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Geração digital, propósito real: por que os jovens estão redescobrindo as agências das cooperativas

Mundo Coop POR Mundo Coop
26 de novembro de 2025
DESTAQUES, DESTAQUES DA REVISTA, ECONOMIA
Geração digital, propósito real: por que os jovens estão redescobrindo as agências das cooperativas

Geração digital, propósito real: por que os jovens estão redescobrindo as agências das cooperativas

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Com o avanço da digitalização e a popularização dos canais virtuais, ir a uma agência bancária pode parecer um hábito do passado. No cooperativismo de crédito, porém, essa realidade é diferente: as agências seguem como espaços de relacionamento, orientação e conexão entre pessoas e propósitos, mostrando que, mesmo em um cenário cada vez mais digital, o contato humano continua essencial.

Enquanto os grandes bancos reduzem seus espaços físicos — com o número de agências tradicionais caindo de mais de 20 mil em 2016 para cerca de 13,8 mil em 2024, segundo o Banco Central —, as cooperativas de crédito seguem na direção oposta. De acordo com o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, o setor já conta com mais de 10 mil agências em funcionamento em todo o país.

Agências ganham novo significado

As cooperativas têm reinventado seus modelos de atendimento, transformando as agências em verdadeiros espaços de relacionamento e conexão com a comunidade. Esse movimento tem atraído especialmente as novas gerações — jovens que cresceram em meio à era digital, mas que hoje buscam experiências presenciais mais humanas, acolhedoras e alinhadas a propósitos coletivos.

Para Roberta Porto, integrante do Comitê Jovem do Cooperativismo do Sistema Ocemg, essa preferência não é contraditória. “Os jovens cresceram na era digital, mas buscam propósito e pertencimento nas relações. Quando encontram um espaço físico que representa isso, voltam a se conectar com a experiência de estar junto”, explica.

Segundo ela, para ir de encontro com essa tendência, o ambiente da agência precisa ser repensado — não como um balcão de atendimento, mas como um ponto de convivência, aprendizado e troca. “As novas gerações querem se sentir parte. As agências que viram hubs de relacionamento, com coworkings, eventos e capacitações, despertam esse interesse. É ali que o jovem entende que a cooperativa é dele também”, destaca.

ECONOMIA Roberta Porto copiar

“O aplicativo pode resolver tudo, mas ele não cria vínculo. O jovem precisa sentir que está construindo algo junto” – ROBERTA PORTO, INTEGRANTE DO COMITÊ JOVEM DO COOPERATIVISMO DO SISTEMA OCEMG

Propósito e pertencimento como diferencial

O cooperativismo, por essência, trabalha com valores que ressoam fortemente entre os jovens: colaboração, comunidade e impacto social. Em um cenário onde o digital é cada vez mais impessoal, o espaço físico recupera algo essencial — a sensação de pertencimento. “O aplicativo pode resolver tudo, mas ele não cria vínculo. O jovem precisa sentir que está construindo algo junto”, completa.

Apesar do fechamento de agências ser economicamente eficiente, o que se sacrifica com essa decisão traz uma perda simbólica. Mas o olhar singular das cooperativas, enxerga nesse ponto, uma oportunidade. Segundo Edgar de Abreu, professor e CEO da 4U EdTech, as cooperativas veem o investimento nesses espaços como um ponto vital para o relacionamento, não apenas com os jovens, mas com todo o público abraçado pela cooperativa. “A agência deixa de ser um ponto de atendimento e passa a ser um espaço de confiança e identidade coletiva”, reforça.

“A agência deixa de ser um ponto de atendimento e passa a ser um espaço de confiança e identidade coletiva” – EDGAR DE ABREU, PROFESSOR E CEO DA 4U EDTECH

ECONOMIA Edgar de Abreu copiar

Para Abreu, o digital é hoje o padrão mínimo, não o diferencial. “Todos os bancos oferecem app, IA e atendimento 24 horas. O que distingue uma instituição é a experiência humana. E é aí que o espaço físico volta a ter relevância — como lugar de encontro, orientação e vínculo.”

Essa nova função das agências é evidenciada pelos números do próprio sistema cooperativo. Com mais de 10 mil unidades espalhadas por 3.200 municípios, as cooperativas de crédito já atendem quase 20 milhões de brasileiros. Em mais de dois mil desses municípios, elas representam a única instituição financeira presencial. Isso demonstra que os espaços físicos continuam exercendo um papel essencial de inclusão financeira e social, sobretudo em regiões onde a tecnologia ainda não alcança todos ou não substitui o valor do contato humano.

Para Roberta, esse cenário ainda carrega um componente educacional importante. “O jovem quer entender o que faz com o seu dinheiro, quer ter autonomia financeira. Mas aprender sobre crédito, investimento e responsabilidade é mais fácil quando há alguém para conversar, e o ambiente físico facilita esse aprendizado.”

Na visão de Edgar, o futuro do relacionamento financeiro não será apenas digital, nem totalmente presencial. “O modelo ideal é híbrido. A tecnologia deve cuidar da agilidade, mas o humano precisa cuidar do significado. A agência física serve para lembrar que as finanças são sobre pessoas, não apenas sobre números.”

Entre o digital e o humano: onde o cooperativismo se fortalece

Ao contrário do que se imaginava, as novas gerações não estão afastando o físico do sistema financeiro — estão apenas redefinindo o que ele representa. Se antes a agência era vista como um espaço burocrático, voltado a operações e procedimentos, hoje ela se transforma em um ponto de encontro, pertencimento e construção de identidade cooperativa. É nesse ambiente que o relacionamento ganha significado, a confiança é fortalecida e os propósitos se conectam de forma mais humana.

“O digital resolve o que fazer. O físico mostra por que fazer”, resume Edgar. E é justamente nesse equilíbrio entre o que a tecnologia facilita e o que o contato humano inspira que o futuro das finanças — e, em especial, do cooperativismo — deve se consolidar. Um futuro em que a agência deixa de ser apenas um local de transações e passa a ser um espaço de experiências, onde valores cooperativos são vividos, compartilhados e transformados em impacto real nas comunidades.

Tendências no horizonte

  • Bancos seguem fechando agências e investindo em superapps e atendimento via IA
  • Cooperativas transformam unidades físicas em hubs de relacionamento e educação financeira
  • Espaços híbridos ganham força: coworkings, cafés, auditórios e centros de convivência
  • Presença territorial das cooperativas amplia a inclusão financeira no interior do país

Por Leonardo César, Redação MundoCoop

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Reportagem exclusiva publicada na edição 126 da Revista MundoCoop

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