Há um movimento acontecendo no sistema financeiro brasileiro. Enquanto os bancos tradicionais reduzem o número de agências, as cooperativas de crédito fazem o movimento contrário e ampliam sua presença física. É uma consequência natural do jeito de fazer negócios do cooperativismo.
Cooperativa de crédito não é banco. Nas cooperativas, os clientes são também donos, participam das decisões, votam nas assembleias e têm direito à participação nos resultados. Por isso, estar próximo do cooperado não é apenas uma estratégia comercial: faz parte da lógica do modelo.
É claro que a tecnologia mudou a relação com as instituições financeiras. Aplicativos, internet banking e canais digitais resolvem boa parte das nossas necessidades. Nesse ponto, bancos e cooperativas oferecem recursos muito parecidos.
Mas tecnologia e proximidade não são coisas opostas. São complementares.
Quando o assunto é dinheiro, crédito, investimento ou planejamento para o futuro, muitas vezes queremos conversar com alguém. Fazer perguntas, explicar nossa situação, ouvir uma orientação e tomar uma decisão com mais segurança. Um aplicativo pode facilitar a operação, mas não substitui a relação olho no olho com o gerente.
Por isso, a agência física não é um custo que precisa ser eliminado. É um investimento no cooperado.
Os números mostram a importância dessa presença. Segundo o Sistema OCB, as cooperativas de crédito estão presentes em 59% dos municípios brasileiros. Em 1.072 cidades, são a única instituição financeira com atendimento presencial – estamos falando de quase 20% das cidades. Nesses lugares, o único lugar físico para conversar sobre um investimento ou receber consultoria para uma decisão financeira é a cooperativa.
Esse crescimento aparece nos números. A carteira de crédito das cooperativas avançou 13,1% em 2025, contra 8,5% no restante do sistema financeiro, mostra o Banco Central.
É por isso que acredito que a agência física não está desaparecendo: ela está mudando de função. Menos lugar para fazer operações simples e mais espaço para relacionamento, orientação e decisões que precisam de conversa.
Para um modelo que coloca o cooperado no centro, isso faz todo sentido.
*Marcelo Vieira Martins é CEO da Unicred União












