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Ração brasileira terá nanonutrientes de cooperativa da Índia

Indiana IFFCO, a maior do segmento no mundo, e empresários brasileiros vão importar componentes e preveem construir fábrica no país

Mundo Coop POR Mundo Coop
25 de fevereiro de 2026
AGRONEGÓCIO
Ração brasileira terá nanonutrientes de cooperativa da Índia

Ração brasileira terá nanonutrientes de cooperativa da Índia

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Maior cooperativa agrícola do mundo, a indiana IFFCO acaba de acertar um novo investimento no Brasil para ampliar os usos da nanotecnologia em insumos agropecuários. Após sua empreitada na produção e venda de nanofertilizantes, a IFFCO selou agora uma parceria com sócios brasileiros para vender e fabricar no Brasil nanonutrientes para nutrição animal. A tacada é o mais novo passo da cooperativa em sua aposta no mercado brasileiro, que começou com nanofertilizantes.

Nesta semana, a IFFCO firmou acordo com os empresários brasileiros Lucas Soares e Fausto Caron e com o indiano Ritesh Sharma para criar a Nanofeed, que, inicialmente, será a empresa responsável por importar os nanonutrientes que hoje são produzidos na Índia. Em até dois anos, a Nanofeed também dará início à construção de uma fábrica para produzir os insumos no Brasil. A cooperativa indiana terá 70% de participação no negócio, e os outros sócios terão 10% cada.

A IFFCO e os empresários firmaram a parceria logo após a visita oficial da delegação brasileira à Índia, que ocorreu na semana passada. No encontro, os governos dos dois países buscaram estreitar as relações bilaterais em meio à onda protecionista e às incertezas no comércio global.

A nova parceria da IFFCO no Brasil repete o modelo de negócios que adotou na Nanofert, em que a cooperativa associou-se a empresários para primeiro comercializar seus nanofertilizantes no Brasil e desenvolver uma base de clientes. Só depois dessa etapa a cooperativa começou a construir sua fábrica própria no país.

A IFFCO já tem um longo histórico de produção de nanofertilizantes na Índia, mas os nanonutrientes para nutrição animal são mais recentes. Tal como nos fertilizantes, a adoção da nanotecnologia deixa o insumo bem mais eficaz e reduz muito o desperdício. Com isso, é possível obter o mesmo efeito com quantidades muito menores do produto.

Segundo Lucas Soares, no caso do fosfato bicálcico, por exemplo, um suplemento “crítico” para a nutrição animal, com a adoção de nanomoléculas do componente, o uso do insumo na fabricação de rações é 50% menor. “E com o mesmo resultado”, diz o empresário, que comandará a operação da companhia no Brasil.

É possível aplicar a nanotecnologia no segmento de ração em qualquer nanonutriente usado para suplementação nutricional, como vitaminas, minerais e aminoácidos. A ideia da Nanofeed é oferecer às indústrias e fabricantes de rações nanutrientes que substituam as moléculas convencionais de nutrientes. Soares evita dar uma projeção de faturamento para o negócio, mas diz que, sozinho, o nanofosfato bicálcico tem potencial para alcançar um mercado de R$ 60 milhões anuais no país. Segundo ele, o montante pode até ser maior, a depender dos clientes com os quais a empresa fechar contratos.

O empresário ressalta que, além de o produto oferecer vantagem financeira aos clientes, os nanonutrientes oferecem ainda um duplo benefício ambiental. O uso desses insumos diminui a necessidade de extração do componente da natureza, além de reduzir a excreção por parte dos animais. “Quando você dá [ao animal] dez quilos de fosfato bicálcico, ele consome 18%, e o resto vai embora. Mas quando tem uma biodisponibilidade maior, o aproveitamento do conteúdo é de quase 100%”, afirma.

O uso da nanotecnologia deverá ajudar a reduzir, por exemplo, as emissões de gases da fermentação entérica dos animais, atualmente o maior responsável pelo grande volume das emissões de gases de efeito estufa da agropecuária. Segundo Soares, a Nanofeed já considera contratar um órgão certificador para atestar a capacidade de redução de emissões dos seus nanonutrientes, como a Fair Food ou a Verra. A ideia, diz ele, é que a fábrica de ração ou o produtor rural que utilize uma ração à base de nanonutrientes possa gerar créditos de carbono e vendê-los no mercado. A empresa contratou um estudo do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica no Paraná para avaliar os potenciais de geração de créditos de carbono.

Após ao menos um ano e meio importando o produto da Índia e desenvolvendo o mercado no Brasil, a Nanofeed pretende construir uma fábrica no país, o que deve exigir um investimento de R$ 35 milhões. Por ora, a empresa avalia realizar o investimento em Santa Catarina, Estado com a maior produção avícola do país, ou em Goiás.


Fonte: Globo Rural

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