Longevidade e o papel das cooperativas

O Brasil está envelhecendo, mas será que estamos, de fato, nos preparando para isso?

Em poucas décadas, seremos um país com mais idosos do que jovens. Segundo o IBGE, até 2050 mais de 30% da população terá mais de 60 anos. A expectativa de vida já ultrapassa os 76 anos e continua crescendo.

Vivemos mais, mas ainda planejamos pouco.

E aqui começa a reflexão que importa: o que estamos fazendo, hoje, para sustentar esse tempo a mais que conquistamos?

Porque viver mais não é, por si só, uma vitória completa. Sem renda, sem planejamento e sem pertencimento, longevidade pode se tornar um risco, individual e coletivo.

Os dados mostram que a maior parte da população ainda não construiu reservas suficientes para o futuro. Estudos da ABRAPP e do Ipea apontam para um cenário de pressão crescente sobre o sistema e baixa preparação financeira das famílias.

E é aqui que entra uma pergunta que precisa ecoar dentro do cooperativismo: estamos, de fato, ajudando as pessoas a viver melhor… ou apenas a viver mais?

Cooperativas sempre foram construídas para resolver problemas reais das pessoas. Mas a longevidade talvez seja o maior desafio da nossa geração.

E ele exige mais do que produtos. Exige consciência. Educação. Provocação. Exige conversas que nem sempre são confortáveis, mas que são necessárias.

Estamos falando com nossos cooperados sobre futuro?
Estamos ajudando eles a entender o impacto das escolhas de hoje?
Estamos criando caminhos para que eles construam segurança ao longo da vida?

Ou seguimos focados apenas no presente?

A longevidade muda o jogo do crédito, do consumo, da relação com o dinheiro e, principalmente, da responsabilidade das instituições que caminham ao lado das pessoas.

Talvez o maior papel do cooperativismo, daqui para frente, não seja apenas financiar sonhos.
Mas ajudar a sustentá-los ao longo do tempo, porque, no fim, não se trata apenas de viver mais anos. Se trata de viver melhor e com dignidade em cada etapa da vida.

E isso não acontece por acaso, acontece por escolha e por construção coletiva.


Por Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência | 25 anos em Previdência Complementar, Presidente do Lide Mulher e Diretora da Uniabrapp

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Coluna exclusiva publicada na edição 130 da Revista MundoCoop

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