A integração entre inovação, estratégia e pessoas esteve no centro dos debates do World Coop Management (WCM) 2026, realizado nos dias 19 e 20 de outubro, no Minascentro, em Belo Horizonte (MG). Com o tema “Fusão”, o encontro reuniu mais de 2,5 mil participantes, mais de 120 palestrantes e 80 horas de conteúdo distribuídas por oito palcos simultâneos, segundo dados divulgados pela organização.
A edição deu continuidade à trilogia estratégica do WCM “Ouse Integrar”, iniciada em 2025 com “Conexão” e que será concluída em 2027 com “Singularidade”. A proposta deste ano foi avançar da aproximação entre a cultura das pessoas e a cultura da inovação para sua integração efetiva, explorando como essa combinação pode contribuir para o desenvolvimento das cooperativas.
Entre os principais destaques da programação estiveram os painéis dedicados aos seguros, ao agronegócio e ao crédito cooperativo. As discussões abordaram desafios como a ampliação do acesso a serviços, a adoção estratégica da inteligência artificial, a eficiência operacional e a preservação dos diferenciais do modelo cooperativista em mercados cada vez mais competitivos.
Seguros cooperativos buscam ampliar acesso e fortalecer a cultura de proteção
O painel “A Arte de Proteger: Como o cooperativismo redefine o valor do cuidado” reuniu Helton Freitas, da Seguros Unimed, Fabíola Motta, do Sistema OCB, Cesar Sault, da Icatu, e Marco Aurélio Almada, do Sicoob. A conversa explorou o potencial do cooperativismo para ampliar o acesso à proteção financeira e aproximar os seguros das necessidades de pessoas e organizações.
Um dos pontos levantados foi a baixa disseminação da cultura de seguros no Brasil. Os participantes discutiram como o setor pode superar barreiras de acesso, melhorar a distribuição de produtos e desenvolver soluções mais adequadas aos diferentes perfis de consumidores. Nesse processo, tecnologia e análise de dados foram apontadas como ferramentas para qualificar a oferta e fortalecer o relacionamento com os clientes e cooperados.
A discussão também destacou a importância de integrar serviços financeiros e seguros, criando oportunidades de negócio e facilitando o acesso à proteção. Para Marco Aurélio Almada, a inovação nos modelos de negócio pode ampliar a oferta sem exigir um crescimento proporcional dos custos. Como sintetizou o executivo, “Desmaterialização de custo gera inclusão”.
A intercooperação apareceu como outro caminho para fortalecer o segmento. Mais do que oferecer produtos, o desafio está em consolidar um modelo que combine eficiência, confiança e inclusão, mantendo o cuidado como elemento central da atividade seguradora.

Agronegócio precisa inovar sem perder de vista o produtor
No painel Global Agro, intitulado “Liderança Ambidestra”, Natxo de Vicente, economista ligado ao ecossistema Mondragon, Tania Zanella, do Sistema OCB, Sílvia Massruhá, da Embrapa, e José Luiz Tejon, professor e especialista em agronegócio, discutiram como as cooperativas podem responder às transformações tecnológicas e econômicas sem comprometer sua capacidade de atender aos produtores.
A inteligência artificial esteve entre os principais temas da conversa. Os participantes abordaram seu potencial para apoiar decisões, aprimorar processos produtivos e fortalecer atividades como assistência técnica e extensão rural. Ao mesmo tempo, ressaltaram que a aplicação dessas ferramentas precisa considerar as particularidades de cada região e as necessidades dos diferentes perfis de produtores.
Tania Zanella destacou a importância de construir referências institucionais para orientar a adoção da inteligência artificial e reforçou o papel dos dados na tomada de decisão. A dirigente também chamou atenção para a necessidade de atrair jovens para o cooperativismo e manter as pessoas no centro das estratégias. “O que nos move são as pessoas no centro”, afirmou.
A capacitação e a integração de conhecimentos também foram apontadas como condições para que a inovação gere resultados. A aproximação entre profissionais de áreas distintas, instituições de pesquisa e cooperativas pode contribuir para transformar recursos tecnológicos em soluções aplicáveis à realidade do campo.
Outro desafio discutido foi o risco de ampliar desigualdades entre cooperativas com diferentes capacidades de investimento e acesso à tecnologia. Nesse contexto, a intercooperação pode favorecer o compartilhamento de conhecimento e experiências, ampliando as possibilidades de adoção de novas ferramentas.
Crédito cooperativo coloca o relacionamento no centro da eficiência
O painel Global Credit, “O Humano no Centro da Eficiência”, reuniu Márcio Port, do Sicredi, Victor Magallanes González, da Concamex, Ariel Guarco, da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), e Manuel Guerreiro, da Caixa Agrícola Torres Vedras. O debate abordou como as cooperativas financeiras podem acompanhar a evolução tecnológica do mercado sem perder o vínculo com seus cooperados.
A transformação digital amplia as possibilidades de atendimento, automatização e análise de dados, mas também cria novos desafios de inclusão. Victor Magallanes González chamou atenção para o risco de que pessoas com dificuldades de acesso ou de familiaridade com ferramentas digitais enfrentem novas barreiras para utilizar serviços financeiros. Como resumiu o participante, “Ante tivemos a exclusão financeira, agora temos uma exclusão digital”.
Os participantes também discutiram a necessidade de as cooperativas oferecerem produtos e experiências competitivos em relação aos demais agentes do mercado. Nesse processo, a proximidade com as comunidades foi apontada como um diferencial capaz de orientar soluções mais alinhadas às realidades locais.
A inteligência artificial, por sua vez, exige atenção à ética, à transparência e à supervisão humana. O uso dessas tecnologias precisa ser acompanhado de mecanismos que reduzam o risco de decisões discriminatórias e preservem a participação dos cooperados.
A discussão mostrou que eficiência não deve ser entendida apenas como redução de custos ou ganho de escala. Para o cooperativismo financeiro, ela também depende da capacidade de gerar valor social, fortalecer relacionamentos e manter os membros no centro das decisões.
Outros debates ampliaram a discussão sobre o futuro do setor
Além dos três painéis, o WCM 2026 reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir saúde mental e longevidade, tendências econômicas da China, inteligência artificial, liderança e transformação cultural. A programação também incluiu reflexões sobre a integração entre gerações, o futuro do trabalho e as mudanças nos modelos de gestão.
Os debates foram distribuídos por oito palcos, entre eles Mundo, 360, Agro, Crédito, CoopTech, CoopTalks Comunica, Performance e Geração Coop. Cada espaço abordou diferentes dimensões da gestão cooperativista, da inovação tecnológica à governança, passando por comunicação, desenvolvimento de lideranças e estratégias para os diversos ramos.
Na abertura, Luiz Branco, CEO do WCM, destacou a importância de aproximar a cultura cooperativa, centrada nas pessoas, da cultura da inovação. A mensagem sintetizou o propósito da edição, que buscou discutir como as cooperativas podem incorporar novas tecnologias e modelos de negócio sem abrir mão de seus princípios e de sua identidade.
Um olhar completo sobre o WCM 2026
A cobertura da MundoCoop seguirá aprofundando os principais conteúdos e reflexões do encontro. A próxima edição da revista MundoCoop disponibilizará um e-book especial e completo sobre o WCM 2026, reunindo os principais debates, ideias e aprendizados dos dois dias de evento.
Além de todos os detalhes do palco CoopTalks Comunica, realizado pela MundoCoop durante o evento.
Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop












