O cooperativismo no Pará tem se consolidado como um espaço fértil para que o desenvolvimento e reconhecimento da atuação feminina no cooperativismo e o seu impacto nas comunidades locais. A atuação das mulheres no setor tem agido como uma importante ferramenta de transformação social por meio da ampliação de condições de trabalho, renda e autonomia.
Esse movimento reflete a mobilização das cooperadas e o apoio institucional, que tem gerado conquistas importantes no estado. Entre elas, a criação de comitês voltados à equidade de gênero e a instituição de datas oficiais que reconhecem a força feminina no setor.
E, sob este contexto, o cooperativismo feminino ganhou destaque em um encontro virtual que reuniu lideranças, cooperadas e representantes do setor em alusão ao Dia do Cooperativismo Feminino no Pará, instituído pela Lei 9.107/2020.
A programação, realizada na última terça-feira (26), contou com reflexões sobre a trajetória das mulheres no setor, além de debates sobre desafios e oportunidades para fortalecer sua presença em espaços de decisão.

Divani Ferreira, analista da Gerência de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, destacou o papel estratégico do Comitê Nacional Elas pelo Coop, criado em 2020 e responsável pela estruturação das diretrizes para fomentar lideranças e ampliar a representatividade feminina no cooperativismo.
Inclusão como pilar para o desenvolvimento
Além do reconhecimento prestado à população feminina nas cooperativas, o evento ressaltou que garantir o protagonismo das mulheres é condição essencial para a construção de um cooperativismo mais justo e inovador.
De acordo com o Anuário do Cooperativismo 2025, no Brasil, as mulheres já representam 41,8% dos cooperados, sendo maioria em ramos como trabalho (56,8%) e saúde (50,1%). Além disso, entre os empregados das cooperativas, elas ocupam 52,7% dos postos de trabalho.
No Pará, esse avanço também é perceptível. Em 2024, houve um aumento de 16,7% no número de mulheres cooperadas em relação ao ano anterior, fazendo com que elas passassem a representar 37% dos mais de 80,5 mil cooperados no estado. Os principais ramos em que atuam são crédito, trabalho, produção de bens e serviços, consumo e agropecuário, evidenciando que a presença feminina já se espalha por áreas estratégicas da economia paraense.
Para a analista Divani Ferreira, o desafio é transformar essa representatividade crescente em participação efetiva nos espaços de decisão e liderança. “O Elas pelo Coop trouxe representação institucional, intercooperação, elaboração de diretrizes e formação. É a partir desses eixos que as iniciativas vêm ganhando força — seja com a criação de comitês estaduais ou com a ampliação de programas que inspiram mais mulheres a ocuparem espaços de decisão.”
O presidente da OCB/PA, Ernandes Rayol, também destacou que a força, a competência e a solidariedade das mulheres sustentam o cooperativismo como um projeto de vida e de futuro. Nesse sentido, os marcos já conquistados no Pará, como a instituição da Lei 9.107/2020 e a realização de eventos voltados à pauta feminina, apontam para um caminho de consolidação da equidade de gênero como motor de desenvolvimento econômico e social no estado.
Por João Victor, Redação MundoCoop