Empreendedora multiplica faturamento em 35 vezes com chips de banana

Após enfrentar dívidas e recomeços, empreendedora estruturou o negócio e hoje fatura cerca de R$ 24 mil por mês.

A mineira Vanuza Ferreira de Araújo, de 38 anos, transformou um hábito de infância em negócio e viu o faturamento da pequena empresa que criou aumentar 35 vezes em menos de três anos. Natural de Minas Gerais, ela cresceu no Vale do Ribeira, em São Paulo, onde se acostumou a consumir chips de banana e de inhame, tradição que mais tarde daria origem ao empreendimento. 

Em 2018, já morando em Santa Catarina, levou os snacks para o lanche na empresa têxtil onde trabalhava. A receptividade dos colegas incentivou o início das vendas. O que começou como uma fonte de renda complementar logo se tornou a principal atividade da família. Em 2020, porém, Vanuza deixou o emprego para cuidar do filho com deficiência. “A gente estava indo bem, mas aí veio a pandemia e tivemos que fechar”, conta. 

Com as dificuldades enfrentadas durante o período, a família retornou para São Paulo. Nesse meio tempo, continuou trabalhando em empresas da região e até tentou retomar o negócio em sociedade. “Mas as pessoas só queriam aprender a receita e depois me dispensavam”, lamenta.

Há três anos, ela precisou novamente deixar um emprego com carteira assinada para cuidar do filho e retomou a venda dos chips para conhecidos. “Eu estava cheia de dívidas, não tinha dinheiro para comprar ingredientes e estava vendendo pouco. Até que recebi uma encomenda de quase R$ 2 mil. Os pedidos foram aumentando e eu produzia tudo na pequena cozinha do apartamento”, conta.

Com o aumento da demanda, em apenas dois meses surgiu a necessidade de um espaço maior. “Eu tinha medo de abrir. Estava com o nome negativado, não tinha cartão de crédito. Eu esperava receber uma venda para poder comprar insumo para produzir”, lembra. Mesmo assim, alugou um espaço e, com apenas duas fritadeiras, passou a triplicar a produção.

Ela e o marido chegavam a dormir no chão e acordavam horas depois para continuar produzindo até de madrugada. “Meu esposo ainda trabalhava fora, no bananal, e só podia me ajudar à noite e nos finais de semana.” Mas o “boca a boca” foi aumentando e logo novos clientes surgiram.

Renegociar dívidas para crescer

Determinada a fazer o negócio avançar, Vanuza renegociou débitos acumulados e buscou organização financeira. “Comecei com R$ 700, na cara e na coragem. Fui aprendendo com os erros e negociando as dívidas. O que eu conseguia, pagava à vista; o restante, parcelava”, relata.

Foi nesse período que ela procurou a Viacredi, uma cooperativa Ailos, para abrir contas física e jurídica. Com acesso a cartão de crédito e posteriormente a linhas de crédito, conseguiu comprar insumos, formar estoque de embalagens e óleo e oferecer mais prazo para os clientes.

“Foi quando tudo começou a melhorar de verdade, porque passamos a conseguir nos planejar. Antes eu precisava esperar vender para comprar matéria-prima. Depois tivemos mais segurança para crescer”, afirma.

Atualmente, a VC Chips funciona em uma cozinha alugada ao lado da casa de Vanuza, em Corupá, município a 22 km de Jaraguá do Sul (SC). O marido deixou o emprego para trabalhar no negócio e o casal conta com a ajuda de uma colaboradora responsável por descascar as bananas.

Os chips são produzidos com banana verde fatiada, frita e desidratada e uma receita guardada a sete chaves. “Eu fui aperfeiçoando ao longo do tempo, fazendo testes, ajustando os temperos e melhorando a receita todos os dias”, explica.

A empreendedora começou cortando as bananas manualmente, com um ralador doméstico. Aos poucos, estudou técnicas para melhorar a textura e reduzir a absorção de óleo. Também passou a testar combinações de temperos naturais até chegar às versões atuais.

“Nem todos os testes davam certo, mas fui aprendendo. Hoje nosso diferencial está justamente nesse processo artesanal e em alguns segredos da produção que a gente preserva”, diz.

A empresa produz chips nos sabores tradicional, cebola e salsa, bacon, lemon pepper e canela, além de uma versão de inhame feita ocasionalmente.

Estoque vendido em duas horas

A aceitação dos produtos ficou ainda mais evidente durante a Feira do Negócio Local da Viacredi, realizada em Jaraguá do Sul, em maio. Inicialmente, Vanuza não queria participar.

“Eu quase desisti. Nunca tinha participado de uma feira e achava que não seria para mim. A equipe insistiu bastante para que eu me inscrevesse”, conta. Como a produção é feita basicamente pelo casal, ela chegou ao evento acreditando que a quantidade preparada seria suficiente. Não foi.

“No primeiro dia, em duas horas, eu já tinha vendido todos os pacotes dos sabores. Precisei fechar a banca e buscar mais produtos. Depois vendi tudo de novo”, lembra. Ao todo, mais de 500 pacotes foram comercializados durante os dois dias da feira. “Se eu tivesse produzido mais, teria vendido mais. Em vários momentos a banca ficou vazia.”

Para Vanuza, a experiência trouxe mais do que vendas. Trouxe confiança. “Eu ainda enfrento dificuldades e sei que tenho muito para aprender, principalmente na precificação. Hoje vejo que meu produto precisa ser mais valorizado. Melhor vender menos e manter a empresa saudável do que correr o risco de fechar”, afirma.

Atualmente, a VC Chips registra faturamento bruto mensal em torno de R$ 24 mil. Apesar do crescimento, Vanuza destaca que grande parte da receita é destinada aos custos da operação.

“Não existe segredo. É trabalhar, aprender com os erros e não desistir. A feira me mostrou o valor do meu produto e me deu segurança para enxergar onde a empresa pode chegar. Foi uma forma de mostrar para as pessoas que o nosso produto é bom”, conclui.

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Vanuza Ferreira de Araújo, empreendedora – FOTO: G2 Filmes

Sobre a Viacredi  

Maior cooperativa de crédito do Brasil em número de cooperados, a Viacredi é uma cooperativa Ailos, com mais de 1 milhão de cooperados, presença em 28 municípios de Santa Catarina e Paraná, 112 Postos de Atendimentos e mais de 2 mil colaboradores. São mais R$ 16 bilhões em ativos, R$ 9,3 bilhões em operações de crédito e mais R$ 11,8 bilhões em depósitos totais. Constituída em 1951, a Cooperativa tem como propósito unir pessoas para transformar vidas, sempre comprometida com os princípios cooperativistas, com seus cooperados e com as comunidades onde está presente. Para mais informações: www.viacredi.coop.br.     

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Informação e inspiração para o cooperativismo.

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