Com 4,23 milhões de cooperados e uma movimentação econômica de R$ 184 bilhões, o cooperativismo ampliou sua presença na economia de Minas Gerais em 2025. O volume movimentado já equivale a 15,9% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, enquanto o número de associados cresceu 13% em apenas um ano.
Os resultados do Anuário de Informações Econômicas e Sociais do Cooperativismo Mineiro 2026 mostram que esse avanço ganhou velocidade nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, a movimentação econômica das cooperativas passou de R$ 93,5 bilhões para R$ 184 bilhões, crescimento de 97%. Apenas no último ano, a alta foi de 16,6%, e o setor encerrou 2025 com mais de 64 mil empregos diretos.
Para Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, os resultados combinam presença em atividades estratégicas para o estado e maior capacidade de adaptação das organizações. “As cooperativas ampliaram a profissionalização da gestão, o uso de tecnologia, a assistência aos cooperados e a agregação de valor aos produtos e serviços. Ao ampliar o acesso a recursos, conhecimento e mercados, fortalecem as atividades dos cooperados e a economia das regiões onde atuam”, analisa.
Novas frentes de crescimento
Depois de praticamente dobrar sua movimentação em quatro anos, o cooperativismo mineiro ainda encontra espaço para avançar dentro de cadeias nas quais já possui presença relevante. No Agropecuário, que movimentou R$ 66,8 bilhões em 2025, Scucato aponta oportunidades em armazenagem, beneficiamento, industrialização e comercialização, com potencial para reduzir a dependência de commodities e manter uma parcela maior da riqueza gerada com os produtores.

Na Saúde, as cooperativas atendem 3,9 milhões de pessoas, e a interiorização dos serviços e o uso de tecnologia aparecem entre as principais frentes de avanço. Já o ramo Crédito, com movimentação de R$ 93,4 bilhões em 2025, pode ampliar seu papel no financiamento de investimentos e na modernização de pequenos e médios negócios.
A abertura de novas frentes, entretanto, precisa acompanhar as características de cada território. “A diversificação precisa partir de necessidades concretas das regiões e ser acompanhada de viabilidade econômica, boa gestão e formação profissional”, afirma Scucato.
Desenvolvimento chega ao interior
Em 720 municípios mineiros, equivalentes a 84,4% das cidades do estado, as cooperativas de crédito já mantêm presença e reúnem mais de 3,5 milhões de associados. Em 84 localidades, são a única instituição financeira com atendimento físico, ampliando o acesso a serviços justamente onde outras instituições reduziram sua atuação.
Essa presença também aproxima o crédito das características das economias locais. O conhecimento sobre produtores, comerciantes e pequenos empreendedores permite direcionar recursos para custeio, investimentos, modernização e capital de giro. Como os associados são também donos da instituição, os resultados podem retornar ao quadro social ou fortalecer a capacidade de financiamento da própria região.
“Não se trata apenas de oferecer uma conta ou uma operação de crédito. Trata-se de manter recursos circulando, apoiar atividades produtivas e gerar trabalho e renda no interior”, destaca Scucato.
Com organizações maiores e mais complexas, gestão de riscos, governança, legislação, segurança da informação e tecnologia também passaram a exigir dirigentes e profissionais mais preparados. Em 2025, as cooperativas mineiras conquistaram 81 dos 133 troféus do Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão, 61% do total nacional e o maior resultado alcançado por cooperativas vinculadas a uma mesma Organização Estadual.
“Costumo dizer que o cooperativismo mineiro é forte porque prepara as pessoas e as lideranças. Isso tem influência direta nos resultados. Esse desempenho é resultado de um trabalho contínuo de aprimoramento da governança e da gestão”, avalia.
De 145 representantes a 4,23 milhões de cooperados
Quando 145 representantes de cooperativas mineiras fundaram a Ocemg, em 11 de setembro de 1970, o desafio era organizar o setor, construir uma agenda comum e ampliar sua representação junto ao poder público. De uma pequena sala alugada no centro de Belo Horizonte, a entidade passou a representar 788 cooperativas, que hoje reúnem 4,23 milhões de associados.
A atuação também se ampliou. À representação institucional e à orientação jurídica e técnica foram incorporadas iniciativas de formação de lideranças, gestão, governança, inovação e articulação de políticas públicas. Entre os marcos estão o primeiro Anuário do Cooperativismo Mineiro, lançado em 2006, e o Dia de Cooperar, criado em 2009 e posteriormente nacionalizado.
Para Scucato, essa evolução aumentou a capacidade de responder a transformações econômicas e regulatórias. “Os desafios atuais incluem a digitalização, os riscos climáticos, a transição energética e a sucessão das lideranças. A missão permanece a mesma, mas a entidade ampliou sua capacidade de antecipar mudanças, produzir conhecimento e preparar as cooperativas para cenários cada vez mais complexos”, explica.
Próximo ciclo amplia desafios
Os mesmos avanços que elevaram a presença econômica do setor também trouxeram novas exigências. Segurança digital, uso de dados, preparação para os impactos climáticos e formação de lideranças com maior participação de jovens e mulheres aparecem entre as prioridades apontadas por Scucato para os próximos anos.
A intercooperação também pode ampliar a escala dos projetos, reduzir custos e aproximar diferentes ramos. Ao Sistema Ocemg, caberá manter a atuação institucional e oferecer instrumentos para que as cooperativas continuem avançando em profissionalização e inovação.
“Às cooperativas cabe permanecer próximas dos associados, investir com responsabilidade e acompanhar as transformações do mercado. Espaço para crescer não falta. O desafio é fazer com que esse avanço continue gerando competitividade para os negócios e desenvolvimento para as comunidades”, conclui Scucato.
Por João Victor Rezende – Redação MundoCoop

Matéria exclusiva publicada na edição 135 da Revista MundoCoop












