monetária contribui para a convergência da inflação à meta, evitando a emissão de sinais inconsistentes ao mercado que possam intensificar a desancoragem das expectativas inflacionárias, sobretudo em horizontes mais longos.
Adicionalmente, destaca-se o papel atenuante da taxa de câmbio no curto prazo. Apesar da elevação expressiva das cotações internacionais do petróleo — com o Brent superando o patamar de US$ 100 por barril —, a apreciação do real frente ao dólar tem contribuído para mitigar o repasse, ainda que parcialmente, desses choques aos preços domésticos.
Por outro lado, a Associação ressalta a dificuldade de se antecipar a duração e a intensidade desses choques externos, bem como seus efeitos secundários sobre a dinâmica inflacionária. Soma-se a isso o desempenho mais resiliente da atividade econômica no início de 2026, que pode sustentar pressões de demanda e dificultar o processo de convergência da inflação à meta.
Dessa forma, a ABBC reforça que os próximos movimentos de política monetária deverão permanecer condicionados à evolução do cenário macroeconômico, em particular à trajetória das expectativas de inflação, ao comportamento da atividade e aos desdobramentos do ambiente externo.
“Mesmo com a continuidade do ciclo de cortes, a taxa de juros deverá permanecer em patamar significativamente contracionista, contribuindo para assegurar a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante e a manutenção do poder de compra da economia em um contexto de elevada incerteza global”, destaca o diretor de Economia, Regulação e Produtos da ABBC, Everton Gonçalves.
Fonte: ABBC – Associação Brasileira de Bancos












