Em 2026, o principal desafio das cooperativas será transformar o ESG em gestão prática. A sustentabilidade deixa de ocupar um espaço periférico, e passa a integrar a rotina do negócio, com metas claras, indicadores, governança e visibilidade sobre toda a cadeia de valor. A vantagem competitiva não estará em aderir a conceitos, mas em antecipar riscos, agir com agilidade e comprovar, com dados confiáveis, o que está sendo feito.
Na cadeia de valor, fica o ponto central da agenda. É nela que riscos trabalhistas, socioambientais, de integridade, reputação e conformidade surgem primeiro. O foco tende a sair do simples cadastro e avançar para uma visão contínua de risco, com critérios objetivos, monitoramento recorrente e decisões mais seguras sobre relacionamento e contratação. Cooperativas que estruturam essa lógica reduzem exposição e ganham velocidade na tomada de decisão.
Nesse contexto, o MRV (monitorar, reportar e validar) deixa de ser acessório e se consolida como disciplina de gestão. Em 2026, o diferencial estará menos em “ter iniciativas” e mais em apresentar evidências consistentes, comparáveis e auditáveis. Isso fortalece a governança interna, aumenta a credibilidade externa e reduz retrabalho, versões paralelas e validações manuais, ao mesmo tempo em que prepara as cooperativas para um ambiente regulatório mais exigente.
O risco climático e os impactos sobre a natureza também ganham centralidade, não apenas pelos eventos extremos, mas pelos efeitos diretos sobre continuidade operacional, produtividade, logística, preços e disponibilidade. Cooperativas que conectem esses riscos à realidade da sua cadeia, criando rotinas de acompanhamento, estarão mais preparadas para decidir com menos surpresa e maior resiliência.
Por fim, a maturidade do ESG em 2026 também encontra o uso inteligente dos dados. Quando critérios claros, avaliações padronizadas e informações confiáveis passam a orientar prioridades, planos de ação e oportunidades de melhoria, o ESG deixa o relatório e entra definitivamente na gestão. O resultado é uma agenda que conecta sustentabilidade a eficiência, redução de riscos, fortalecimento reputacional, novos negócios e geração de valor compartilhado para todo o ecossistema cooperativo.
ESG na Cadeia de Fornecimento: Como Transformar Sustentabilidade em Impacto Positivo Global
Em um cenário cada vez mais orientado por critérios de sustentabilidade, integrar práticas ESG à cadeia de fornecimento deixou de ser opcional e passou a ser uma decisão estratégica. Essa integração reduz riscos operacionais, financeiros e reputacionais, ao mesmo tempo em que cria oportunidades de impacto positivo e fortalece o papel das cooperativas em um ambiente econômico mais exigente.
O ESG na cadeia atua como instrumento de mitigação de riscos e de competitividade. Cadeias sustentáveis são cada vez mais demandadas em acordos comerciais, financiamentos e parcerias, e o engajamento de cooperativas e fornecedores locais contribui para uma transição mais inclusiva para a economia verde, fortalecendo comunidades e relações de longo prazo.
Ir além da conformidade significa buscar impacto positivo, com benefícios concretos para o meio ambiente e a sociedade. Iniciativas como valorização de resíduos, inclusão de pequenos produtores e estímulo à inovação circular transformam desafios socioambientais em ganhos de eficiência, geração de renda e diferenciação competitiva.
A economia circular se consolida como base dessa transformação ao substituir o modelo linear por práticas que mantêm materiais em uso, reduzem desperdícios e regeneram sistemas naturais. Na cadeia de fornecimento, isso se traduz em design para reutilização e reciclagem, logística reversa estruturada e parcerias locais, com cooperativas atuando como agentes centrais desse processo.
Para sustentar essa agenda, é essencial adotar critérios claros de avaliação ESG, investir na capacitação dos parceiros, monitorar indicadores de impacto e fortalecer a governança colaborativa. Integrar ESG à cadeia de fornecimento, portanto, é uma oportunidade de gerar valor compartilhado e posicionar as cooperativas como protagonistas da economia sustentável.
***Renata Pradier Farias é colunista da ESGreen. Especialista em Cooperativismo pela UNISINOS, MBA em ESG na PUC/RS, mais de 20 anos de experiência em Compras e participou da construção do Manual de Compras Sustentáveis (CEBDS) em 2014.
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Conteúdo exclusivo publicado na edição 128 da Revista MundoCoop












