Como disse José ‘Pepe’ Mujica: A vida não é só trabalhar, é preciso deixar um bom capítulo para as coisas que nos dão alegria, para as loucuras e gostos de cada um, respeitando sua individualidade. Sendo livre fazendo aquilo que nos dá prazer e que nos motivam.
Me parece bastante incontestável a percepção de Mujica e a classifico como manifestação genuína da própria natureza humana em busca da felicidade. Em linha com a teoria do utilitarismo que destaca que a única coisa de valor e boa em si mesma é a felicidade. Embora outras coisas tenham valor, o valor delas deriva da contribuição que dão para a felicidade.
Contudo, penso que este momento de plenitude e felicidade transbordante almejado por todos nós, somente se completa quando se descobre uma paixão, uma causa, um propósito que vai além de nós mesmos, onde o que fazemos se propaga para o benefício de outros e segue além do nosso próprio tempo e espelho.
Neste sentido, tenho para mim que o cooperativismo é o instrumento mais potente de todos os tempos para gerar prosperidade e felicidade compartilhada, promovendo dignidade, oportunidades e justiça. Ao seu modo, ele consegue combater as tristezas do mundo, que vão além da pobreza e da desigualdade, combate a falta de humanidade que por vezes existe, a cognição falida, a ausência da consciência coletiva desprovida de sentimento de fraternidade e solidariedade, as pobrezas da alma, que permitem explorar o próximo em benefício próprio ao invés de compartilhar esperança e acolhida.
O cooperativismo e seu modelo generativo, com compromisso genuíno pelas pessoas e seus entornos, é talvez o melhor ambiente para fazermos valer a pena o milagre que se impõe diariamente em cada aurora. Pois a partir dele soamos mais humanos, fraternos, com sentido de transformarmos o mundo em um lugar melhor, onde o que se constrói vai muito além das coisas que se podem comprar, dão de fato sentido e propósito a jornada de nossas vidas.
Acho primoroso o pensamento do italiano Ludovico Muratori, no livro ‘A felicidade pública’, onde defende que: Nosso desejo mestre e pai de tantos outros é nossa própria felicidade! Agora, em âmbito mais nobre, há outro desejo: o desejo pelo bem da sociedade, a felicidade coletiva e compartilhada. O primeiro de nossos desejos nasce da nossa natureza, já o segundo tem por mãe a nossa virtude.
Por natureza, o ser humano possui uma necessidade intrínseca de buscar sua felicidade, entretanto, ao ampliar sua percepção, passa a compreender que sua existência não é um evento isolado. E assim, por virtude descobre que vale a pena viver a experiência de servir a algo que sobreviverá a ele mesmo. Seja através da criação de filhos, da arte, do trabalho ou do impacto em uma comunidade, como as transformações que o cooperativismo proporciona.
Nossa capacidade de transcendência se impõe diante do medo da finitude e a espiritualidade nos convida a buscar o sentido da vida, enquanto isso, o cooperativismo nos permite conectar com essas duas forças na medida em que exercitamos nossa transcendência horizontal, impactando nossos semelhantes e o meio em que vivemos e, ao fim, ajuda a dar significado ao nosso existir.
A cultura e o exercício do cooperativismo despertam a nossa consciência coletiva, permitindo ter clareza e reconhecer a interdependência entre todos e tudo, entendendo que somos parte de um tecido maior e que nossas escolhas podem deixar um legado em favor do todo, inclusive da própria paz existencial. Isso se conecta com o pensamento de Dalai Lama quando atestava que: “A pessoa que é sábia, mas egoísta, cuida dos outros”! Te convido a viver o Coop!
Silvio Giusti é Consultor sênior, palestrante e articulista em cooperativismo

Coluna exclusiva publicada na edição 135 da Revista MundoCoop












